sexta-feira, 27 de outubro de 2023

Guerra Israel-Hamas: forças terrestres israelitas ‘expandindo operações’ em Gaza

Gaza fica às escuras enquanto Israel diz que forças terrestres estão 'expandindo operações'. A Assembleia Geral da ONU aprova uma resolução apelando à trégua humanitária em Gaza, apesar das objecções dos EUA e de Israel.

Joseph Stepansky  e  Farah  | Al Jazeera | # Traduzido em português do Brasil

O bombardeamento de Gaza por Israel, particularmente no norte do enclave, aumenta de intensidade à medida que o porta-voz militar diz que as forças terrestres israelitas estão a “expandir as operações”.

A Assembleia Geral da ONU aprova uma resolução não vinculativa apelando à trégua humanitária em Gaza.

A Faixa de Gaza está a viver um apagão quase total das comunicações, com agências de saúde e humanitárias a alertar que os palestinianos em todo o território mergulharam na “escuridão”.

Fontes da Al Jazeera dizem que as negociações, mediadas pelo Catar, sobre um cessar-fogo e um acordo de troca de prisioneiros entre Israel e o Hamas estão “progredindo e em estágio avançado”.

Pelo menos 7.326 palestinos foram mortos em ataques israelenses desde 7 de outubro, enquanto Israel promete continuar os ataques aos territórios palestinos. Mais de 1.400 pessoas foram mortas no ataque do Hamas a Israel.

ÚLTIMAS ATUALIZAÇÕES de Palestine Chronicle

Sábado, 28 de outubro, 2h (GMT+3)

EXÉRCITO ISRAELITA: Houve uma troca de tiros de metralhadora na área fronteiriça a leste do campo de refugiados de Bureij, na Faixa de Gaza.

Sábado, 28 de outubro, 1h30 (GMT+3)

AMNESTY INTERNATIONAL: Os civis em Gaza correm um risco sem precedentes devido aos cortes nas comunicações e à expansão dos ataques terrestres israelitas.

BRIGADAS AL-QUDS: As Brigadas Al-Quds, o braço militar do Movimento da Jihad Islâmica, disseram que seus combatentes estão envolvidos nas batalhas ferozes e que estão enfrentando forças inimigas que tentam avançar em direção à Faixa de Gaza.

PORTA-VOZ DO CONSELHO DE SEGURANÇA NACIONAL DA CASA BRANCA, JOHN KIRBY: Compartilhamos com Israel nossa visão de como é a guerra urbana.

EQUIPES DE NOTÍCIAS DA NBC EM GAZA: Estamos vivendo uma situação difícil e perigosa e estamos sendo submetidos a intenso bombardeio (israelense) com projéteis de artilharia e aéreos.

AL-JAZEERA: O correspondente da Al Jazeera disse que combatentes israelenses lançaram ataques nas proximidades do Hospital Al-Shifa e do Hospital Indonésio em Gaza, e que o bombardeio israelense teve como alvo o campo de Bureij, no centro da Faixa de Gaza.

DEPARTAMENTO DE ESTADO DOS EUA: Instamos os nossos cidadãos a deixar o Líbano, dada a imprevisível situação de segurança.

AL-JAZEERA: O correspondente da Al Jazeera disse que o intenso bombardeio israelense foi renovado nas proximidades do Hospital Indonésio no norte da Faixa de Gaza e em outras áreas, também ao norte de Gaza.

REUTERS: O exército israelense informou-nos, juntamente com a Agência de Imprensa Francesa, que não garante a segurança dos jornalistas das duas agências em Gaza.

- em atualização

A linguagem genocida por trás da intenção de Israel em Gaza

Muito antes de 7 de outubro, o discurso sionista-israelense sempre foi o do racismo, da desumanização, do apagamento e, às vezes, do genocídio total, escreve Ramzy Baroud.

Ramzy Baroud* |  Common Dreams | em Consortium News | # Traduzido em português do Brasil

“(Tutsis) são baratas. Nós vamos matar você. Os árabes são como “baratas drogadas numa garrafa”.

