sexta-feira, 16 de Setembro de 2011

TIMOR-LESTE NÃO FALA PORTUGUÊS




JOÃO SEVERINO – PAU PARA TODA A OBRA

Assistimos em algumas tertúlias linguísticas à discussão sobre a existência da língua portuguesa em Timor-Leste. Ainda há dias estive a conversar com um professor catedrático português que pertence aos quadros da UNESCO e que me disse ser "a história de pouco texto". Ou seja, para o académico não há muito a discutir se "atendermos que em Timor-Leste apenas quatro por cento da população domina a nossa língua", salienta e acrescentando que não é verdadeiro o número que apontam de 25% de população timorense a dominar o português.

Neste sentido, há que entender uma coisa. Os governos portugueses fizeram muito pouco para que o incremento maciço da língua portuguesa fosse uma realidade plausível após a independência de 2002. Nesta data, o bahassa dominava o território e a população tinha "ingerido" à força a língua oficial indonésia durante a ocupação. O tétum é um entre 32 dialectos existentes em Timor-Leste e apesar de alguns quadrantes intelectuais timorenses terem lutado pela generalização do tétum, nada mais conseguiram do que uma significativa inserção na capital de Díli. No interior vai-se falando tétum mas em casa é usado o dialecto de cada região.

Obviamente, que temos de chegar ao ponto importante e esse somente diz respeito com a mega e contínua tentativa por parte da Austrália de introduzir e oficializar o inglês no território timorense. Uma longa história que tem enchido páginas de livros e jornais. A luta foi e é apenas uma: acabar com o português para introduzir o inglês. O resto são cantigas de "sonhadores" de contos de fadas ou de aprendizes de feiticeiro. Quando a realidade é nua e crua não há argumento que valha. O que não se fez no passado já é tarde para se realizar no futuro...

PNUD lança campanha de educação cívica que quer acabar com fenómeno 'banho' nas eleições




MYB - LUSA

São Tomé 15 set (Lusa) - A campanha para a educação cívica de apoio aos círculos eleitorais, que visa, entre outras coisa, acabar com o fenómeno do 'banho' nos atos eleitorais, foi lançada esta semana na cidade de Santo António, na ilha do Príncipe.

Trata-se de um projeto financiado em 150 mil dólares norte americanos pela cooperação espanhola, e surge no âmbito da iniciativa que visa acabar com o fenómeno 'banho' (que consiste em dar dinheiro aos eleitores para que estes votem num determinado partido) nos processos eleitorais.

O projeto que agora está a ser levado a cabo está a ser gerido pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) e termina em março do próximo ano.

Os organizadores fizeram coincidir o lançamento da campanha com o dia da democracia, que se comemora a 15 de setembro, e escolheram crianças para fazer passar a mensagem, pelas suas capacidades de atrair a atenção.

A campanha para a educação cívica de apoio aos círculos eleitorais, lançada esta quinta-feira, irá decorrer em quatro fases, cabendo às escolas o papel fundamental.

"A educação cívica é fundamental e a educação cívica nas escolas é simplesmente um complemento da educação que os pais transmitem aos seus filhos", disse aos jornalistas Olívia Torres, uma dos representantes da organização do evento.

Por seu lado, a socióloga Jurcelene Sousa refere que "não é por acaso" que se iniciou esta campanha de educação cívica tendo como público-alvo os nossos alunos da escola primária.

"Como se diz na gíria popular, 'é de pequeno que se torce o pepino' e acho que atingir essa faixa etária é garantir melhor cidadania para os nossos jovens, porque dentro de cinco anos eles serão jovens e serão eles a contribuírem para o fortalecimento da nossa democracia", afirmou.

Para o escritor e diplomata Filinto Costa Alegre, "o conceito de cidadania nas escolas é um princípio que se deve incutir na nova geração, na camada juvenil, na camada infantil no sentido da avalização da nossa sociedade, os nossos costumes de respeito aos mais velhos, de respeito pelos símbolos nacionais, e pela valorização da identidade nacional".

*Foto em Lusa

ONU: ANGOLA FOI ROSTO DA OPOSIÇÃO AFRICANA A REPRESENTAÇÃO DA LÍBIA PELO CNT




INFORPRESS - LUSA

Nova Iorque, 16 Set (Inforpress) – Angola foi hoje o rosto da oposição africana nas Nações Unidas à representação da Líbia pelo Conselho Nacional de Transição (CNT), que acabou por ser confirmada pela Assembleia-geral.

Perante a Assembleia Geral e em representação do grupo regional da África Austral (SADC), o embaixador angolano Ismael Martins defendeu que, como o CNT não é um governo interino, as credenciais diplomáticas líbias não podem ser firmadas por um presidente, primeiro ministro ou chefe de diplomacia, conforme as regras do plenário da ONU.

“O CNT controla a Líbia, mas ainda não e um governo interino ou de outro género”, declarou o diplomata angolano.

O grupo regional acabou por colocar à votação uma moção pedindo o adiamento da questão das credenciais líbias.

Esta contou apenas com 22 votos a favor, 107 contra e 12 abstenções.

A União Africana tem marcada para segunda-feira uma reunião em Nova Iorque do seu Conselho de Segurança, em que a representação da Líbia na ONU é um dos assuntos em agenda.

O comité de credenciais da ONU recomendou a aceitação do CNT como legítimo representante da Líbia, na reunião de hoje da Assembleia-geral.

O embaixador angolano frisou que a União Africana “não se opõe ao CNT”, mas UA “tem sido consistente na sua insistência de um governo de unidade abrangente”.

“O marco de um governo de unidade nacional ou interino não foi alcançado. O CNT comprometeu-se no futuro próximo a estabelecer esse governo”, adiantou.

Já depois de derrotada a moção africana, a Assembleia de 193 Estados decidiu, por uma maioria de 114 votos a favor e 17 contra, a entrega do assento líbio na ONU ao CNT, o órgão político dos rebeldes que derrubaram o regime de Muammar Kadhafi.

O BRILHO SUJO DOS DIAMANTES ANGOLANOS - Entrevista com Rafael Marques




DEUTSCHE WELLE

Impunidade, violência, crime e corrupção: assim se declina a exploração de diamantes em Angola. Os abusos nas Lundas são denunciados pelo jornalista angolano Rafael Marques em entrevista à Deutsche Welle

O ativista dos Direitos Humanos, Rafael Marques, continua a ser uma voz atenta e crítica perante a impunidade que se vive na região diamantífera das Lundas, em Angola. Este jornalista angolano, que se tem dedicado à investigação nesta área há já vários anos, não se cala perante os crimes praticados pelas autoridades contra as populações locais.

Inquieta-se com a corrupção em Angola, mas também a situação dos garimpeiros ilegais, que são maltratados e assassinados nas explorações de diamantes, com a cumplicidade de empresas privadas, militares e companhias de segurança

Deutsche Welle: Se olharmos para a história da exploração dos diamantes em Angola é possível fazer uma equiparação a aquilo que é a temática do filme “Diamantes de Sangue”, de Danny Archer?

Rafael Marques: Eu acho que é um filme que de certo modo retrata uma realidade numa perspetiva ocidental, claro está, mas é uma realidade que pode ser vista em Angola.

Neste caso não de atrocidades cometidas por um grupo rebelde, mas pelo próprio Governo. E até em situações em que o Governo contrata também especialistas estrangeiros para aperfeiçoar os seus métodos de tortura e de matança daquelas populações radicadas nas áreas mineiras.

DW: O título do seu livro “Diamantes de Sangue…”, que parece recorrer ao filme, tem a pretensão também de despertar consciências sobre o caso angolano?

