terça-feira, 28 de fevereiro de 2017

Angola. VISITA DE COSTA A LUANDA SÓ DEPOIS DE EDUARDO DOS SANTOS SAIR DO PODER

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A acusação a Manuel Vicente obrigará a adiar a visita de Costa até ao próximo ciclo político. Se o MPLA ganhar, Costa fala com João Lourenço

António Costa não irá a Luanda enquanto José Eduardo dos Santos for presidente angolano.

O primeiro-ministro português tinha uma visita a Angola programada para breve, mas fontes próximas do processo garantiram ao i que a ida de Costa a Luanda deverá ser adiada para depois das eleições angolanas deste ano, ou seja, até à reforma política de José Eduardo dos Santos, que é chefe de Estado daquele país há mais de 37 anos.

A acusação a Manuel Vicente tornou-a praticamente impossível de realizar – tendo em conta as críticas que vieram de Luanda – mas a campanha eleitoral em Angola também não era o melhor timing para uma visita.


“Mesmo antes de o Ministério Público [português] acusar Manuel Vicente, que é a segunda figura do Estado angolano, a visita já estava errada no tempo desde o início”, aponta ao i fonte que se reservou ao anonimato. “Aconteceria sempre, pelo menos, em clima de pré-campanha, e não tem sentido o primeiro-ministro sujeitar-se a isso. Não teria qualquer substância.”

A fonte recorda ainda que “visitas a São Tomé, por exemplo, foram também adiadas em função de circunstâncias políticas locais” e, “que se saiba, não há qualquer urgência em visitar Angola”. Nem vale a pena qualquer urgência agora: um membro do corpo diplomático adiantou ainda ao i que “a visita já está comprometida”.

Qual é a pressa?

Questionada sobre a possibilidade de a acusação ao vice-presidente angolano, Manuel Vicente, colocar em causa as relações bilaterais entre os países lusófonos, a fonte disse apenas: “É possível.”

Em comunicado, o governo angolano considerou que o processo relacionado com o seu vice--presidente é obra “de forças interessadas em perturbar ou mesmo destruir as relações amistosas” entre ambas as nações e um “sério ataque à República de Angola, suscetível de perturbar as relações existentes entre os dois Estados”.

A atuação do Ministério Público, para Luanda, terá sido “despropositada”, “inamistosa” e baseada em “pseudofactos, prejudiciais aos verdadeiros interesses dos dois países”, atingindo “a soberania de Angola ou altas entidades do país, por calúnia ou difamação”.

O governo angolano rejeitou assim totalmente “supostos factos criminais imputados ao senhor engenheiro Manuel Vicente”. O “Jornal de Angola” acusou esta semana o Estado português de “falta de vergonha”.

Agora há uma questão nova em Angola com a crescente perda de poder de José Eduardo dos Santos, aponta uma das fontes contactadas pelo i. “Há um inesperado surgimento do setor militar dentro do MPLA [partido do regime] que levou ao relegar para maus lugares nas listas eleitorais dos seus protegidos, a pressões sobre a família que justificam a sua próxima saída de cargos.”

Na segunda semana deste fevereiro, Augusto Santos Silva havia afirmado: “O que nós acertámos basicamente nas conversas havidas, quer a nível dos dois ministros das Relações Exteriores quer, depois, na minha conversa na audiência que o Presidente da República me concedeu, o que nós conviemos foi que marcaríamos a visita para a primeira data possível. A minha expetativa é que a visita do primeiro-ministro de Portugal a Angola se realize ainda nesta primavera.”

Ao que o i sabe, a expectativa de Santos Silva sairá frustrada. Pelo menos no que toca à estação do ano escolhida. Angola só terá um novo presidente depois de setembro. Se o MPLA vencer, será João Lourenço.

Ana Sá Lopes e Sebastião Bugalho – jornal i

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