sábado, 28 de janeiro de 2012

VOCÊ NÃO GOSTA DE SÃO PAULO?




Romeu Prisco* - Direto da Redação

São Paulo (SP) - Nesta véspera dos seus 458 anos de fundação, São Paulo, a cidade, encontra-se em situação de duplo perigo. A mais grave está no lote de pré-candidatos a Prefeito, estimados em 14 (quatorze), incluindo-se José Serra, caso resolva disputar o cargo. Desse lote, 10 (dez) são destituídos da mínima competência para assumir a Prefeitura, o que seria irrelevante se, entre eles, não estivessem 6 (seis) com chances de chegar na reta final, como Netinho de Paula, Paulinho da Força, Soninha, Celso Russomano, Fernando Haddad e Gabriel Chalita, os dois últimos podendo concorrer em chapa, aumentando a intenção de votos.

Na hipótese de um deles ser eleito, ao ver-se diante de uma montanha de dinheiro, representada pela arrecadação municipal, e uma pirâmide de problemas, representada pelas necessidades da cidade, será uma verdadeira catástrofe. A capital paulista exige, no momento, um excelente gestor financeiro, para compatibilizar a montanha de dinheiro com a pirâmide de problemas, no lugar de um alcaide com experiência (?) focada num único segmento, público ou particular, mesmo assim de forma desastrosa, como Haddad no ENEM, ou de forma alheia aos requisitos do cargo, como Netinho com suas cinderelas.

Por isso, a candidatura Henrique Meirelles, cujo nome Kassab trouxe para o PSD, era a opção ideal, diante do seu expressivo currículo. Porém, estranhamente, quem aparece como candidato do PSD, por sinal bom nome, mas, sem cacife eleitoral, é Guilherme Afif Domingos. Acontece que Kassab, mais estranhamente, está propondo a Lula uma dobradinha PT/PSD, com seu partido indicando o vice. Tanto para Afif, como para Meirelles, essa proposta constitui monumental desaforo.

Permanecendo o atual quadro eleitoral, a melhor solução continuará sendo José Serra, embora a sua oportunidade à frente da Prefeitura paulistana devesse ficar só no passado, preservando-se seu nome para futuras disputas presidenciais. Entre os ainda pré-candidatos, consta o nome de Luiz Flavio Borges D`Urso, atual Presidente da OAB/SP, que, se confirmado, poderá ser boa alternativa. Talentoso, profissional bem sucedido, dirige, em segundo mandato, uma entidade de peso, com mais de 250.000 integrantes de curso superior.

A segunda situação de perigo para São Paulo está na desesperada tentativa de fazer fracassar a bem sucedida ação conjunta dos governos municipal e estadual, que acabou com uma doença recorrente da cidade: a Cracolândia. Arautos da inveja, diante do bom resultado obtido nessa ação, não hesitam em apontar defeitos, o principal totalmente inconcebível, ao proclamarem a desnecessidade do uso de força policial.

Ora, onde existe traficante-bandido, impõe-se a presença da polícia. O resto é conversa mole pra boi dormir. É bla-bla-bla de padre envolvido em desvios sexuais, que melhor faria se levasse todos os usuários de "crack" para sua igreja, mantendo-os a salvo da "brutalidade policial", do que ficar aparecendo na mídia para dizer como deve ser encarado o problema.

Ainda que a Cracolândia fosse freqüentada apenas por viciados, indispensável a presença policial. Sabidamente, só o diálogo não seria suficiente para convencer e remover todos os dependentes. Não teria o menor cabimento uns saírem "amigavelmente", permitindo-se que outros, teimosos, permanecessem no local, a título de respeito a supostos direitos humanos. Ademais, opções de tratamento e de albergagem foram colocadas à disposição dos drogados. Quem quiser, delas pode fazer bom proveito. Quem não quiser, que deixe a área livre, para que a população ordeira e os vizinhos da antiga Cracolândia, estes sim, desfrutem dos seus legítimos direitos de cidadania.

Aos mesmos arautos da inveja, a evidência do sucesso daquela operação está na repentina visita do Ministro da Saúde a São Paulo e na sua oferta para colaborar nos custos do tratamento dos "cracolandianos". A certos despeitados, que sempre vão mais longe e aproveitam o embalo para falar cobras e lagartos dos paulistas, quando um assunto de São Paulo alcança projeção nacional, segue um recado.

Você não gosta de São Paulo ? Então, poupe-se de um dissabor e não venha aqui, nem sentindo-se obrigado. Tem parentes em São Paulo ? Então, convença-os a se libertarem do jugo dos "elitistas" e proponha-lhes que voltem às origens. Acha que São Paulo, como um todo, "suga" o resto do Brasil ? Então, preste um serviço à Pátria. Encabeça um movimento para excluir o Estado de São Paulo na distribuição de recursos federais, mas, aprimore o serviço, não esquecendo de também pleitear a exclusão das "esmolas" paulistas na formação daqueles recursos. Depois, veja o resultado: simplesmente assombroso !

Antes de apagar as luzes, outro recado para quem tirou conclusões precipitadas, sem ter pleno conhecimento dos fatos. A mudança da construção de estação de metrô no bairro de Higienópolis deveu-se a veto de parte da rica, seletiva e intocável colônia judaica, com maciça predominância naquela região. A "Associação Defenda Higienópolis" é comandada por um membro dessa colônia.

Se São Paulo errou em ceder àquele "lobby", o fez exatamente como quando cede a "lobby" dos centros das comunidades de migrantes brasileiros, não tão ricos e seletivos, mas, igualmente intocáveis, além de exigentes.

*Paulistano, advogado e ator, dedica-se, atualmente, à arte de escrever artigos, crônicas, contos e poemas, publicados em espaços literários e jornalísticos, impressos e virtuais. Define-se como um sonhador, que ainda acredita nos seus sonhos

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