RM: É simplesmente o uso de um conceito apadrinhado pelas Nações Unidas, que é o conceito de diamantes de conflito também conhecidos como Diamantes de Sangue. Sabe que as Nações Unidas apoiaram a criação do processo de Kimberley destinado a impedir a entrada no mercado internacional de diamantes provenientes de áreas em conflito ou extraídos para manutenção de conflitos por parte de movimentos rebeldes.

Só que tem havido uma evolução contraditória na definição deste conceito do papel do processo de Kimberley. Por exemplo, o Zimbabué foi sancionado pelo processo de Kimberley pelas Nações Unidas, não pode vender diamantes de Marange por violação dos direitos humanos. Então há aqui um caso específico de um governo que sofre uma sanção.

No caso de Angola é o contrário, quanto mais o Governo comete abusos mais ele recebe apoios para estabelecer parcerias na região no sentido de abafar esta realidade. Isso tem acontecido muito até com organismos doadores internacionais.

A corrupção é a essência do regime

DW: Pelo conhecimento que tem da realidade angolana, a corrupção segue um ciclo ininterrupto ou as denúncias que tem feito tem permitido travar uma eventual tendência de crescimento?

RM: Penso que nesta fase já não é possível travar a corrupção porque ela é hoje a essência do próprio regime. E quanto mais se sentir ameaçado mais usará a corrupção para tentar manter-se no poder.

Quer dizer, a corrupção é, por um lado, o mecanismo principal de aliciamento de setores da sociedade para legitimar o poder e, por outro lado, também é o principal pomo de discórdia na sociedade angolana. Pomo que eventualmente até levará a um fim triste este mesmo regime na sua configuração atual de usurpador dos recursos do Estado para enriquecimento ilícito de uma mão cheia de dirigentes e suas famílias.

DW: Olhando concretamente para a situação nas Lundas, a região continuará a ser o foco central das suas denúncias?

RM: É um dever imperativo de denunciar estes abusos para que aquela população nas Lundas também conheça a paz como no resto de Angola.

Impunidade e silêncio são a norma

DW: Falas nas suas investigações de escravatura, do envolvimento de companhias de segurança, do silêncio das instituições como, por exemplo, do Ministério da Defesa e de empresas com interesses nos diamantes. Mas, também fala do envolvimento de cidadãos angolanos, russos, de instituições portuguesas e britânicas. Qual é a realidade hoje?

RM: Os generais usam o seu poder oficial para estabelecer acordos de parceria com empresas estrangeiras para no sentido de garantir o aumento das suas fortunas de forma ilícita e facilitar que estas empresas operem à margem da lei e com total impunidade. É o que está a acontecer.

DW: As autoridades continuam a manter silêncio em relação ao que se passa nas Lundas?

RM: Absolutamente. Silêncio e cumplicidade do processo de Kimberley das Nações Unidas. Porque a ONU tem responsabilidades acrescidas por ter apadrinhado a definição dos diamantes de conflito – e até porque durante muitos anos as Nações Unidas tiveram um painel sobre os diamantes em Angola para impedir que a UNITA continuasse a usar a extração de diamantes para financiar a guerra.

Mas não há nas convenções internacionais nenhum articulado que permita ou que dê legitimidade a um Governo para maltratar e matar o seu próprio povo. É isso que é preciso discutir, porque não é uma questão de soberania. Ultrapassa a questão da soberania quando há um regime que diariamente exercita o seu poder arbitrário violando a forma mais elementar da dignidade humana e do respeito pela vida.

DW: Diz que o que se passa nas Lundas é reflexo da política executada em Luanda. Continua a sofrer pressão política pelas denúncias que faz?

RM: Eu não me preocupo com as pressões que sofro porque tenho a consciência tranquila. Estou a cumprir com um dever profissional, com um dever cívico. Havendo dúvidas sobre aquilo que escrevo existem os tribunais para dirimir esta questão. E mais: eu não posso aceitar esta ideia de que como cidadão, por falar a verdade, devo ter medo. Porquê? Porque há uma razão muito específica. O silêncio daquela população que não tem voz não a impediu de ser morta, de ser torturada diariamente.

Então, em que circunstância o meu silêncio perante essas atrocidades contribuirá para alguma coisa. Eventualmente até pode contribuir para que eu tenha mais camisas ou mais calças, carros…, mas não é isso que me preocupa na vida. E para isso não preciso vender o sangue angolano para ter dinheiro no bolso.

DW: Então, tem clara consciência que as suas denúncias têm contribuído para alterar este estado de coisas na sociedade angolana?

RM: Como cidadão, como angolano, tenho de exercer a cidadania todos os dias., quaisquer que sejam as circunstâncias. Como profissional sou obrigado a agir de forma ética todos os dias, independentemente das circunstâncias, e é isso que é importante afirmar entre os angolanos.

Há pessoas que me disseram: «você há quatro, cinco anos ou mais que fala das Lundas, mas porquê sempre as Lundas?» E eu pergunto, porquê roubar sempre os diamantes do povo angolano? Porquê maltratar sempre o povo nas Lundas? Desde a época colonial que se vem fazendo isso. Então, os que fazem mal podem fazê-lo todos os dias e aqueles que procuram corrigir a situação só podem fazê-lo de forma pontual?

DW: Para isso a sua formação como antropólogo e jornalista tem contribuído muito para fundamentar as denúncias?

RM: É útil. Eu coloco o meu modesto conhecimento nessas áreas a serviço da sociedade, ao serviço da comunidade da qual faço parte. Eu quero através deste trabalho contribuir também para que a investigação em Angola seja algo constante, quotidiano, nas ações dos jornalistas, dos ativistas e de todos aqueles que procuram participar e melhorar a forma de gestão da República e garantir que Angola tenha um futuro diferente, onde o conhecimento permita a proteção dos mais desfavorecidos.

E às vezes faz-se passar a ideia em Angola que quando um indivíduo tem instrução não deve mais preocupar-se com os pobres ou com aqueles que não têm instrução. Eu penso o contrário, porque o desenvolvimento faz-se quando aqueles que têm um pouco mais de visão e conhecimento dão as suas mãos para ajudar os outros e é assim que em Angola se poderá construir uma sociedade diferente que valorize acima de tudo o ser humano, seja ele quem for.

DW: Os Direitos Humanos e a Liberdade de Expressão estão longe de ser respeitados em Angola?

RM: Estão longe de ser respeitados porque os cidadãos continuam à espera que seja o Governo por iniciativa própria a respeitar tais valores. É um regime que está no poder há 32 anos, não tem cultura de tolerância, não tem cultura de respeito por nada, exceto a arbitrariedade do poder. Quer dizer, não é uma questão de vontade de quem está no Governo, é uma questão inerente a cada angolano, é constitucional. Estes direitos devem ser observados a todo o tempo.

Autor: João Carlos (Lisboa) - Edição: Helena de Gouveia

“ESTE É O PRINCÍPIO DO FIM PARA EDUARDO DOS SANTOS”, diz UNITA





Com base no julgamento dos jovens detidos na semana passada em Luanda, Alcides Sakala, porta-voz do maior partido na oposição de Angola, UNITA, diz que o problema está no sistema e não apenas na figura do Presidente.

Os jovens, que estão a ser julgados esta semana, foram presos quando, na passada quinta-feira (08.09.) se concentraram em frente do Tribunal de Luanda em sinal de solidariedade com outros 21 que estavam sentados no banco dos réus no interior do tribunal – estes por se terem manifestado, no passado dia 3 de setembro, contra as condições de vida no país e contra o Presidente angolano.

Deutsche Welle: Especula-se quanto a um possível afastamento de José Eduardo dos Santos da presidência de Angola. Que peso poderão ter os protestos dos jovens para alimentar tais rumores?

