segunda-feira, 23 de dezembro de 2019

Guiné-Bissau | Segunda volta das presidenciais vai afetar a quadra festiva?


Pela primeira vez, Guiné-Bissau acolhe eleições na quadra festiva de Natal e do ano novo. Opiniões dos guineenses divergem quanto à eventual influência das eleições nas festas de Natal, que unem várias famílias no país.

Apesar da Guiné-Bissau ser um Estado laico, o Natal é celebrado em quase todo país, tanto por famílias cristãs como de outros credos religiosos, que se juntam aos festejos. Entretanto, o Natal deste ano vai ser marcado pelas fortes movimentações políticas, na medida em que, quatro dias depois dos festejos, o país vai realizar a segunda volta das eleições presidenciais, um facto inédito na Guiné-Bissau.

Guineenses opinam

Sobre a eventual influência do processo eleitoral nas festas do Natal, os guineenses têm opiniões diferentes.

Ussumane Camará, estudante na escola de formação de professores de Bissau, considera que se vai manter a tradição de se festejar sem nenhuma anormalidade: "Não vai influenciar nada na quadra festiva, porque nós costumamos festejar o Natal e o final do ano de uma forma tranquila, pelo que penso que as eleições não vão ter influência no Natal".

A opinião é partilhada por Mustafa José Januário, também estudante. Contudo, espera que os guineenses saibam separar as coisas: "Depois da festa de Natal, temos quatro dias para as eleições, logo é só sabermos o que devemos fazer. Festejar bem o Natal e fazer uma boa escolha nas eleições."

Mas, também há quem pense de outra forma. A vendedeira Diana Cá acredita que "as eleições vão influenciar os festejos e deveriam ser antes de 25 de dezembro, pelo menos no dia 23. Também depois da transição do ano, poderá não haver o clima de irmandade entre as pessoas, com abraços, porque um ou outro candidato perdeu as eleições".  


Implicações a vários níveis

O Sociólogo guineense Diamantino Domingos Lopes considera que haverá implicações financeiras nas famílias, no processo da distribuição dos recursos do erário público.

Lopes lembra ainda que "é um processo sociopolítico sempre conturbado, que mexe muito com a psicologia das pessoas e da sociedade".

E poderá ainda afetar famílias. O sociólogo prevê que "haverá dificuldades em manter a família unida, porque muitas famílias estão envolvidas no processo da campanha eleitoral e haverá alguma dificuldade em congregar os membros para aqueles momentos tradicionais de confraternização, de partilha e de acertar as pontes e de fazer as pazes, sobre tudo de negativo que aconteceu durante o ano. Podemos ter a dificuldade de resolver no ambiente familiar, considerando o ambiente familiar."

A capacidade de adaptação do guineense

Contudo, o sociólogo acredita que, apesar da realização de eleições em período invulgar, a sociedade guineense vai saber lidar com a situação.

"Há uma caraterística da sociedade guineenses que é ímpar: uma capacidade de adaptação fora do normal. Mesmo no momento de muita agitação e aflição social, consegue adaptar-se ao clima. O único medo é de ouvir o som das armas. Não ouvindo o som das armas, tudo é normal para um guineense", revela Diamantino Lopes.

O Natal vai ser celebrado em plena campanha eleitoral para a segunda volta das eleições presidenciais, mas já são visiveis os sinais para o festejo de Natal.

Iancuba Dansó (Bissau) | Deutsche Welle

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