segunda-feira, 4 de junho de 2018

Portugal | NÃO HÁ COMBOIOS, FERROVIÁRIOS EM GREVE

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Greve dos ferroviários para 90% dos comboios de norte a sul do país

Comboios de mercadorias e de passageiros paralisaram em todo o país. Circulação apenas com um agente é a causa do protesto.

A greve dos trabalhadores ferroviários obrigou esta segunda-feira a uma paralisação de 90% dos comboios de mercadorias e de passageiros em todo o país, segundo o balanço do Sindicato Ferroviário da Revisão e Comercial itinerante (SFRCI).

Segundo disse à agência Lusa Luís Bravo, presidente do sindicato, a taxa de paralisação dos comboios entre as 22:00 e as 06:30 "está na ordem dos 90% em todo o país", sendo que nas zonas urbanas chega a atingir os 100%.

"Nas zonas urbanas de Lisboa é de 100% e no Porto de 95%", acrescentou.

Numa nota enviada às redações, o SFRCI saúda "os trabalhadores do setor ferroviário e os maquinistas em particular "por não cederem a pressões internas e externas comprometidas com o Governo e por não aceitarem violar a lei greve substituindo os revisores em greve".

Os trabalhadores ferroviários da CP, Medway e Takargo estão hoje em greve contra a possibilidade de circulação de comboios com um único agente.

Os sindicatos consideram que "a circulação de comboios só com um agente põe em causa a segurança ferroviária -- trabalhadores, utentes e mercadorias", e defendem, por isso, que "é preciso que não subsistam dúvidas no Regulamento Geral de Segurança (RGS)".

Os ferroviários rejeitam alterações ao RGS com o objetivo de reduzir custos operacionais e consideram que a redação do Regulamento Geral de Segurança, em discussão nos últimos meses, deixa em aberto a possibilidade de os operadores decidirem se colocam um ou dois agentes nos comboios.

Os sindicatos subscritores do pré-aviso de greve preveem que a paralisação tenha "um grande impacto na circulação de comboios" e a CP admite que deverão ocorrer "fortes perturbações na circulação".

A agência Lusa tentou saber se a CP tinha já alguns dados para primeiro balanço, mas até ao momento não foi possível obter mais informação.

Diário de Notícias | Lusa


CGTP diz que centenas de ferroviários podem ser dispensados

O secretário-geral da CGTP esteve hoje na estação do Rossio a solidarizar-se com a greve dos ferroviários, que estão "a defender os seus postos de trabalho", e alertou que 600 postos diretos podem desaparecer, além de 400 indiretos.

Diversos sindicatos do setor ferroviário da CP marcaram para segunda-feira uma greve, mas a mesma já se faz sentir hoje devido a turnos que começam mais cedo.

Em declarações à Lusa, Arménio Carlos alertou que estão em causa postos de trabalho, mas também está em causa a segurança dos utentes.

Também hoje o secretário de Estado das Infraestruturas, Guilherme d´Oliveira Martins, disse que a greve não tem "justificação material", porque os sindicatos estão contra a possibilidade de os comboios circularem apenas com um agente, algo que faz parte de um regulamento que tem quase 20 anos e que o Governo não alterou nem vai alterar.

O Regulamento Geral de Segurança (RGS), de 1999, tem como regra os dois agentes e admite excecionalmente, com restrições e sujeito a fiscalização, o agente único, explicou o secretário de Estado, acrescentando que a CP tem uma norma interna que não admite o agente único.

"Se o Governo quer resolver o problema, é assinar um documento em que assegura a manutenção destes postos de trabalho e que estes trabalhadores podem continuar a desenvolver a sua atividade profissional e a garantir a segurança dos utentes. Se fizer isto, o problema está resolvido", disse Arménio Carlos.

Mas, no entender do secretário-geral da central sindical, a questão de fundo é outra. É que, explicou à Lusa, há um processo em desenvolvimento para, no próximo ano, todos os serviços de transporte estarem colocados "perante uma situação de concessão e uma abertura de concursos para aqueles que estiverem interessados".

"Se o Governo quer resolver o problema, assina um documento a dizer que, independentemente do concurso público e da concessão que eventualmente terá lugar, quer no transporte ferroviário quer no transporte rodoviário, os postos de trabalho estão assegurados. E está o problema resolvido. Queira o governo fazê-lo", afirmou Arménio Carlos.

Questionado pela Lusa sobre a razão de só agora os sindicatos contestarem o RGS, que existe há quase duas décadas, explicou o sindicalista que esse regulamento está a ser discutido com os sindicatos e que o Governo admite que empresas "com um determinado tipo de espelho e de figurino tecnológico podem dispensar um trabalhador, ficando apenas e só o maquinista".

Tal "abre a porta" ao despedimento de centenas de trabalhadores, alertou Arménio Carlos, que salientou também a degradação das infraestruturas ferroviárias, bem como do material circulante, pelo que não se pode garantir a segurança das pessoas apenas com um agente.

"Tem de haver rigor, seriedade e, acima de tudo, responsabilidade. É isso que os sindicatos estão a transmitir e não abdicam de defender os seus direitos", frisou.

Diário de Notícias | Lusa
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