Alcides Sakala: Estas manifestações dos jovens angolanos, jovens universitários, na sua maioria, que tiveram início no princípio deste ano, marcam efetivamente o início de uma nova fase na história de Angola. Primeiro, o sistema atual angolano, o Executivo, o Governo angolano, não conseguiu dar respostas às expectativas dos jovens com o fim da guerra civil. Em vez de dar solução a essas expectativas, agravaram-se os problemas sociais.

DW: Mas foi precisamente por protestarem contra o Presidente e contra a situação em Angola que os jovens detidos na manifestação de 3 de setembro foram condenados a penas de prisão de até 3 meses. Agora, estão a ser julgados outros jovens que se solidarizaram com os primeiros durante o julgamento destes. Espera um resultado diferente do dos primeiros 21 jovens?

AS: Nós não esperamos muito, numa altura em que também temos vindo a reiterar, já nas últimas semanas, a nossa preocupação face às violações sistemáticas do Executivo angolano das próprias leis, que os seus próprios deputados aprovam na Assembleia Nacional. Os sistemas totalitários africanos não terão outras opções senão seguir a lógica da violência para procurar afirmar o seu poder nacional. Mas quanto mais o fizerem, mais cavam o fosso que vai levar ao agudizar desta situação que levará eventualmente a mudanças no nosso país. Portanto, o que dá a entender é que o regime atual angolano está no princípio do fim.

DW: Até que ponto se pode falar de uma dependência da justiça face ao poder político em Angola?

AS: Não há, de facto, separação de poderes no nosso país. E as hesitações refletem-se na forma como está a decorrer este processo judicial aqui em Luanda. Há tanta incongruência, há tanta irregularidade, há tanta insuficiência. Porque, de fcato, os juízes debatem-se mesmo com este problema de estarem dependentes de orientações que vêm do topo. Está mesmo a haver dificuldades em definir matéria jurídica para responsabilizar estes jovens, que agiram afinal no quadro daquilo que a própria Constituição consagra.

DW: Tem-se especulado que o atual Presidente da companhia petrolífera nacional Sonangol, Manuel Vicente, possa vir a substituir Eduardo dos Santos. Os angolanos estariam em boas mãos, se, de facto, isso acontecesse?

AS: Eu penso que, mais do que pessoas, é o próprio sistema que tem de ser alterado. É provável que, com um ator novo, provavelmente mais sensível a questões ligadas à democratização, o país possa ter um outro rumo, mas, na essência, é o sistema que está em causa. Criou-se um sistema autocrático, um sistema que se aburguesou nestes últimos tempos, um sistema que se encontra cada vez mais distante das camadas desfavorecidas da sociedade angolana, portanto temos ainda muito trabalho para fazer.

Autora: Marta Barroso - Edição: António Rocha

“Bentos” da mudança já sopram em Luanda e MPLA reedita estratégia do SINFO de 2008




ORLANDO CASTRO*, jornalista – ALTO HAMA

O MPLA desafiou hoje, em Luanda, os organizadores de protestos a conseguirem mobilizar mais pessoas do que as que o partido irá ter numa manifestação a realizar no dia 24.

Quando o partido que governa Angola desde 11 de Novembro de 1975, que tem como seu líder carismático e presidente da República alguém que está no poder há 32 anos, sem ter sido eleito, sente necessidade de fazer um repto deste tipo é porque, contra todos os ventos e marés da ditadura, as sementes da revolta estão a multiplicar-se.

Num encontro convocado pelo Comité Provincial de Luanda do MPLA, com membros de várias direcções do partido, para análise da situação política em Angola, o primeiro secretário do comité de Luanda, Bento Bento, considerou que a situação "inspira cuidados especiais", por ser "delicada".

Este Bento Bento faz-me lembrar um outro Bento… Bembe que, o ano passado, atento ao seu papel de súbdito de sua majestade o rei Eduardo dos Santos, afirmava que "não se pode exigir que Angola respeite na sua totalidade todos os direitos humanos, uma vez que neste país se registou um conflito armado que durou mais de três décadas, e em oito anos é impossível mudar a mentalidade de um povo".

Bento Bento acusou a UNITA, o maior partido da oposição em Angola, de ser o líder, em aliança com alguns partidos da oposição, nomeadamente o Bloco Democrático e alguns Partidos da Oposição Civil (POC's),  de um plano para "derrubar o MPLA e o seu líder, José Eduardo dos Santos".

"Têm como executivos mais dinâmicos nesta luta o secretário-geral da UNITA, Camalata Numa, o presidente da JURA, Mfuka Muzemba, o Presidente do Bloco Democrático, Justino Pinto de Andrade, David Mendes, que têm outros executores, mas esses são os principais mentores", afirmou Bento Bento.

“Quando um político entra em conflito com o seu próprio povo, perde a sua credibilidade no seu agir, torna-se um eterno ditador”, afirmou (recordam-se?) o bispo emérito de Cabinda, Paulino Madeca, falecido em 2008, numa carta dirigida a António Bento Bembe, mas que serve às mil maravilhas para este outro Bento Bento.

Segundo Bento Bento, o plano tem em vista unicamente "sabotar a realização das próximas eleições em Angola". "Infelizmente entre os executores dessa conjura consta um deputado, que de manhã à noite instiga a sublevação contra as instituições, contra as autoridades e contra o MPLA, o senhor Makuta Nkondo", acusou ainda o político.

Nesse sentido, Bento Bento pediu aos militantes do seu partido para que controlem "milimetricamente" todas as acções da oposição, em especial da UNITA, para não serem "surpreendidos".

De acordo com o primeiro secretário de Luanda do MPLA, a oposição liderada pela UNITA decidiu enveredar por "manifestações violentas e hostis, provocando vítimas, inventando vítimas, incentivando a desobediência civil, greves e tumultos, provocando esquadras e agentes e patrulhas da polícia com pedras, garrafas e paus".

Que bandidos são estes tipos da oposição. E então quando Bento Bento descobrir que Alcides Sakala, Lukamba Gato, Isaías Samakuva e Abílio Camalata Numa têm em casa um arsenal de Kalashnikov, mísseis Stinguer e Avenger, órgãos Staline, katyushas, tanques Merkava e muito mais…

"Em reacção da nossa polícia pretenderão a arma dos Direitos Humanos para em carreira legitimar uma intervenção estrangeira em Angola, tipo Líbia", denunciou, Bento Bento, considerando que o mais grave é que a direcção do MPLA "tem dados da inteligência (informações) nas suas mãos que apontam que a UNITA está prestes a levar a cabo um plano B".

Este plano prevê, segundo os etílicos delírios de Bento Bento,  "uma insurreição a nível nacional, tipo Líbia, Egipto e Tunísia", sendo as províncias de Luanda, Huambo, Huíla, Benguela e Uíge as visadas.

Sempre que no horizonte se vislumbra, mesmo que seja uma hipótese remota, a possibilidade de alguma mudança,  o regime dá logo sinais preocupantes quanto ao medo de perder as eleições e de ver a UNITA a governar o país.

Para além do domínio quase total dos meios mediáticos, tanto nacionais como estrangeiros, o MPLA aposta forte numa estratégia que tem dado bons resultados. Isto é, no clima de terror e de intimidação.

No início de 2008, notícias de Angola diziam que, no Moxico, “indivíduos alegadamente nativos criaram um corpo militar que diz lutar pela independência”.

Disparate? Não, de modo algum. Aliás, um dia destes vamos ver por aí Kundi Paihama, como agora fez Bento Bento, afirmar que todos aqueles que têm, tiveram, ou pensam ter qualquer tipo de armas são terroristas da UNITA.

E, na ausência de melhor motivo para aniquilar os adversários que, segundo o regime, são isso sim inimigos, o MPLA poderá sempre jogar a cartada, tão do agrado das potências internacionais que incendeiam muitos países africanos, de que há o perigo de terrorismo, de guerra civil.