A primeira citação foi uma frase repetida frequentemente pela Radio Télévision Libre des Mille Collines, uma estação de rádio ruandesa, que é amplamente responsabilizada por incitar o ódio ao povo tutsi.

A segunda é do ex-chefe do Estado-Maior do exército israelense, general Rafael Eitan, em 1983, falando em um comitê do parlamento israelense.

A estação de rádio cheia de ódio do Ruanda funcionou apenas durante um ano (1993-94), mas o resultado do seu incitamento resultou num dos episódios mais tristes e trágicos da história humana moderna: o genocídio dos tutsis.

Compare o “Genocídio da Rádio” com a propaganda massiva israelo-americana-ocidental, desumanizando os palestinianos quase com linguagem idêntica à usada pelos meios de comunicação Hutus.

Muitos parecem esquecer que, muito antes da guerra de Gaza em 7 de Outubro, e mesmo muito antes do estabelecimento de Israel em 1948, o discurso sionista-israelense sempre foi o do racismo, da desumanização, do apagamento e, por vezes, do genocídio total.

Negociações de cessar-fogo Israel-Hamas ‘em estágio avançado’

Mersiha Gadzo,  Priyanka Shankar  e  Edna Mohamed | Al Jazeera | # Traduzido em português do Brasil

Fontes da Al Jazeera dizem que as negociações, mediadas pelo Catar, sobre um cessar-fogo e um acordo de troca de prisioneiros entre Israel e o Hamas estão “progredindo e em estágio avançado”.

Apenas um “pouco” de comboios de ajuda foi autorizado a entrar em Gaza e a situação dos palestinianos sitiados e bombardeados está a ficar fora de controlo, afirma Philippe Lazzarini, comissário-geral da agência da ONU para os refugiados da Palestina. “Gaza está sendo estrangulada.”

O Hamas assume a responsabilidade pelo ataque com foguete que atingiu o prédio de Tel Aviv, ferindo três pessoas.

Pelo menos 7.326 palestinos foram mortos em ataques israelenses desde 7 de outubro, enquanto Israel promete continuar os ataques aos territórios palestinos. Mais de 1.400 pessoas foram mortas no ataque do Hamas a Israel.

‘Catastrófico’: Catar pede cessar-fogo total e libertação de prisioneiros

O Qatar apelou a um cessar-fogo imediato e à libertação de todos os prisioneiros na guerra de Gaza.

“Os ataques israelitas contra civis inocentes tornaram-se catastróficos e podem evoluir de uma forma que ameaça a região e o mundo. Expressamos profundo pesar pelo fracasso do Conselho de Segurança da ONU em assumir a responsabilidade nos termos do seu estatuto”, disse Sheikha Alya Ahmed Saif Al Thani, embaixadora do Qatar na ONU.

“Renovamos os nossos apelos à desescalada, a um cessar-fogo total e à libertação de todos os prisioneiros – especialmente os civis. Reafirmamos a nossa condenação de todas as formas de atacar civis, especialmente mulheres e crianças.”

Angola | O Invencível Exército de André – Artur Queiroz

Artur Queiroz*, Luanda

André Santana Pitra (Petrof) foi Comandante de Coluna na Frente Leste. É signatário da Proclamação das FAPLA. Até ao repouso do guerreiro comandou o Corpo de Polícia Popular de Angola (Polícia Nacional) e foi ministro. Em 1992, poucos dias antes de Savimbi lançar o golpe para tomar o poder pela força, perguntei-lhe se tinha garantias da ala civil da UNITA que não haveria o regresso à guerra. Olhou para mim e respondeu secamente: “Ninguém sabe quem naquele partido é político ou militar. Se receberem ordens pegam todos nas armas”.

Nessa época desafiei-o a contar-me as suas memórias na guerrilha. De uma forma amigável e educada respondeu: “Não tenho tempo para conversar nem com a minha família!” O meu convite não era para “vender” a sua imagem. Mas porque pela boca dos Comandantes Orlog e Dak Doy ouvi relatos empolgantes sobre o seu papel de “sabotador” na Frente Leste. 

