Candidatos da FRELIMO e RENAMO à
eleição autárquica de Nampula poderão estar a caminho de uma segunda volta, de
acordo com o apuramento parcial dos votos.
24 horas depois do encerramento
das assembleias de voto, ainda não foram anunciados os resultados preliminares
sobre a votação de quarta-feira (24.01) para a eleição do sucessor de
Mahamudo Amurane, edil de Nampula assassinado a 4 de outubro.
No entanto, alguns partidos dizem
que já contabilizaram os votos. Um deles é a FRELIMO, que esta quinta-feira
(25.01) anunciou que acompanhou atentamente o processo e que os dados
preliminares, coletados internamente, dão vantagem ao seu candidato Amisse
Cololo.
"Os munícipes corresponderam
com o manifesto [eleitoral] do nosso candidato e foram votar na FRELIMO",
disse aos jornalistas o porta-voz da formação política, Caifadine Manasse.
"Neste momento, as projeções iniciais indicam que a FRELIMO está a liderar
o processo com a maioria dos votos e esperamos que a Comissão Nacional de
Eleições dê o veredito final", acrescenta.
Para Manasse,
"é preciso perceber que a FRELIMO, no município de Nampula, estava na
oposição e ir a uma eleição e conquistar uma maioria de votos significa
que há um reconhecimento da população com esperança na FRELIMO".
"Precipitação da FRELIMO"
Por seu turno, a Resistência
Nacional Moçambicana (RENAMO) considera que ainda não há um vencedor da
eleição de quarta-feira e diz que a FRELIMO está a precipitar-se. No
entender do porta-voz do candidato Paulo Vahanle, Ossufo Ulane, os resultados
preliminares que os técnicos do partido compilaram dão um empate técnico,
abrindo a possibilidade de uma segunda volta.
"O apuramento tem duas
versões: há um apuramento por vontade de quem quer o resultado [favorável]
e há um técnico, fazendo as contas. Desses dois apuramentos, ninguém está
proibido, todos temos o direito de fazer qualquer previsão, mas o que a RENAMO
está a fazer agora não é querer criar expetativas. A RENAMO tem os editais e já
fez apuramentos a nível do partido e sabe que até aqui não há vencedores
e que existe uma grande probabilidade para a realização de uma segunda
volta", garantiu.
Recorde-se que a lei prevê a
realização de uma segunda volta se nenhum candidato obtiver mais de 50% dos
votos.
MDM aceita derrota
Entretanto, o Movimento
Democrático de Moçambique (MDM) aceita a derrota do seu candidato, Carlos
Saíde, mas também o partido, segundo Agostinho Mussuanga, mandatário provincial
do MDM, defende uma segunda volta eleitoral, devido às inúmeras irregularidades
registadas ao longo do processo, com destaque para a introdução de novos
cadernos e mesas das assembleias de votos.
"Para nós, aquilo que
aconteceu é triste, não por termos perdido a eleição. Contámos 41 editais e
tudo indica que, até agora, ninguém conseguiu 50 por cento [dos votos].
Portanto, os resultados apontam para uma segunda volta", disse.
A Comissão de Eleições na cidade
de Nampula avalia de forma positiva o decurso do processo de votação, mas só
garante para sexta-feira (26.01) o anúncio dos resultados preliminares, de
acordo com Martinho Marcelino, presidente daquele órgão na cidade nortenha.
"Temos o nosso calendário [
de votação], e o mesmo vai terminar no dia 27. Estou a dizer que no dia 26
vamos divulgar os resultados e neste caso estamos dentro do nosso calendário
oficial para a divulgação", anunciou.
Entretanto, um grupo de
observadores nacionais, denominado "Sala da Paz", reuniu-se esta
quinta-feira para avaliar o processo de votação e, segundo o porta-voz, Juma
Aiba, a campanha e a votação enfrentaram enormes dificuldades, "o que
demonstrou uma fraca capacidade de preparação dos órgãos eleitorais neste
processo". Os observadores garantiram a divulgação dos resultados ainda
esta noite, segundo uma contagem paralela efetuada pelos seus membros. Caso haja empate
técnico, o grupo éa favor da repetição da votação.
"No geral, verificou-se uma
elevada abstenção [na votação]. Pelas estimativas, pode estar acima de
dois terços. Os problemas ligados aos cadernos prevaleceram até o fim do
processo de votação", sublinhou Aiba.
Detenção de quatro pessoas
A RENAMO, à semelhança de alguns
partidos políticos concorrentes, denunciou algumas irregularidades na eleição,
entre elas, uma alegada perseguição dos seus membros pela Polícia, que culminou
com a detenção de um membro do partdo em pleno dia de votação.
Zacarias Nacute, porta-voz do
Polícia moçambicana em Nampula, afirma que a corporação registou dois ilícitos
eleitorais, que levaram à detenção de quatro pessoas, entre elas três membros
do MDM e um da RENAMO, que faziam campanha eleitoral no dia da votação, uma
atividade que é proibida por lei.
"Os cidadãos que foram
apanhados a fazer mobilização junto dos eleitores para votarem nos seus
respetivos partidos foram encaminhados para as unidades policiais onde
decorre neste momento um processo crime".
Sitoi Lutxeque (Nampula) | Deutsche Welle
Sitoi Lutxeque (Nampula) | Deutsche Welle
Foto - Nampula: Observadores
eleitorais
Sem comentários:
Enviar um comentário