Se no passado, pelo sim e pelo não, falaram de gente armada no Moxico, agora deverão juntar o Bié ou o Huambo.

Kundi Paihama, um dos maiores especialistas de Eduardo dos Santos nesta matéria, não tardará a redescobrir mais uns tantos exércitos espalhados pelas terras onde a UNITA tem mais influência política, para além de já ter dito que quem falar contra o MPLA vai para a cadeia, certamente comer farelo.

Tal como mandam os manuais, o MPLA começa a subir o dramatismo para, paralelamente às enxurradas de propaganda, prevenir os angolanos de que ou ganha ou será o fim do mundo.

Além disso, nos areópagos internacionais vai deixando a mensagem de que ainda existem por todo o país bandos armados que precisam de ser neutralizados.

Aliás, como também dizem os manuais marxistas, se for preciso o MPLA até sabe como armar uns tantos dos seus “paihamas” para criar a confusão mais útil. E, como também todos sabemos, em caso de dúvida a UNITA será culpada até prova em contrário.

Numa entrevista à LAC - Luanda Antena Comercial, no dia 12 de Fevereiro de 2008, o então ministro da Defesa, Kundi Paihama, levantou a suspeita de que a UNITA mantinha armas escondidas e que alguns dos seus dirigentes tinham o objectivo de voltar à guerra.

Kundi Paihama, ao seu melhor estilo, esclareceu, contudo, que os antigos militares do MPLA, "se têm armas", não é para "fazer mal a ninguém" mas sim "para ir à caça". Ora aí está. Tudo bons rapazes.

Quanto aos antigos militares da UNITA, Kundi Paihama disse que a conversa era outra e lembrou que mais cedo ou mais tarde vai ser preciso falar sobre este assunto.

Na entrevista à LAC, Kundi Paihama disse textualmente: "Ainda hoje se está a descobrir esconderijos de armas".

O regime reedita agora, obviamente numa versão acrescentada e melhorada, as linhas estratégicas de um documento datado de 20 de Março de 2008, então elaborado pelos Serviços Internos de Informação, SINFO.

Na cruzada actual, como nas anteriores, estão os turcos do regime: Kundi Pahiama, Dino Matross, Bento Bento e Kwata Kanawa, com os meios de comunicação do Estado.

“A situação interna não transparece em bons augúrios para o MPLA, devido a várias manobras propagandísticas por parte dos partidos da oposição e de cidadãos independentes apostados em incriminar o Partido no Poder para fazer vingar as suas posições mercenárias junto da população civil e das chancelarias e comunidade internacional”, lia-se na versão de 2008 do documento do SINFO que, como reedita hoje, propunha o seguinte plano operacional:

1- Iniciar de imediato uma onda propagandística sobre a UNITA e os seus dirigentes nos órgãos de comunicação social, relacionados com a descoberta de novos paióis de armamento nas províncias e denegrir a imagem de dirigentes como Abel Chivukuvuku, Carlos Morgado, Alcides Sakala e Isaías Samakuva, com notícias com carácter escandaloso como contas bancárias no exterior, contactos com serviços secretos estrangeiros e também de espancamento de mulheres e crianças junto do núcleo familiar destes mercenários oposicionistas.

2- Avançar com processos criminais sob denúncia de elementos da população que podem compreender acusações de violações de menores, tráfico de influências em negócios ilegais e transacção ilegal de diamantes e indivíduos como William Tonet, Filomeno Vieira Lopes Rafael Marques, Alberto Neto e Carlos Leitão.

3- Aumentar a vigilância pessoal sobre os dirigentes da cúpula da UNITA e as escutas telefónicas em curso desde o nosso Departamento de Comunicações e reactivar as células-mortas de informadores no interior do Galo Negro sendo para isso necessário um plafond financeiro urgente.

4- Expulsar do território nacional, pelo menos seis ONG já identificadas em relatórios anteriores por operância de contactos em Luanda e nas capitais provinciais com elementos conotados com a cúpula da UNITA.

5- Reactivar as Brigadas Populares de Vigilância nos bairros de Luanda e nas capitais provinciais em acto paralelo com a distribuição de armamento ligeiro aos seus efectivos para defesa da população civil.”

Afinal, na História recente (desde 1975) do regime angolano, nada se perde e tudo se transforma para que os mesmos continuem a ser donos do poder e, é claro, de Angola.

*Orlando Castro, jornalista angolano-português - O poder das ideias acima das ideias de poder, porque não se é Jornalista (digo eu) seis ou sete horas por dia a uns tantos euros por mês, mas sim 24 horas por dia, mesmo estando (des)empregado

Angola: Raul Tati diz que repressão do governo angolano não vai travar manifestações




VOA News

Padre Raul Tati quebra o silêncio para dizer que as práticas do regime estão em desacordo com a constituição

O antigo vigário-geral da Diocese de Cabinda, padre Raúl Tati disse que mesmo com a vaga de detenções e condenações o regime angolano não vai conseguir travar os protestos em todo o país.

Entrevistado esta quinta-feira pelo correspondente da Voz da América em Cabinda, o Padre Tati afirmou que entre o que está na constituição e a prática que o regime está a forjar, há um divórcio absoluto. Para o prelado, a lei está muito mais avançada em relação a mentalidade do regime.

O ex-vigário-geral de Cabinda que rompe o silencio para comentar os ultimos acontecimentos políticos em Angola, e particularmente em Luanda onde dezenas de jovens estão a ser julgados e condenados por protestarem contra o governo, acusou as autoridades de recorrer a intimidação não só na capital angolana como noutras partes de Angola através do recurso aos tribunais como instrumento de poder instituido para reprimir politicamente os opositores.

Padre Tati disse ainda que o se vive em Cabinda não o espanta, e o regime parece mais trémulo com as ultimas manifestações e contestações da sociedade civil em Luanda.

*Ouça a entrevista do Padre Tati na banda sonora do original

Angola: OFENSIVA DO MPLA FACE À ONDA DE MANIFESTAÇÕES


Rui Falcão, porta-voz do MPLA - Foto: Armando Chicoca / VOA



O MPLA lançou uma ofensiva no sentido de culpabilizar a oposição, nomeadamente a UNITA, pela onda de manifestações em Luanda. Neste contexto, o partido no poder marcou um encontro alargado para dar a conhecer aos seus militantes a situação política na capital angolana, ao mesmo tempo que o governo provincial anunciou que doravante as manifestações só poderão realizar-se nos arredores de Luanda em locais pré-determinados.

O MPLA lançou uma ofensiva no sentido de culpabilizar a oposição, nomeadamente a UNITA, pela onda de manifestações em Luanda. Neste contexto, o partido no poder marcou um encontro alargado para dar a conhecer aos seus militantes a situação política na capital angolana, ao mesmo tempo que o governo provincial anunciou que doravante as manifestações só poderão realizar-se nos arredores de Luanda em locais pré-determinados.

Contudo, o porta-voz do MPLA, Rui Falcão, afirmou que o partido governamental não vê impedimento na realização de manifestações desde que elas cumpram os requisitos exigidos por lei.

Entretanto, o Comando Geral da Polícia Nacional angolana tornou público que continuará a cumprir o seu papel de órgão de manutenção da ordem e tranquilidade públicas nacionais, fazendo-se presente nas manifestações que eventualmente venham a ocorrer, com o intuito de proteger os manifestantes de terceiros ou o inverso, para que as manifestações ocorram na normalidade, salvaguardando o Direito à manifestação, constitucionalmente consagrado ao abrigo do artigo 47º da Constituição da República de Angola.