Entre o Luvuei e a fronteira do Mussuma ou até ao Ninda, um imenso território, os generais portugueses tiveram de mobilizar vários batalhões porque a guerrilha do MPLA estava muito activa. Em breve essas tropas ficaram “prisioneiras” nos seus quartéis. E quando eram abastecidas, as viaturas accionavam minas convencionais ou criadas pelos sabotadores. Os camiões de carga, e as viaturas militares iam pelos ares. Muitas baixas e sobretudo muitos mutilados. 

Essas operações de sabotagem tinham a assinatura do Comandante Petrof. Ele deslocava-se de um extremo ao outro da vasta região e ia colocando os engenhos explosivos nas picadas e nos trilhos das matas. Como o solo ali é areal, a tarefa ficava mais fácil. No auge da guerra de guerrilha na região existam mais de 1500 militares portugueses. Os quartéis eram prisões como a Faixa de Gaza. As picadas estacam cheias de minas e armadilhas explosivas. No Muíé, o comando português colocou um pelotão. Os combatentes do MPLA, para desmoralizarem o inimigo, atacaram atirando laranjas (nessa zona há grandes laranjais…) para o quartel. O oficial que comandava o pelotão enlouqueceu e a posição foi abandonada.  

Pesadas baixas (mortos e feridos) e material destruído foi obra do Comandante Petrof. Perguntei-lhe quantos homens tinha a sua unidade. Ele disse que não era unidade nenhuma e combatia com cinco camaradas no máximo! Eis o grande exército de André Santana Pitra (Petrof). O Comandante Iko Carreira revelou-me que o MPLA tinha no máximo 800 guerrilheiros. Portugal mobilizou milhares de soldados para enfrentá-los. Revelo estes factos porque Israel concentrou na fronteira da Faixa de Gaza centenas de tanques, canhões e milhares de soldados. Para quê?

Angola | A Voz da Cidade sem Asfalto -- Artur Queiroz

Artur Queiroz*, Luanda

A História é escrita por pessoas que nem imaginam estar a escrevê-la. Por isso muito se perdeu na voragem do tempo, já na República Popular de Angola e naqueles meses que pareceram séculos, entre o 25 de Abril de 1974 e o dia 11 de Novembro de 1975. Um dia destes fui surpreendido com um depoimento de Mesquita Lemos (Rádio Clube de Angola), recolhido por Jacques dos Santos, em 1993, no âmbito das actividades da Chá de Caxinde. Ele falava da emissora CR6AA, a primeira em Angola, e do seu mentor, Álvaro de Carvalho, o pai da Rádio Angolana. Fabuloso. Um contributo inigualável para a História. Ficou completo o retrato do radialista e da sua estação.  

Os grandes profissionais da Rádio Angolana formaram-se nos Rádios Clubes. Existia um em cada capital de distrito (província), mais o da cidade do Lobito, cidade pioneira da radiofonia. A mãe de todas as estações. A História deste movimento está em grande parte por escrever. Mas alguma coisa foi feita. Os realizadores e produtores independentes Sebastião Coelho (Café da Noite) e Zé Maria (Luanda) publicaram em livro as suas experiências e memórias. Leonel Cosme também escreveu muito sobre o tema. Além de editor da Imbondeiro foi um homem da Rádio. Dirigiu os serviços de produção do Rádio Clube da Huíla. 

Em Luanda a estação pioneira é o Rádio Cube de Angola. Deu um salto de gigante (liderou audiências) quando Santos e Sousa chefiou os serviços de produção. Foi um dos mais brilhantes radialistas do seu tempo e de sempre. Depois surgiu a Emissora Oficial de Angola e mais tarde a Rádio Eclésia (Emissora Católica do Angola). 

No final dos anos 60, o padre José Maria Pereira, que dirigia a estação, decidiu alugar tempo de antena. Assim surgiram espaços radiofónicos fabulosos, do melhor que existia no mundo. São eles Café da Noite (Sebastião Coelho), Luanda (sonoplasta Zé Maria) e Equipa (Brandão Lucas).

