terça-feira, 1 de setembro de 2015

Portugal. CAVACO, UM “SOLDADO” DOS BANQUEIROS DA “DEMOCRACIA À LA CARTE” - memória



Mário Motta, Lisboa

A memória diz-nos que muitas vezes os políticos são a peça na engrenagem da democracia que emperra por comprometimentos com, por exemplo, os banqueiros, os grandes industriais, os grandes grupos económicos, os podres de ricos. Cavaco Silva demonstra ser uma dessas peças emperrada que guarda uma visão de democracia, executando-a e impondo-a, que na realidade nada tem que ver com a democracia de facto. Nos últimos anos e anteriormente os portugueses têm tido a oportunidade de constatar exatamente isso. Neste caso o foco vai para Cavaco Silva. Outros políticos têm sido aliciados, pagos e comprometidos do mesmo modo, daí a democracia que nos é imposta ser uma fraude.

São demasiadas as peças emperradas por via dos benefícios que os do grande capital compram. Peças que em altos cargos nos poderes tendem a adulterar os desígnios que viabilizem e aperfeiçoem a democracia real, no interesse dos países, no interesse das populações. No exemplo de Portugal é gritante o facto de nos imporem uma democracia de fraude. O mesmo acontece na UE, nos EUA e etc., no chamado mundo livre. Um mundo de engano em que os políticos vendidos e sem escrúpulos governam essencialmente para protegerem aqueles que os compram, que lhes pagam e lhes asseguram carreiras nacionais e internacionais se souberem ser fieis quanto baste.

E o povo, pá? O povo, os eleitores, albardam o burro à vontade dos seus donos - à força de tanta manipulação e falta de honestidade de imensos políticos que afinal são os “soldados” daqueles que os compram para a guerra sem-quartel entre exploradores e explorados.

Num trabalho apresentado no jornal Observador, da lavra de Liliana Valente, em Dezembro de 2014, o foco está direcionado em Cavaco Silva e na campanha da sua reeleição para a Presidência da República. Este artigo é um mero exemplo de tantos que podiam povoar a comunicação social. O rol dos vendidos seria enorme. Esta é a democracia “a la carte” que serve os personagens que padecem de imoralidades que não servem a democracia mas que são comuns nos simples mortais: a ganância que despoleta a obrigatoriedade do servilismo nos “soldados” postados nos poderes para exercerem convenientemente a “democracia” que só serve a uns quantos.

No exemplo do artigo que se segue deparamos com um último parágrafo que diz: “O Observador contactou a Presidência da República, que recusou comentar a prestação de contas das eleições presidenciais.” Recusa transbordante de transparência e honestidade. E diz Cavaco Silva que é muito honesto. Devemos acreditar que existem muitos portugueses que com ele não concordam? (MM / PG)

BES: Banqueiros debaixo de fogo foram principais financiadores de campanha eleitoral de Cavaco Silva

Banqueiros e administradores do BES e GES foram dos principais doadores da campanha de Cavaco Silva em 2011. Empresário José Guilherme e família deram 100 mil euros. Todos os nomes, aqui.

A campanha para a reeleição de Aníbal Cavaco Silva, em 2011, contou com donativos de vários banqueiros, entre os quais, alguns responsáveis pelo BES que agora estão a ser investigados pela gestão do banco. No total, banqueiros ou administradores do Grupo Espírito Santo deram à campanha de Cavaco 253.360 mil euros. E todos deram o máximo permitido por lei: 25.560 euros.

O próprio Ricardo Salgado é dos primeiros nomes (de acordo com o registo interno) a aparecer no processo sobre as eleições presidenciais de 2011 consultado pelo Observador no Tribunal Constitucional, que ficaram hoje disponíveis. Ofereceu para a reeleição de Cavaco Silva o máximo permitido por lei: 25.560 euros. Mas não foi o único.

Amílcar Morais Pires, membro da comissão executiva do BES, também contribuiu. É o homem que Ricardo Salgado sugeriu ao Banco de Portugal para que o substituísse como principal responsável do banco, mas o seu nome acabou por ser chumbado pelo governador do Banco de Portugal. Tal como Joaquim Goes, outro membro da comissão executiva do BES e um dos nomes que chegou a ser falado como sucessor de Salgado. Chegou a transitar para o Novo Banco.

Neste grupo de doadores, encontra-se o comandanteAntónio Roquette Ricciardi, pai de José Maria Ricciardi, que até julho foi administrador da Espírito Santo Financial Group, e José Manuel Espírito Santo, vice-presidente da Espírito Santo Financial Group. E ainda Pedro Queiroz Pereira, presidente da Semapa e ex-acionista de referência do BES.

O presidente da KPMG Portugal, que fez uma auditoria externa ao BES, também consta no processo. Sikander Sattar deu 5 mil euros.

Em 2006, na campanha que elegeu pela primeira vez Cavaco Silva como Presidente da República, a família ligada ao Grupo Espírito Santo já tinha sido uma das principais financiadoras. Familiares de Ricardo Salgado entregaram nessa altura 152 mil euros, segundo o DN.

Na campanha de 2011, Cavaco Silva recebeu 179 donativos, grande parte deles de elevado montante que perfizeram um total de um milhão e meio de euros (1.497.128 euros).

Família de José Guilherme dá 100 mil

Mas na lista de donativos há uma família cuja história se cruza também com o BES: Guilherme. O empresário que deu uma prenda a Ricardo Salgado de 14 milhões de euros que está a ser investigada pela justiça deu à campanha de Cavaco em 2011 25 mil euros. Mas não foi o único da família a fazê-lo. A mulher, Beatriz da Conceição Veríssimo deu o mesmo contributo de 25 mil euros, o filho Paulo Jorge Veríssimo Guilherme também e Ilda Maria Veríssimo Guilherme Silva Alberto, uma familiar que é gestora da empresa de José Guilhermedoou também 25 mil euros.

Só com a família do empresário José Guilherme, a campanha de Cavaco Silva contou com 100 mil euros. Esta família, aliás, já tinha feito donativos na primeira campanha presidencial de Cavaco, em 2006. Nessa altura, porém, deu menos dinheiro. José Guilherme ofereceu 20 mil euros, o filho doou 15.000 euros e a mulher 20 mil euros.

O Observador consultou os processos dos restantes candidatos presidenciais, Manuel Alegre, Fernando Nobre e Francisco Lopes, e nestas candidaturas não houve donativos destes responsáveis.

Manuel Alegre, que terminou a campanha com uma dívida de quase meio milhão de euros recebeu mais donativos (249), mas de menor montante, perfazendo um total de 159 mil euros.

Fernando Nobre, que concorreu sem o apoio de partidos, conseguiu arrecadar mais donativos que Manuel Alegre e num valor superior ao do candidato apoiado pelo PS: 728 donativos no valor de 211.843 euros.

Já o candidato apoiado pelo PCP, Francisco Lopes, não registou donativos.

O Observador contactou a Presidência da República, que recusou comentar a prestação de contas das eleições presidenciais.


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