Assim, em caso de desobediência ou violação dos preceitos legalmente instituídos, a Polícia Nacional angolana adverte que estará pronta para agir em prol da garantia da ordem e da tranquilidade públicas.

PR da Guiné-Bissau demarca-se da possibilidade admitida pelo Governo de acolher Kadhafi




LUSA

Bissau, 16 set (Lusa) -- A presidência da Guiné-Bissau demarcou-se hoje, em comunicado, da possibilidade admitida pelo Governo guineense de acolher o ex-líder líbio, Muammar Kadhafi, no país caso este o solicitasse.

No comunicado, a que a agência Lusa teve acesso, a Presidência afirma que o chefe de Estado guineense, Malam Bacai Sanhá "não acompanha" o posicionamento do Governo assumido pelo primeiro-ministro, Carlos Gomes Júnior que já admitiu publicamente acolher o ex-líder Líbio na Guiné-Bissau.

"Após ponderada análise da situação política prevalecente na Líbia, bem como das recentes declarações do primeiro-ministro, nas quais manifesta a disponibilidade do Governo para acolher, em território nacional o coronel Muammar Khadafi (...), a Presidência, preocupada com a interpretação que tem sido dada a tais declarações em diversos setores da comunidade internacional, reputa importante esclarecer que a Presidência não acompanha as mencionadas declarações", lê-se no comunicado.

RAPIDINHAS DO MARTINHO – 44




MARTINHO JÚNIOR

CINCO HERÓIS UNIVERSAIS

Os 5 cubanos há 13 anos detidos em prisões dos Estados Unidos, são heróis universais e não só de Cuba (Antiterroristas cubanos cumprem 13 anos presos nos Estados Unidos)!

Efectivamente, para além do seu papel na luta contra os grupos terroristas que têm vindo a fustigar Cuba a partir de expedientes nos Estados Unidos e na América Latina, o facto do império os manter na prisão, nas condições que eles são obrigados a enfrentar, amplia o seu protagonismo e torna-os heróis universais: a injustiça que pesa sobre eles ao assumirem a coragem operativa que tiveram em nome da paz e contra o terrorismo, é a prova mais provada que os Estados Unidos tornaram-se também um estado terrorista o que corrobora o que o império tem praticado um pouco por todo o lado, conforme o inventário de William Blum, conforme todo o tipo e panóplia de ingerências que estão em curso particularmente desde os tempos remotos da IIª Guerra Mundial!

O padre Miguel d’Escoto, que foi Presidente da Assembleia Geral da ONU, teve pronunciamentos recentes nesse sentido (Caso de los cinco es paradigma de hipocresía antiterrorista de EEUU).

A saga dos cinco vem na sequência das decisões de Cuba infiltrar redes terroristas que realizaram múltiplas acções em várias partes do mundo, Estados Unidos incluídos.

O Página Global publicou sobre esse tema o artigo Os últimos soldados da guerra fria, em relação ao qual tive a oportunidade de fazer o seguinte comentário:

CUBA É UM LABORATÓRIO DE INTELIGÊNCIA PARA OS ESTADOS UNIDOS.

1 ) É em Cuba que hoje se estão a estudar os métodos de, recorrendo a meios como a Internet, abrir janelas humanas para dentro da sociedade, a fim de as expandir, por via de grupos manipulados e de forma a insuflar os vírus da subversão.

2 ) Os cubanos estão a dar conta da agressão de novo tipo, que leva à profunda atenção sobre os focos que vão sendo criados dentro do corpo social da ilha e é por isso que é tão importante não só o isolamento desses grupos, como o combate que está a ser feito, infiltrando-os.

3 ) O que não "conseguiu pegar" em Cuba, está a ser utilizado noutras latitudes, integrando os "projectos" desta natureza nas "revoluções coloridas", que se estão a espalhar com êxito no Médio Oriente e no Nordeste Africano.

4 ) África deve recorrer a Cuba para se aperceber esse tipo de fenómenos que são especialmente dirigidos para as suas próprias elites!

Cuba não se cansa de evidenciar o paradoxo: como esses homens corajosos, que lutaram em território norte americano contra redes terroristas que fustigam Cuba, podem permanecer 13 anos encarcerados?

Ainda agora em Genebra, Cuba levantou a questão (Cuba reitera em Genebra enérgica condenação ao terrorismo):

“Cuba reiteró hoy su enérgica condena al terrorismo en todas sus formas y rindió tributo a sus víctimas, incluidos miles de sus conciudadanos asesinados o mutilados por estos actos.

El embajador cubano en Ginebra, Rodolfo Reyes, al intervenir en el debate general con la Alta Comisionada de Naciones Unidas para los Derechos Humanos, Navy Pillay, aprovechó la ocasión para exigir la liberación de los Cinco.

Como isso tem sido possível durante tanto tempo?

Afinal que definição de “terrorismo” existe para quem controla as sucessivas administrações norte americanas?

São ainda os próprios cubanos a colocar o dedo na ferida em Cuba Debate:

“Emigrados cubanos como mercenarios fueron captados, entrenados, armados y dirigidos para serutilizados en la ejecución de cientos de actos de terror en Cuba, contra sus intereses, personal y de otros países en el mundo. Paradójicamente ninguno de estos criminales son considerados terroristas, ni sus organizaciones están incluidas en las numerosas listas que cada año confecciona Estados Unidos para certificar quién es terrorista y quién no.

Sin embargo Cuba, que ha sufrido el terrorismo durante más de cinco décadas, hace treinta años que aparece en una de esas listas como supuesto país patrocinador del terrorismo según la versión norteamericana.

Más incomprensible resulta conocer que Estados Unidos después de Cuba ha sido el país más afectado por el propio terrorismo ejecutado por los mercenarios de origen cubano refugiados en su territorio, protegidos, amparados y tolerados. Más de 330 actos de terror han ejecutado estos terroristas dentro del territorio norteamericano, diez de sus ciudades han conocido la violencia de los anticubanos. En New York donde el 11 de septiembre próximo se conmemorará la trágica fecha, los criminales anticubanos han realizado 81 hechos de ese tipo.

El 11 de septiembre de 1976, Omega-7 colocó una bomba que estalló contra el barco soviético Iván Shepotkov en New Jersey. La misma organización en igual fecha pero de 1980, preparó un comando de Omega-7, que asesinó al diplomático cubano Félix García Rodríguez, hecho todavía impune. Esta formación terrorista se había creado el 11 de septiembre de 1974 inspirada y en honor al primer aniversario del golpe de estado castrense que llevó el fascismo a Chile, después de derrocar y asesinar a su presidente constitucional”.

Até que ponto as manipulações frenéticas do império chegam ao desplante de fazerem prevalecer um argumento tão contraditório?

Neste momento na Líbia, com a integração dos islamistas radicais que compõem o Grupo Líbio de Combatentes Islâmicos, um grupo com ligações históricas aos maiores protagonistas da Al Qaeda, no Conselho Nacional de Transição, os Estados Unidos e os aliados-fantoches da OTAN ombrearam os combatestes de suas forças especiais com a jihad ultra radical! (Abdelhakim Belhaj, le retour d’Al-Qaeda)– Libération – Jean-Pierre Perren!

A mesma “receita” está, ao que muitos estão a apontar, a ser praticada na Síria (A Síria e o imperialismo dos EUA) – Sara Flounders – e, se a “corrente” continuar indefinidamente, esse filão expandir-se-á de forma a que muitas das vítimas sejam os vulneráveis e fragilizados estados e povos de África!

Na Líbia, muitos migrantes trabalhadores africanos foram sendo tidos como “mercenários de Kadafi” e sujeitos a todo o tipo de sevícias, tendo alguns, em número que ninguém pode apontar, sido mortos.