Ainda nos anos 60 nasceu a Voz de Luanda, situada no último andar do prédio Suba (gaveto da Avenida de Portugal com a Avenida Lenine). Os seus mentores, Pedro Moutinho e Paulo Cardoso, inovaram e agitaram as águas. Desavenças entre os dois ditaram o fim prematuro de um projecto que prometia muito. 

Angola | Os Órfãos da Mentira – Artur Queiroz

Artur Queiroz*, Luanda

A Coreia do Norte encerrou a sua embaixada em Luanda. Durante os anos da Luta Armada de Libertação Nacional este país apoiou o MPLA com firmeza. Forneceu material de guerra e formou muitos combatentes. Sem desprimor para outros, destaco os Comandantes Eurico Gonçalves, Mário de Almeida (médico guerrilheiro) e Rui Castro Lopo. Se a Argélia, Federação Russa e a República Popular da China seguirem o mesmo caminho, temos Angola reduzida ao Corredor do Lobito, ajudando o estado terrorista mais perigoso do mundo (EUA) a roubar as matérias-primas da região, sobretudo cobre e cobalto. Quem nos viu e quem nos vê.

A direcção do MPLA reuniu-se no Futungo II para analisar a realidade social e económica. O repórter da TPA disse que “é o partido que governa Angola”. Jornalismo sem rigor é uma espécie de kalulu sem peixe. O MPLA ganhou as eleições com maioria absoluta. Essa vitória retumbante (sozinho contra todos e uma taxa assustadora de abstenção!) permitiu que o seu cabeça de lista fosse eleito Presidente da República e Titular do Poder Executivo. João Lourenço é que governa Angola. O partido apoia esse governo com uma maioria parlamentar. Querem mesmo deitar abaixo o MPLA de Agostinho Neto e José Eduardo dos Santos. Vai tudo para o Corredor do Lobito! 

Os “órfãos das vítimas do 27 de Maio” fizeram prova de vida com mais um comunicado. Quanto ao paleio, nada de novo. A questão é saber quanto receberam desta vez. Afinal a CIVICOP do golpista Francisco Queiroz é apenas isso, balcão bancário onde as “vítimas” recebem os 30 dinheiros da praxe. Ele ficou com a parte de leão. A Francisca bebe do fino e vai receber mais acima, no Palácio da Cidade Alta. É assim no Corredor do Lobito. Tudo farinha do mesmo comboio.

Os órfãos das “vítimas”, atrevidos, escrevem isto: “Nunca compreendemos como foi possível (os nossos pais) serem presos, torturados e sumariamente executados, sem direito a um julgamento justo e imparcial, na Angola independente que ajudaram a construir… Há seguramente ainda muito por desvendar sobre o que aconteceu no dia 27 de Maio de 1977, sobre os acontecimentos que o precederam e sobre a barbárie que se lhe seguiu”. 

Isto é mesmo paleio de boçal. No meu tempo do MPLA era assim: Quem não está informado, não tem direito à palavra. Como estamos no Corredor do Lobito, essa parte caiu. Agora até a Dona Vera Daves fala pelos cotovelos e tem presença permanente na TPA”.

45% das pessoas de ascendência africana enfrentam racismo

Quase metade das pessoas de ascendência africana na União Europeia enfrentam racismo, discriminação e crimes de ódio na sua vida quotidiana, denuncia a Agência para os Direitos Fundamentais, num relatório hoje divulgado.

Segundo a análise da agência da UE, 45% das pessoas de ascendência africana que vivem no espaço comunitário dizem ter sido vítimas de discriminação racial nos últimos cinco anos, o que representa um aumento em relação ao último relatório feito pela agência, em 2016, quando a percentagem era de 39%.

Os países onde as pessoas mais sentem discriminação social são a Alemanha e a Áustria, nos quais o número de inquiridos que admitiu ser alvo de comportamentos racistas ultrapassa os 70%.

No entanto, alerta a Agência para os Direitos Fundamentais (FRA), a discriminação "permanece invisível", uma vez que apenas 9% a denunciam.

