quarta-feira, 8 de março de 2017

VIVAM AS MULHERES QUE TODOS OS DIAS FAZEM ACONTECER O SEU DIA

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Desde já levamos ao vosso conhecimento que hoje só servimos meio Expresso Curto, não só devido ao adiantado da hora mas também porque a prosa de Cristina Peres é interessante no que diz respeito à mulher e ao seu dia. Pois, porque hoje é, ainda, Dia Mundial da Mulher. Sobre isso, quase sempre só sobre isso, foi o que respigámos deste curto que é expresso. 

Parabéns mulheres, agora só falta o Dia Mundial dos Homens e o Dia Mundial dos Convencidos que os Homens são uns Privilegiados – quando na realidade só alguns, entre a humanidade, o são. Sim. Contra o Dia das Mulheres? Não. Contra estas fantochadas, contra estas manipulações criadas por um sistema bacoco. Sigamos para bingo, digo, para a prosa da já citada jornalista. 

Parabéns mulheres que todos os dias fazem acontecer o vosso dia. Impondo-se, sabendo exigir que assim aconteça, lutando pelo direito que lhes assiste enquanto ser humano, coisa de que muitos homens não são capazes de fazer. Não são capazes ou não os deixam ser capazes, como a tantas mulheres. CT / PG

Hoje é Dia Mundial da Mulher, a metade da humanidade cujo trabalho até na UE vale menos

Cristina Peres - Expresso

Vou fazer como a repórter da revista Forbes que recomenda a quem não tenha a certeza do que fazer neste dia: usa a tua voz! O menu de comemorações à escolha é variado, mas a verdade é que o programa à disposição depende muito do ponto do planeta onde se estiver. Em Portugal, ao googlar “dia internacional da mulher”, passa logo para “mujer” porque em português de Portugal a informação imediata que se encontra na net é mais histórica do que atualizada e estimulante à participação. Há uma convocatória para que 8 de março seja dominado por uma greve planetária pelos direitos das mulheres, esse grupo diverso para quem o próprio género é passível de muitas e diversas definições. Ficam aqui os exemplos de dez ações diretas por mulheres que mudaram o mundo.

Women of the world unite! Mulheres do mundo, uni-vos! É o apelo partilhado pela opinião de Agustina Paz Frontera - co-fundadora do movimento #NiUnaMenos contra a violência exercida sobre as mulheres - e de Winnie Byanyima - diretora executiva da Oxfam Internacional - que escrevem no site da Al Jazeera porque é que todas as mulheres devem estar disponíveis e otimistas neste dia do ano "tão importante".

Como os governos são maioritariamente compostos por homens, dá que pensar que em Itália as mulheres, além de receberem mimosas, possam oficialmente aceder aos museus gratuitamente neste dia; que na China tenham direito a meio dia livre de trabalho; e que na Rússia, onde muito recentemente uma lei revogou que agressões físicas por parte dos maridos possam ser consideradas violência doméstica “porque fazem parte da cultura russa”, têm direito a um dia inteiriiiiiiinho de folga. Aqui ficam seis sugestões transnacionais a que poderá dedicar-se hoje em particular, mas que são igualmente válidas nos outros 364 dias do ano. Decida aqui a sua opção de participação em #BeBoldForChange: qual a prioridade que vai escolher entre 1. combater a desigualdade 2. fazer campanha contra a violência (leia aqui sobre as dificuldades de combater a prática das excisão feminina) 3. bater-se pelo avanço das mulheres 4. celebrar as realizações das mulheres 5. promover a educação das mulheres?

Leia aqui uma opinião avalizada sobre limitações das mulheres muçulmanas na vida pública diretamente dependente de legislação que é escrita por… homens. E aproveite o facto de o jornal i não ter hesitado em fazer manchete com o dossiê especial de 13 páginas dedicado ao tema: Marido deixou de ser o “chefe de família” há 40 anos. Leia como até 1977 competia ao homem decidir todos os atos da vida conjugal comum.

Quem duvidar disto tudo, consulte aqui o site da Comissão Europeia onde estão registadas as discrepâncias salariais entre homens e mulheres nos 28 Estados-membros, que mais depressa se reduzem para 27 do que ficam mais igualitários. Tem aqui para consulta num belíssimo gráfico animado o pay gap coligido pelo Wall Street Journal. Lembre-se entretanto que, apesar do grau de negação que por aí anda a alimentar protecionismos e nacionalismos fazemos parte dos países mais privilegiados do mundo.


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