Para eles não houve o socorro da “guerra humanitária” do USAFRICOM/OTAN, nem os “bons ofícios” das organizações dos “direitos humanos” (Nigerianos protestaram contra mortes de cidadãos” – Jornal de Angola.

Com o maior desprezo para com o mundo, a “doutrina Obama” é capaz de, em função dos interesses e conveniências do império, conseguir este tipo de requintes que nem Maquiavel poderia alguma vez em sua vida imaginar!

Os cinco heróis que há 13 anos enfrentam as severas prisões nos Estados Unidos, são uma denúncia viva do maquiavelismo do império e do desprezo que os povos de todo o mundo, a começar pelo próprio povo norte americano, merecem por parte dos falcões, Barack Hussein Obama incluído, pelo menos enquanto ele não fizer uso das suas capacidades excepcionais que podem ser usadas na sua soltura incondicional!

Argentina: OPOSIÇÃO DIVIDIDA FAVORECE REELEIÇÃO DE CRISTINA KIRCHNER




ANA CAROLINA DANI - RFI

Tem início no próximo domingo a campanha eleitoral para as presidenciais na Argentina.

A atual presidente Cristina Kirchner  é a favorita nas pesquisas de opinião, com cerca de 40% das intenções de votos no primeiro turno, que será realizado no dia 23 de outubro. 

Para o professor Nielsen de Paula Pires, do Instituto de Ciências Políticas da Universidade de Brasília (UnB), o que possibilidat a reeleição de Cristina Kirchner no poder é a "fragmentação das oposições e dissidências dentro do próprio peronismo". 

FDJ ELEICOES ARGENTINA 160911
(05:11)



NENHUM DOS ATUAIS PROBLEMAS PODE SER RESOLVIDO PELA FORÇA




FIDEL CASTRO – CUBA DEBATE

Discurso proferido pelo Presidente de Cuba, Fidel Castro Ruz, no dia dos trágicos fatos acontecidos nos Estados Unidos, a 11 de Setembro de 2001. Hoje é um dia de tragédia para os Estados Unidos de América. Vocês sabem muito bem que aqui jamais se tem semeado ódio pelo povo norte-americano. Talvez, precisamente por sua cultura e por sua falta de complexos, ao sentir-se totalmente livre, com pátria e sem amo, Cuba seja o país onde se trate com mais respeito aos cidadãos americanos. Nunca predicamos nenhum gênero de ódios nacionais, nem coisas parecidas ao fanatismo, por isso somos tão fortes, porque nossa conduta a baseamos em princípios e em idéias, e tratamos com grande respeito —e eles percebem isso— a cada cidadão norte-americano que visita nosso país.

Além disso, não esquecemos o povo americano que pôs fim à guerra de Vietnã com sua enorme oposição àquela guerra genocida; não esquecemos o povo americano que, em número superior a 80% apoiou o regresso de Elián para nossa pátria (Aplausos); não esquecemos quanto idealismo, perturbado muitas vezes pelo engano, porque —como já dizemos muitas vezes— para conseguir que um americano apoie uma causa injusta, uma guerra injusta, primeiro há que o enganar e o método clássico utilizado na política internacional desse enorme país é o método de enganar primeiro, para depois contar com o apoio da população. Quando acontece ao contrário e seu povo descobre que alguma coisa é injusta por sua tradição de idealismo, opõe-se a aquilo que esteve apoiando, muitas vezes, causas muito injustas, convencidos de que o que estava apoiando era justo.

Por isso nós —que sabemos não o número exato, mas que assistimos cenas impressionantes de sofrimentos e possíveis vítimas— temos sentido dor profunda e tristeza pelo povo norte-americano, fiéis à linha que temos seguido sempre.

Não estamos louvando governos, nem pedindo perdões, nem favores, nem nos nossos peitos se albergam nem sequer um átomo de temor. A história da Revolução tem demonstrado qu± o capaz é de desafiar, qu± o capaz é de lutar, de resistir o que tenha que resistir, o que nos tornou um povo invencível. Esses são nossos princípios, uma Revolução baseada em idéias, na persuasão e não na força. Espero que não exista um louco pelo mundo capaz de dizer que 1 200 000 cidadãos desfilaram por esse “Malecón” o passado 26 de Julho obrigados, pela força.

A nossa reação foi a que disse, e quisemos que nosso povo pudesse assistir as cenas e contemplasse a tragédia. Não hesitamos em expressar publicamente nosso sentimento. Aqui temos uma declaração que foi entregue à imprensa internacional por volta das 15h:00, redigida logo que foram conhecidos os fatos, enquanto nossa televisão estava engajada na divulgação dos acontecimentos. Seria comunicada ao nosso povo no noticiário da noite.

Adianto-me aqui alguns minutos para que conheçam a Declaração Oficial do Governo de Cuba, perante os fatos acontecidos nos Estados Unidos.

“O governo da República de Cuba recebeu com dor e tristeza as notícias sobre os ataques violentos e surpreendentes realizados hoje de manhã contra instalações civis e oficiais nas cidades de Nova Iorque e Washington, que provocaram numerosas vítimas.

“Conhece-se a posição de Cuba contra toda ação terrorista” —nossa história o demostra, isso o conhecem bem todos os que conhecem a história das nossas lutas revolucionárias. “Não é possível esquecer que nosso povo tem sido vítima durante mais de 40 anos da tais ações promovidas desde o próprio território dos Estados Unidos.

“Tanto por razões históricas quanto por princípios éticos, o Governo de nosso país rejeita e condena com toda energia os ataques realizados contra as referidas instalações e exprime suas mais sinceras condolências ao povo americano pelas dolorosas e injustificáveis perdas de vidas humanas que provocaram os referidos ataques.

“Nesta hora amarga para o povo americano, nosso povo solidariza-se com o povo dos Estados Unidos e exprime sua total disposição de cooperar, na medida de suas modestas possibilidades, com as instituições sanitárias e com qualquer outra instituição de caráter médico ou humanitário desse país, no atendimento, cuidado e reabilitação das vítimas ocasionadas pelos fatos acontecidos na manhã de hoje” (Aplausos).

Isto não apenas não o fizemos público, mas o transmitimos por via oficial, à tarde, especialmente quando começaram a aparecer somas impressionantes de possíveis vítimas e conhecemos que os hospitais estavam superlotados de feridos.

Embora não se saiba se são 5 000, 10 000, 15 000. 20 000 as vítimas, sabe-se que só nos aviões que foram colididos contra as torres, ou contra o Pentágono, viajavam centenas de passageiros, e oferecemos o que podíamos se fizesse falta.

Esse é um país que tem um grande desenvolvimento científico, médico, recursos; mas há momentos em que pudesse fazer falta sangue de um grupo específico, plasma — ou qualquer outro produto que nós possamos doar o que faríamosgostosamente—, ou apoio médico, ou de pessoal paramédico, porque sabemos que muitos hospitais têm défice de determinados técnicos e profissionais. Resumindo, o que queríamos era expressar nossa atitude e nossa disposição com respeito a estes trágicos acontecimentos.

Tudo isto tem alguns antecedentes, porque lhes mencionei que tínhamos suportado mais de 40 anos de terrorismo; inclusive, temos publicado que em determinadas ocasiões lhe transmitimos ao governo dos Estados Unidos importantes riscos para a vida de cidadãos norte-americanos. Aqui tenho um exemplo, é uma página e um quarto.