De acordo com os mesmos dados, as mulheres jovens, as pessoas com educação superior e as que usam vestuário religioso são as mais suscetíveis a serem vítimas de discriminação racial, que as afeta sobretudo quando procuram trabalho ou alojamento.

Entre os inquiridos, cerca de um terço (34%) disse ter sido alvo de discriminação racial ao procurar emprego e 31% afirmam ter sido discriminados no próprio local de trabalho.

Além disso, em comparação com a população em geral, "é mais provável que tenham apenas contratos temporários e que sejam demasiado qualificados" para o trabalho que executam, adianta o relatório.

Risco de pobreza

Mais recentemente, o aumento da inflação e do custo de vida colocou mais pessoas de ascendência africana em maior risco de pobreza, em comparação com a população em geral.

"Cerca de 33% enfrentam dificuldades para fazer face às despesas quotidianas e 14% não têm dinheiro para aquecer as suas casas, em comparação com 18% e 7% da população em geral", refere a FRA, acrescentando que, para os cidadãos da UE de ascendência africana, encontrar um local para viver é mais difícil do que para a população em geral.

Ao tentar encontrar alojamento, destaca ainda a FRA, "31% dos inquiridos afirmaram ter sido vítimas de discriminação racial”, uma tendência em crescimento desde 2016.

"É chocante constatar que não houve melhorias desde o nosso último inquérito, em 2016. Pelo contrário, as pessoas de ascendência africana enfrentam cada vez mais discriminação apenas por causa da cor da pele", lamenta o diretor da FRA, Michael O'Flaherty, citado no relatório.

"O racismo e a discriminação não devem ter lugar nas nossas sociedades. A UE e os seus Estados-membros devem utilizar estas conclusões para direcionar melhor os seus esforços e garantir que também as pessoas de ascendência africana possam usufruir dos seus direitos livremente, sem racismo ou discriminação", conclui o responsável.

O documento da FRA analisou as respostas de mais de 6.700 pessoas de ascendência africana que vivem em 13 países da UE: Alemanha, Áustria, Bélgica, Dinamarca, Espanha, Finlândia, França, Irlanda, Itália, Luxemburgo, Polónia, Portugal e Suécia.

Deutsche Welle | Lusa

Guerra de propaganda: Mentiras pró-Israel assediam notas da comunidade no Twitter (X)


Alan Macleod* | Mint Press News | # Traduzido em português do Brasil

GASTANDO MILHÕES PARA ENCOBRIR MASSACRES 

Desde 7 de Outubro, Israel inundou o YouTube com anúncios, tendo o seu Ministério dos Negócios Estrangeiros gasto quase 7,1 milhões de dólares em anúncios nas duas semanas seguintes à incursão do Hamas. Segundo a jornalista Sophia Smith Galer , isso equivale a quase um bilhão de impressões.

Com a sua campanha, o governo israelita concentrou-se esmagadoramente nas nações ocidentais ricas, sendo os seus principais alvos a França, a Alemanha, o Reino Unido, a Bélgica e os Estados Unidos. Só em França, o ministério gastou 3,8 milhões de dólares. Outros ramos do governo israelita, sem dúvida, também gastaram dinheiro em anúncios. A mensagem esmagadora da campanha foi que o Hamas é um grupo de terroristas ligados ao ISIS e que Israel – uma democracia moderna e secular – está a defender-se da agressão estrangeira.

Grande parte do conteúdo violava flagrantemente os termos de serviço do YouTube, incluindo uma série de anúncios com fotos sangrentas de cadáveres. Outro anúncio que chamou a atenção do público foi veiculado antes de vídeos direcionados a bebês. Em meio a uma cena de arco-íris rosa e música suave, aparece um texto dizendo:

Sabemos que seu filho não consegue ler isso. Temos uma mensagem importante para transmitir a vocês, pais. 40 crianças foram assassinadas em Israel pelos terroristas do Hamas (ISIS). Assim como você faria tudo pelo seu filho, nós faremos tudo para proteger o nosso. Agora abrace seu bebê e fique conosco.”

