sexta-feira, 11 de janeiro de 2019

Moçambique | Ousemos sair à rua


@Verdade | Editorial

Hoje, parece que nenhum moçambicano tem dúvidas de que eles, o Governo da Frelimo, têm estado a postergar o desenvolvimento socioeconómico do país. Hoje ninguém tem mais dúvidas de que há quatro décadas temos vindo a ser enganados e roubados por uma corja de insensíveis que estão marimbando-se com o sofrimento do povo. Já não temos dúvidas de que os nossos governantes são vampiros políticos que medram à custa do sofrimento de todos os moçambicanos.

Os tempos que vivemos são de grande crise política, moral, social e, acima de tudo, económica. Mas mesmo em crise económica essa corja de governantes anda afogada em massificados almoços e jantares, regados com vinho e uísque dos mais caros que existem no mercado nacional e internacional. Enquanto isso a população moçambicano vive ao Deus-dará, a morrer nas filas de hospitais por falta de assistência médica e medicamentosa, na expectativa de um futuro melhor prometido por que anda preocupado em levar água ao seu moinho.

A notícia dando conta da detenção de Manuel Chang, antigo ministro das Finanças que assinou Garantias bancárias violando a Constituição da República de Moçambique, acusado pela justiça americana de fraude electrónica, fraude de valores mobiliários, suborno e branqueamento de capitais, vem colocar a nu tudo que já sabíamos: andamos a ser roubados desde 1975.

Chang assinou as Garantias Bancárias que permitiram a contratação das dívidas das empresas Proindicus, EMATUM e MAM violando a Constituição da República e as leis orçamentais de 2013 e de 2014. Este sujeito e os seus comparsas receberam subornos em milhões de dólares norte-americanos. Estes gatunos enganaram e defraudaram investidores dos Títulos Soberanos da Proindicus, EMATUM e MAM, e transportaram e transferiram dinheiro de/para os Estados Unidos da América, e ainda conspirar para cometer crime de branqueamento de capitais.

Devido a essa situação, colocaram o país de rasto. Esses, sem dúvidas, argumentos mais do que suficientes para os moçambicanos abandonarem o sossego dos seus lares e fazerem-se às ruas para exigir explicações e justiça. Ou seja, diante do que temos vindo a assistir, ousemos sair à rua, empunhando dísticos (e gritando alto e bom som) demonstrando a nossa revolta, a nossa indignação contra os indivíduos que venderam o país.

Portanto, é, sem sombras de dúvida, um caminho de “porta estreita”, mas não há outro para derrubarmos os grandes interesses económicos e financeiros que nos oprimem e nos colocaram numa situação de crise sem precedentes.

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