Nos dias posteriores aos ataques terroristas a nossos hotéis pela máfia terrorista sediada na Flórida que apoiada e paga pelos ataques terroristas contra Cuba, da mesma maneira que dezenas de planos de atentado contra mim, as vezes tive a necessidade de viajar ao estrangeiro, o grupo, chefiado pelo monstro Posada Carriles, ao que tínhamos capturado já alguns cúmplices que eram mercenários estrangeiros, ao entrarem ao território nacional com os meios correspondentes, tinha projetado utilizar o procedimento sofisticado das bombas que colocavam nos hotéis ou em lugares visitados por turistas estrangeiros como por exemplo “La Bodeguita del Medio”, e que podiam explodir até 99 horas depois de colocadas para atacar aviões. Podiam viajar, colocar a bomba no avião, estar três dias de festa e voltar para seu país antes que explodisse. Aconteceu o caso de um mercenário salvadorenho que projetou colocar cinco bombas em hotéis e lugares públicos da capital para que explodissem quase simultaneamente, uma detrás da outra. Vejam até onde tinha chegado.

Mais de uma ocasião entramos em contato, por vias confidenciais, com o governo dos Estados Unidos e aqui há um das mensagens diretas ao que presidia o país nesse momento —mensagens por vias confidenciais, não vamos dizer como, através de pessoas de inteira confiança, que tinham amizade conosco e com ele, às que explicávamos com exatidão o que queríamos que comunicassem—; uma vez já foi utilizado uma parte desse material, mas vou colocar textualmente um exemplo:

“Um assunto importante.

“Número um: Mantêm-se planos de atividade terrorista contra Cuba, pagos pela Fundação Nacional Cubano Americana e empregando mercenários de América Central. Já foram feitos duas novas tentativas de fazer explodir bombas em nossos centros turísticos, antes e depois da visita do Papa.

“No primeiro caso os responsáveis conseguiram escapar, voltando por via aérea para América Central, sem conseguir seus propósitos, deixando abandonados os meios técnicos e os explosivos, que foram ocupados.

“Na segunda tentativa foram apreendidos três mercenários, ocupando-se os explosivos e o resto dos meios; são de nacionalidade guatemalteca. Por cada uma das quatro bombas que deviam explodir receberiam 1 500 dólares” —foram dos primeiros capturados, não o que colocou o maior número de bombas.

“Os dois casos foram contratados e fornecidos por agentes da rede criada pela Fundação Nacional Cubano Americana; agora estão planejando e dando passos já para fazer explodir bombas em aviões das linhas aéreas cubanas ou doutro país que viajem a Cuba, trazendo ou levando turistas desde e até países latino-americanos.

“O método é semelhante: colocar o dispositivo de pequeno tamanho num lugar oculto do avião, explosivo potente, detonador controlado por relógio digital que pode ser programado até com 99 horas de antecedência, abandonar o avião normalmente no lugar de destino; a explosão aconteceria em terra ou em pleno vôo posterior. Procedimentos verdadeiramente diabólicos: mecanismos fáceis de armar, componentes quase impossíveis de descobrir, treino mínimo para seu emprego, impunidade quase total, sumamente perigosos para as linhas aéreas, instalações turísticas ou de qualquer outro tipo; instrumentos utilizáveis para crimes e delitos muito graves.

“Se chegam a ser divulgadas e conhecidas tais possibilidades” —nós nos opúnhamos a que fossem divulgadas a tecnologia que usavam— “podem tornar-se epidemia, como aconteceu noutros tempos com os seqüestros de aviões. Outros grupos extremistas de origem cubana, sediados nos Estados Unidos, começam a movimentar-se nessa direção.

“As agências policiais e de inteligência dos Estados Unidos possuem informações fidedignas e suficientes dos principais responsáveis, se realmente o desejam podem fazer abortar em tempo esta nova forma de terrorismo; impossível detê-la se os Estados Unidos não cumpre o elementar dever de combatê-la. Não se pode deixar a responsabilidade de fazê-lo só a Cuba, muito em breve poderia ser vítima de tais atos qualquer país do mundo.”

Isto o informamos, emprestaram-lhe atenção, a tal ponto que fomos consultados sobre a conveniência de enviar um texto do governo norte-americano a companhias aéreas.
Enviaram o texto em que lhes comunicavam às linhas aéreas:

“Recebemos informação sem confirmar sobre uma conspiração para colocar artefatos explosivos ´ bordo de aviões civis que operam em Cuba e países latino-americanos. As pessoas envolvidas no controle planejam deixar um pequeno artefato explosivo ´ bordo…”, isto é, explicam o que lhes tínhamos transmitido.

“Não podemos descontar a possibilidade de que a ameaça possa incluir operações da carga aérea internacional desde os Estados Unidos.

“O governo dos Estados Unidos continua procurando informação adicional para esclarecer, verificar ou refutar esta ameaça.”

Nós lhes colocamos nossa oposi¸ ão para que publicassem esse aviso, porque um dos objetivos que estavam perseguindo os indivíduos era semear o pânico, e lhes colocamos que haviam outros procedimentos, como os que nós empregamos: fazemos plantões em todos os lugares que existia um risco de colocar uma dessas bombas, verificamos e sabíamos quem podiam colocá-las e quem estavam envolvidos nos planos. Estivemos vigiando, que é o que há que fazer, se não querem semear o pânico, criar escândalo ou outorgar-lhes aos autores o objetivo que procuravam afetar a economia do país e semear o terror.

De qualquer maneira publicaram a informação. Muito bom, já nós tínhamos fortalecido muito os mecanismos para a captura dos indivíduos e desde então não conseguiram colocar mais nenhuma bomba e o plantão mantém-se onde é necessário. Quando foram fazer o atentado lá em Panamá, nós sabíamos mais do que estavam planejando do que eles próprios sabiam. Isso está muito claro.

Aí está a máfia de Miami fazendo esforços por colocar em liberdade os terroristas surpresos in fraganti e apreendidos em Panamá. Já têm planos como o fazer, qual é o país por onde vão ser evacuados e como, fingindo estar doentes e movimentando-se; recebem visitas de Miami de maneira livre, e até inclusive, participaram no envio de uma infiltração armada a Cuba há uns meses por Santa Clara.

Graças a muitos amigos que temos por todas as partes e a homens como os que estão aí (refere-se aos patriotas cubanos presos em Miami por procurar informação sobre planos terroristas contra Cuba), o país se defendeu desse terrorismo (Aplausos).

Falo nisto porque há uma realidade, por aí há mais papéis e apontamentos e nós temos enviado às vezes mensagens verbais, e às vezes temos deixado constância escrita, e um dos argumentos que temos utilizado é um argumento incontestável: os Estados Unidos é o país que tem maior número de grupos extremistas organizados e 400 deles estão armados.

Os seqüestros aéreos, método inventado contra Cuba, tornaram-se uma praga universal, e foi Cuba que afinal resolveu esse problema quando, depois de ser advertido reiteradamente, devolvemos aos Estados Unidos a dois dos seqüestradores, é doloroso, eram cidadãos cubanos, mas o advertimos, vieram e os enviamos, cumprimos com a palavra pública; mas nunca, nem sequer depois nos deram notícias para seus familiares. Têm seu modo de agir. Ninguém sabe. Sei que foram condenados a 40 anos, e aquilo foi o que pôs fim ao seqüestro de aviões.

Mas ouçam bem, lá têm 800 grupos extremistas. Às vezes se têm fechado num lugar por alguma razão, têm-se dado fogo, têm morto todos; grupos que por uma razão, muitos deles por razões políticas, às vezes por razões religiosas, mas grupos violentos, tendentes ao emprego da força ou a preparar venenos, produtos para agir contra as próprias autoridades norte-americanas. Não estou falando da máfia, estou falando de centenas de grupos de extremistas organizados e que agem dentro dos Estados Unidos. Há pouco explodiram aquele edifício de Oklahoma.