Quase todas as opiniões do Ministério das Relações Exteriores são inorgânicas. A maioria de seus uploads no YouTube obtém apenas algumas centenas de visualizações. Mas aqueles selecionados como anúncios têm centenas de milhares ou até milhões de visualizações.

A campanha de Israel no YouTube foi acompanhada por tentativas expansivas de controlar o debate público noutras plataformas de redes sociais. Em apenas uma semana, o Ministério das Relações Exteriores veiculou 30 anúncios vistos mais de 4 milhões de vezes no Twitter. Tal como acontece com o YouTube, os dados analíticos mostram que eles visavam excessivamente os adultos da Europa Ocidental.

Um anúncio continha as palavras “ISIS” e “Hamas”, mostrando imagens perturbadoras que gradualmente se aceleraram até que os nomes dos dois grupos se fundiram num só. Caso a mensagem não fosse suficientemente clara, terminava com a mensagem: “O mundo derrotou o ISIS. O mundo derrotará o Hamas.”

O Ministério das Relações Exteriores também comprou um grande número de anúncios no Facebook, Instagram, jogos para celular e aplicativos como o treinador de idiomas Duolingo.

O que não foi dito: O silenciamento dos palestinos pela mídia

 

'O que vimos na Palestina considero negligência jornalística'

The New Humanitarian | # Traduzido em português do Brasil

Porque é que tanta cobertura sobre Israel-Gaza tem sido unilateral – excluindo em grande parte as vozes palestinianas – e como é que isso impacta a política de ajuda e as vidas dos civis palestinianos? 

A escritora e jornalista palestiniana-americana Mariam Barghouti junta-se a nós vinda de Ramallah, na Cisjordânia. Há muito que ela pressiona para destacar as perspectivas palestinas nos seus escritos e reportagens, e tem trabalhado com grupos humanitários em todo o Médio Oriente.

Neste episódio de What's Unsaid, Barghouti partilha a sua opinião sobre como as narrativas dominantes dos meios de comunicação social e as práticas do sector de ajuda apoiam a desumanização dos palestinianos e apagam as suas vozes do discurso público.

Os jornalistas não estão a aplicar dois pesos e duas medidas na sua cobertura dos acontecimentos Israel-Gaza em comparação com, por exemplo, a invasão russa da Ucrânia, diz Barghouti. Em vez disso, estão “assumindo uma posição de cumplicidade muito explícita”, argumenta. Ela também aponta o que deve mudar para que o sector da ajuda repense o que ela descreve como uma mentalidade de colocar um “curativo num ferimento de bala”.

What's Unsaid é o novo podcast quinzenal que explora os segredos abertos e as verdades desconfortáveis ​​que cercam os conflitos e desastres mundiais, apresentado por Irwin Loy e Ali Latifi do The New Humanitarian.

Convidada: Mariam Barghouti, escritora e jornalista palestino-americana

Assine no Spotify , Apple , Google , Stitcher ou YouTube , ou pesquise “The New Humanitarian” em seu aplicativo de podcast favorito.

Tem alguma pergunta ou feedback? Talvez você tenha ideias para tópicos sobre o que não foi dito – de suas próprias conversas ou de conversas que você ouviu? Envie um e-mail para podcast@thenewhumanitarian.org ou dê sua opinião no Twitter usando a hashtag #WhatsUnsaid

Mostrar notas 

Descolonizar como? Espere aí, 'humanitário' pode não significar o que você pensa | Coluna de Patrick Gathara

Twitter de Mariam Barghouti

A cobertura da mídia sobre Israel e Gaza está repleta de duplos padrões mortais | Editorial TNH 

Transcrição | O silenciamento dos palestinos pela mídia

Democracy Now, dos EUA, afirma: A punição coletiva de Israel a Gaza deve acabar

Amy Goodman e Denis Moynihan | Democracy Now | # Traduzido em português do Brasil

O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, dirigiu-se ao Conselho de Segurança da ONU na terça-feira, dizendo: “Para aliviar o sofrimento épico, tornar a entrega de ajuda mais fácil e segura e facilitar a libertação de reféns, reitero o meu apelo a um cessar-fogo humanitário imediato”. Ele passou a criticar o cerco e o bombardeio de Gaza por Israel em retaliação ao ataque de 7 de outubro pelo Hamas, que matou mais de 1.300 israelenses:

