segunda-feira, 16 de maio de 2011

FMI: OUTRAS DENÚNCIAS DE ASSÉDIO SEXUAL PESAM SOBRE STRAUSS-KAN




CORREIO DO BRASIL, com agências internacionais - de Paris

Bastou que o escândalo estourasse, em Nova York, contra o já afastado diretor do Fundo Monetário Internacional Dominique Strauss-Kahn (DSK), e outras denúncias de agressões anteriores começam a chegar à superfície. É o caso da escritora francesa Tristane Banon, cujo advogado, David Koubbi, revelou que a sua cliente estuda a possibilidade de ingressar com uma queixa contra o economista francês por uma alegada agressão sexual cometida contra ela há quase uma década.

Segundo Banon, o assédio do ex-ministro francês de Finanças a Banon ocorreu durante uma entrevista, em 2002, num apartamento. Na época, a escritora completara 22 anos. Na época, preferiu não apresentar queixa, seguindo o conselho que lhe foi dado pela mãe, Anne Mansouret, membro do Partido Socialista, sendo Strauss-Kahn amigo da família. As informações são da agência inglesa de notícias Reuters.

Na entrevista de Banon, em 2007, a um programa francês de TV, a escritora descreve que se reunira com Strauss-Kahn para um livro de entrevistas, com figuras de proa na França, sob o tema “os maiores erros que cometeram”. Nesse encontro, conta Banon, o economista insistiu em pegar-lhe na mão e assediou-a, comportando-se como “um chimpanzé no cio”.

– Acabou muito mal. Reagi e acabamos nos enfrentando. Acabou de forma muito violenta. Não foram só uns tapas. Tive que lhe dar uns pontapés. Ele abriu-me o soutien, tentou abrir o fecho das minhas calças – lembra a escritora.

Um “calcanhar de Aquiles”

Neste domingo à noite, Mansouret lembrou deste caso em entrevista à televisão estatal francesa, afirmando que a filha tinha sido vítima de uma tentativa de agressão sexual por parte de Strauss-Kahn mas não apresentara queixa à polícia. Nestas declarações, Mansouret avaliou que o economista tem “uma espécie de vício, uma dificuldade em controlar os seus impulsos, o que constitui um problema” e descreveu que a “atitude predadora” do chefe do FMI em relação às mulheres é “uma espécie de violência”.

Ao abrigo da lei francesa, as acusações por agressão sexual prescrevem caso não sejam formalmente interpostas num prazo de três anos, mas o crime de tentativa de violação pode ser levado a julgamento dentro de um prazo de dez anos após a data da alegada agressão ter sido cometida. Strauss-Kahn sobrevivera incólume há dois anos a outra indiscrição sexual, num suposto caso extraconjugal com a húngara Piroska Nagy, então sua subordinada no FMI. O economista foi chamado à atenção, pela diretoria do FMI, por seu “grave erro de julgamento” e o caso, mais de nepotismo e abuso de poder do que de crime sexual, foi então rapidamente digerido e esquecido pela mídia.

O antigo conselheiro para a comunicação do presidente francês Nicolas Sarkozy descreveu as reações de espanto causadas pela detenção de Strauss-Khan como “pura hipocrisia”.

– Toda a gente em Paris sabe há anos que ele tem um problema. Já nem havia muitas jornalistas que aceitassem entrevistá-lo estando sozinhas – afirmou Thierry Saussez, citado pelo diário britânico The Guardian.

Este comportamento sexual de Strauss-Kahn – que nas redações dos jornais franceses lhe valeu a alcunha Chaud Lapin (jargão para alguém que gosta muito de sexo) – levantou dúvidas sobre sua possível candidatura à Presidência da República Francesa e questões sobre a sua reputação de mulherengo, mas, na tradição da mídia, na França, foi relegada a um segundo plano diante da proteção à privacidade do indivíduo. Há um mês apenas, porém, segundo o diário de esquerda Libération, Strauss-Khan abordou ele próprio perante os jornalistas esta questão, identificada como um “calcanhar de Aquiles” nas suas pretensões a uma candidatura presidencial em 2012:

– Sim gosto das mulheres… e daí? – disse DSK ao Libé.

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