quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Merkel rejeita em Davos aumento de contribuição a fundo de resgate




Deutsche Welle, com foto

Na abertura do Fórum Econômico Mundial, em Davos, a chanceler federal alemã rechaça críticas e diz que país não faz promessas "que não pode cumprir". Crise da dívida na Europa será um dos principais temas do encontro.

A chanceler federal alemã, Angela Merkel, reforçou sua posição contrária à ampliação do fundo europeu permanente de resgate para tentar ajudar os países afetados pela crise da dívida na zona do euro.

Em discurso na abertura do Fórum Econômico Mundial, em Davos, nesta quarta-feira (25/01), Merkel defendeu que não é preciso dobrar, nem mesmo triplicar, o montante previsto para o Mecanismo Europeu de Estabilização Financeira (MEEF) para ajudar os Estados do bloco europeu mais afetados pela crise.

Merkel ressaltou que muitos acreditam que a Alemanha, por apresentar uma economia especialmente forte, poderia suportar a pressão de um maior repasse de recursos ao fundo.

"Na Alemanha não falamos que não queremos ser solidários. Mas o que não queremos é uma situação em que prometemos alguma coisa e que no final não podemos cumprir", afirmou a chanceler federal. "Se a Alemanha, como representante de todos os países europeus, promete algo, que sob intensos ataques do mercado depois não consegue realizar, então a Europa fica exposta".

Desenganado balanço

Merkel garantiu que dirigirá todos os seus esforços para salvar a moeda única e o bloco. E conclamou a Europa a trabalhar junta para encontrar saídas para os problemas vividos atualmente no continente.

"Tão importante quanto medidas de austeridade são medidas estruturais que levem à criação de mais emprego. É muito importante que a gente tenha fôlego para deixar as reformar fazerem efeito e não termos que voltar no meio do caminho", afirmou Merkel.

A chefe do governo alemão fez ainda um desenganado balanço da regulação dos bancos em todo o mundo desde o eclosão da crise financeira em 2008. Em seu discurso em Davos, ela lamentou o fato de o mundo ter apreendido muito pouco com o abalo econômico à época.

A planejada regulação de investidores e especuladores que agem sem a licença dos bancos, por exemplo, foi empurrada para daqui a dois anos. A introdução em todo o mundo de um imposto de transações financeiras para dividir com os bancos os custos da crise seria um forte sinal de ação política, acresceu.

Críticas de investidores

As declarações de Angela Merkel são uma resposta a afirmações por parte do governo italiano e também do Fundo Monetário Internacional (FMI) para que a maior economia europeia aporte mais recursos a fim de reforçar o MEEF.

A chanceler federal alemã tem sido duramente criticada por investidores, que afirmam que Merkel não tem encarado efetivamente a crise do euro. A jornalistas, ela considerou "infundadas" acusações de que a Alemanha estaria sendo dominadora e dogmática.

"A Alemanha dita uma política, que leva a um espiral de dívidas e com consequências deflacionárias", criticou o lendário investidor norte-americano de origem húngara George Soros.

Dias de debate

A crise da dívida na zona do euro foi um dos principais temas da abertura do 42º Fórum Econômico Mundial, que vai até domingo (29/01). O tema do fórum este ano é: "A grande transformação: elaborando novos modelos".

Durante os cinco dias de debates, 2,6 mil líderes políticos (entre eles, 40 chefes de governo e de Estado), econômicos, estudiosos e representantes da sociedade civil discutirão saídas para a crise da dívida e conjuntural.

Klaus Schwab, criador do fórum, afirma que nestes dias o encontro é uma espécie de "sanatório para o mundo". "O capitalismo, em sua forma atual, não cabe mais no mundo em nossa volta. Falhamos em tirar lições com a crise financeira em 2009. Uma transformação global é urgentemente necessária e é preciso começar a estabelecer novamente um senso global de responsabilidade social", afirmou Schwab.

MSB/rtr/dpa/ap/afp - Revisão: Carlos Albuquerque

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