“É importante reconhecer também que os ataques do Hamas não aconteceram no vácuo. O povo palestiniano foi sujeito a 56 anos de ocupação sufocante. Viram as suas terras serem continuamente devoradas por colonatos e assoladas pela violência, a sua economia sufocada, as suas populações deslocadas e as suas casas demolidas. As suas esperanças de uma solução política para a sua situação têm vindo a desaparecer. Mas as queixas do povo palestiniano não podem justificar os ataques terríveis do Hamas, e esses ataques terríveis não podem justificar a punição colectiva do povo palestiniano.”

O embaixador de Israel na ONU exigiu a demissão de Guterres, acrescentando: “recusaremos a emissão de vistos aos representantes da ONU… para lhes ensinar uma lição”. Os EUA apresentaram uma resolução do Conselho de Segurança para uma “pausa humanitária” em Gaza, que a Rússia e a China vetaram dizendo que não ia suficientemente longe. A Rússia respondeu com uma resolução de cessar-fogo total que os EUA e o Reino Unido vetaram.

Entretanto, o número de mortos em Gaza continua a aumentar, com pelo menos 7.000 palestinianos mortos desde 7 de Outubro, incluindo quase 3.000 crianças, segundo o Ministério da Saúde de Gaza. Os militares israelitas e os colonos armados também mataram mais de 100 palestinianos na Cisjordânia ocupada desde 7 de Outubro, aumentando o número recorde de palestinianos mortos na Cisjordânia este ano.

Israel mantém a Faixa de Gaza sob um bloqueio devastador desde 2006, prendendo os seus 2,4 milhões de residentes naquela que é provavelmente a maior prisão ao ar livre do mundo. Israel limita a entrega de alimentos, combustível, água e medicamentos e impõe controlos do apartheid sobre quem pode entrar e sair. O actual encerramento total dos fornecimentos vitais que Israel impôs em 7 de Outubro, agravado pelos implacáveis ​​ataques aéreos, criou o que Philippe Lazzarini, Comissário-Geral da UNRWA, a agência de ajuda palestiniana das Nações Unidas, descreve como “inferno na Terra”. Ele escreve: “Bairros inteiros estão sendo arrasados ​​sobre as cabeças dos civis”.

Repórter com um Morto ao Colo -- Artur Queiroz

Artur Queiroz*, Luanda

Os nacionais de Israel são israelitas ou à brasileira, israelenses. O país é habitado por judeus, muçulmanos, cristãos, seguidores de outras crenças religiosas, agnósticos ou ateus. Sob o ponto de vista étnico vivem em Israel judeus, árabes, eslavos e outros grupos minoritários. Convém não confundir nacionalidade com etnia ou religião. Essa confusão, propositada, tem muito de racismo. E é racismo que justifica o regime de apartheid imposto pelos nazis de Telavive aos palestinos na Cisjordânia e na Faixa de Gaza.

Os judeus (sob o ponto de vista étnico ou religioso) nada têm a ver com o governo nazi de Israel. Evitem confusões. Holocausto é uma palavre hebraica. O Holocausto nos campos de extermínio da Alemanha e Polónia vitimou seguidores do judaísmo mas também de outras religiões. Etnicamente vitimou judeus (a grande maioria) mas também seres humanos de outras etnias, sobretudo minorias. O Holocausto foi um crime contra a Humanidade e não apenas contra judeus. As vítimas do Holocausto eram humanas. Nada de apropriações abusivas.

O governo israelita diz que só tem um objectivo: Ganhar a guerra. Nada de paz. Os líderes da União Europeia estão de acordo e repetem até à exaustão: Matem os palestinos até onde for preciso! Biden está a mandar tropas e armas para a região. Ajuda ao Holocausto. Sim, em nome da guerra contra o HAMAS a Faixa de Gaza é um imenso campo de concentração e os mais de dois milhões de habitantes estão a ser mortos à bomba, à sede e à fome. Ontem foi dizimada a família de um jornalista da Al Jazeera. Ver um repórter com um bebé morto nos braços não comove os serventes que o ocidente alargado meteu nos Media. Ao fim de quase 60 anos de profissão tenho vergonha de ser jornalista. 