O país mais vulnerável ao terrorismo é os Estados Unidos, aquele que tem mais aviões, mais dependência de recursos técnicos, vias elétricas, gasodutos, etc. etc. E muitos desses componentes desses grupos são fascistas, não lhes importa matar; mentalmente devem estar muito mais perto da loucura que de uma inteligência equilibrada. Nós lhes dizemos às autoridades norte-americanas: há que evitar que tais métodos sejam divulgados —esse argumento o usamos—, são fáceis de utilizar, é um perigo para vocês.

Neste mesmo momento, quando cheguei aqui, não havia nenhum elemento de juízo para afirmar quem conseguiu colocar essas bombas, porque pode ter sido uma ação pensada e executada por algum destes grupos, que já o fizeram em Oklahoma, ou podem ser grupos do estrangeiro; mas é evidente, pelos pormenores que chegaram, que isto foi organizado com bastante eficácia, poderíamos dizer, bastante organização e sincronização, próprio de pessoas que conhecem, que têm preparação, que possuíam pilotos capazes de pilotar os Boeing, de grande tamanho, que coordenaram as horas exatas em que os que iam agir, seqüestraram, sem dúvida, o avião da rota aérea onde viajavam, e tinham os pilotos que podiam conduzir esses aviões diretos a uma torre ou outros objetivos, e uns minutos depois de uma a outra, e quase ao mesmo tempo, outro dirigido contra o Pentágono.

Isto é, é pessoal com nível de preparação técnica, organização, e não têm necessariamente que ser grupos grandes; ninguém sabe o prejuízo que pode fazer os grupos pequenos, de 20, 25 ou 30 pessoas fanatizadas, ou comprometidas com determinadas idéias, e o lugar onde mais prejuízo podem fazer é nos Estados Unidos. Vê-se o estudo da hora em que podia ter mais pessoas nos escritórios, por volta das 9h:00, o prejuízo que podiam ocasionar, as milhares de vítimas que podiam causar.

Na realidade, neste momento terão que procurar pistas, alguma pista, porque este fato tem caraterísticas especiais. É por isso que o dever mais importante que, ao meu ver, têm os dirigentes dos Estados Unidos é lutar contra o terrorismo, e em parte estas tragédias são conseqüência de ter aplicado os métodos terroristas, no caso de Cuba durante um monte de anos, e no caso doutros países; pois tem difundido a idéia do terrorismo, e hoje, não poder no mundo, por grande que seja, que possa evitar fatos dessa natureza, porque são levados a cabo por pessoas fanáticas, pessoas indiferentes totalmente à morte. Portanto, a luta contra tais métodos é difícil.

Disto podemos tirar uma idéia: nenhum dos atuais problemas do mundo podem ser resolvidos pela força, não há poder global, nem poder tecnológico, nem poder militar que possa garantir a imunidade total contra tais fatos, porque podem ser ações de grupos reduzidos, difíceis de descobrir, e o mais complexo, aplicados por pessoas suicidas. De tal maneira que, o esforço geral da comunidade internacional é pôr fim a uma série de conflitos que andam pelo mundo, quando menos nesse terreno; pôr fim ao terrorismo mundial (Aplausos), criar uma consciência mundial contra o terrorismo. Falo-lhes em nome de um país que viveu mais de 40 anos de Revolução e que adquiriu muita experiência, está unido e tem um nível cultural grande; não é um povo de fanáticos, nem semeou o fanatismo, mas idéias, convicções, princípios.

Estaríamos em melhores condições de nos defender, e o demonstramos, quantas vida não se salvaram, perante tanto dinheiro e tantos recursos para semear o terrorismo em nossa pátria! Vivemos 40 anos de experiência, estamos dez vezes mais preparados para previr tais atos do que, inclusive, os Estados Unidos.

É muito importante saber qual vai ser a reação do Governo dos Estados Unidos. Possivelmente venham dias perigosos para o mundo, não estou falando de Cuba, Cuba é o país que mais tranqüilo está no mundo, por várias causas: por nossa política, por nossas formas de luta, por nossa doutrina, nossa ética, e para além, companheiras e companheiros, pela ausência total do temor.

Nada os inquieta, nada nos intimida. Seria muito difícil fabricar uma calúnia contra Cuba, não seria acreditada nem por aquele que a inventasse e fizesse a patente, é muito difícil; e Cuba não é hoje qualquer coisa neste mundo (Aplausos), tem uma posição moral muito grande e uma posição política muito sólida. Nem me passa pela cabeça a idéia, embora tenha saído um dos tolos da máfia a ver como intrigava, e acho que mencionou até a Venezuela e Cuba, um dos tantos da máfia, charlatães depreciáveis. Ninguém lhes vai fazer caso; mas haverá situação de tensões, riscos, segundo a maneira em que atue o governo dos Estados Unidos.

Os próximos dias vão ser tensos dentro dos Estados Unidos e fora dele começaram a emitir opiniões não se sabe quantas pessoas.

Sempre que acontece uma tragédia dessas, por difíceis que às vezes resultem de ser evitadas, não vejo outro caminho, e se em alguma ocasião é permitido fazer-lhe alguma sugestão ao adversário –adversário que tem sido duro conosco durante muitos anos, mas que sabe que somos duros, sabe que resistimos, sabe que não somos tolos, e pode até existir um bocadinho de respeito para com nosso país-, há muitos problemas em muitas partes, mas se fosse correto nalguma circunstância sugerir alguma coisa ao adversário, em prol do bem-estar do povo norte-americano e na base dos argumentos que eu coloquei, lhes sugeriríamos àqueles que dirigem o poderoso império que sejam serenos, que tentem agir com equanimidade, que não se deixem arrastar por impulsos de ira ou de ódio, nem se lancem a caçar pessoas lançando bombas pro todo o lado.

Reitero que nenhum dos problemas do mundo, nem o do terrorismo, podem ser resolvidos pela força, e cada ação de força, cada ação disparatada do uso da força, em qualquer parte, agravaria seriamente os problemas do mundo.

O caminho não é a força, nem a guerra. Digo-o aqui com toda a autoridade de ter falado sempre com honradez, possuir convicções sólidas e a experiência de ter vivido os anos de luta que Cuba tem vivido. Só a razão, a política inteligente de procurar a força do consenso e a opinião pública internacional pode arrancar de vez o problema. Julgo que este fato tão insólito deveria servir para criar a luta internacional contra o terrorismo, mas a luta internacional contra o terrorismo não se resolve eliminando um terrorista por aqui e outro lá, usando métodos semelhantes e sacrificando vidas inocentes. Resolve-se pondo termo, entre outras coisas, ao terrorismo de Estado e outras formas repulsivas de matar (Aplausos); pondo termo aos genocídios, seguindo lealmente uma política de paz e de respeito pelas normas morais e legais que são ineludíveis. O mundo não tem salvação se não segue uma linha de paz e de cooperação internacional.

Ninguém imagine que estamos tentando comprar uma tonelada de qualquer coisa no mercado dos Estados Unidos. Nós temos demonstrado que podemos sobreviver, viver e progressar, e tudo o que cá se mostra hoje é uma expressão de um progresso sem paralelo na história (Aplausos). Não se progressa apenas produzindo automóveis, progressa-se desenvolvendo inteligências, administrando conhecimentos, criando cultura, atendendo aos seres humanos como eles devem ser atendidos, que é o segredo da enorme força de nossa Revolução.

Não tem salvação o mundo por outras vias, e estou me referindo neste caso às situações de violência. Procure-se a paz em todas partes para proteger a todos os povos contra essa praga do terrorismo, que é uma das pragas (Aplausos), porque hoje há outra terrível praga que se chama, por exemplo, AIDS; há outra praga terrível que mata a dezenas de milhões de crianças, adolescentes e pessoas no mundo por fome, doenças e por falta de assistência e medicamentos.

 Fidel Castro Ruz, 10 setembro 2011