“Todos os países ocidentais apoiam incondicionalmente os bombardeamentos à Faixa de Gaza”, denunciou o Presidente Erdogan da Turquia. Lá onde vive uma população oprimida há 17 anos! Não entra nem sai nada sem autorização dos ocupantes. Estamos num tempo em que Hitler se reproduziu assustadoramente no chamado ocidente alargado. Em alguns casos até usa saias. O nazismo avança imparável. Até em Israel. Não vale a pena esconder a inquietante realidade. Já todos esqueceram mas eu lembro: Natanyhau quer colocar o Poder Judicial às suas ordens. 

As bombas de Gaza foram forrnecidas pelos EUA. O apoio ao Holocausto na Palestina é de todos os que até hoje foram visitar Telavive. O HAMAS anunciou que os bombardeamentos a Gaza já mataram dezenas de reféns. Não há muito tempo, o governo de Israel trocou um soldado israelita por centenas de prisioneiros palestinos. Estes reféns não têm valor nenhum para ninguém no ocidente alargado. A ordem agora é matar, matar, matar. Jornalistas já morreram duas dezenas. Crianças, mais de 3.000. Todos terroristas menos os leprosos morais que usurpam a profissão de jornalista, para amargurarem os meus últimos anos de vida.

As fantasias tecnológicas do Pentágono

Para dissuadir a China, armas com IA, como “enxames de drones”, são alardeados pelos EUA. Em sua maioria, irreais ou ineficazes – e uma trilionária mina de ouro para a indústria bélica. Jogada pode acirrar disputas e pavimentar a Grande Guerra

William D. Hartung*, no Consortium News | em Outras Palavras | # Publicado em português do Brasil

No dia 28 de agosto, a vice-secretária de Defesa, Kathleen Hicks, escolheu a ocasião de uma conferência de três dias, organizada pela Associação Industrial de Defesa Nacional (NDIA, na sigla em inglês), o maior entidade comercial da indústria de armas, para anunciar a “Iniciativa Replicador”. Entre outras coisas, envolveria a produção de “enxames de drones” que poderiam atingir milhares de alvos na China num curto espaço de tempo. Chame isso de lançamento em máxima escala da guerra tecnológica.

O seu discurso aos fabricantes de armas reunidos foi mais um sinal de que o complexo militar-industrial (CMI), sobre o qual o presidente Dwight D. Eisenhower nos alertou há mais de 60 anos, ainda está vivo, passa muito bem e está tomando um novo rumo. Pode chamá-lo de CMI da era digital.

Hicks descreveu o objetivo da Iniciativa Replicador nos seguintes termos:

“Para nos mantermos à frente [da China], vamos criar um novo estado da arte… alavancando sistemas autônomos atritáveis [attritable] em todas as áreas, pois são menos caros, colocam menos pessoas em risco e podem ser alterados, atualizados ou melhorados com prazos de entrega substancialmente mais curtos… Iremos combater o ELP [Exército de Libertação Popular] com a nossa própria massa, mas a nossa será mais difícil de figurar, mais difícil de atingir e mais difícil de vencer.”

Pense isso como se a inteligência artificial (IA) fosse para a guerra – e, bem, a palavra “atritável” (attritable), um termo que não funciona bem na língua e que não quer dizer muita coisa para o contribuinte médio, é puro “pentagonês” para falar da capacidade de reposição pronta e rápida de sistemas perdidos em combate. Vamos verificar adiante se o Pentágono e a indústria de armas sequer são capazes de produzir os sistemas de guerra tecnológica do tipo que Hicks elogiou no seu discurso: baratos, eficazes e facilmente replicáveis. Porém, em primeiro lugar, gostaria de me concentrar no objetivo de um tal esforço: confrontar a China.

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