segunda-feira, 10 de junho de 2013

Portugal: CDS PERGUNTA A GASPAR PORQUE É QUE NUNCA ACERTA NAS PREVISÕES

 

Ana Suspiro e Liliana Valente – Jornal i
 
Deputados do CDS enviaram perguntas ao Ministério das Finanças a questionar como é que são feitas as contas uma vez que "não têm conseguido" acertar nas previsões
 
As divergências entre o ministro das Finanças e o CDS são cada vez mais evidentes. O CDS não está satisfeito com os constantes falhanços nas previsões pelo ministro das Finanças e mostrou o descontentamento numa pergunta oficial enviada ao gabinete de Vítor Gaspar. Um grupo de deputados do CDS, que fazem parte da Comissão de Orçamento e Finanças, querem saber como são elaboradas as previsões e que modelos são utilizados para que o governo não consiga "antecipar correctamente a trajectória das principais variáveis macroeconómicas, ou têm-no feito com um grau de erro maior do que à partida seria de esperar".
 
A pergunta surgiu dias depois de os centristas terem reunido o Conselho Nacional onde defenderam um papel mais activo da economia e de o país ter fechado a sétima avaliação da troika ao mesmo tempo que acertava a nível europeu novo alargamento das metas do défice. As dúvidas dos deputados do CDS, entre eles João Almeida e Cecília Meireles, reflectem também o desagrado no CDS em relação ao ministro das Finanças e aos constantes falhanços nas previsões do impacto da austeridade nos principais indicadores económicos, como a variação do PIB ou o nível da dívida pública.
 
As dúvidas dos deputados centristas resultam ainda de uma desconfiança cada vez maior em relação ao rigor das fórmulas e multiplicadores utilizados pelos economistas, e reproduzidos pelos políticos, para fazer previsões sobre o cenário macroeconómico. No recente relatório sobre a avaliação do primeiro resgate à Grécia, o Fundo Monetário Internacional (FMI) assume que um dos erros da intervenção de 2010 resultou de um multiplicador demasiado baixo que subestimou os impactos das medidas de austeridade na economia. Deveria ter sido pelo menos o dobro. As maiores derrapagens entre previsões e realidade verificaram-se na evolução do PIB, na taxa de desemprego e também no rácio da dívida pública. Estes são também os indicadores que revelam um maior desvio entre a projecção e a realidade em Portugal. As falhas sistemáticas nas previsões têm fragilizado a reputação técnica do ministro das Finanças que ainda no debate sobre o Orçamento Rectificativo de sexta-feira reconheceu erros.
 
Os deputados do CDS querem saber que pressupostos estão por trás das previsões negociadas na sétima avaliação da troika que sustentam a projecção de uma recessão de 2,3% para este ano e, sobretudo, perceber se essas contas já incorporam o efeito recessivo das medidas previstas para a reforma do Estado. Perguntam ainda quais os multiplicadores usados nas projecções iniciais do programa de ajustamento e do Orçamento de Estado de 2012, ano em que as derrapagens foram mais relevantes e se, caso tenha sido feita uma revisão, quais as despesas ou receitas cujo impacto na economia mais foi alterado.
 
O gabinete de Vítor Gaspar responde sem responder materialmente às questões. Sobre os multiplicadores que estão por trás das previsões, o ministério esclarece que estas "têm por base um modelo macro econométrico de previsão das principais variáveis macroeconómicas e de finanças públicas com relações de feedback entre elas". À pergunta sobre os pressupostos técnicos usados nas previsões passadas que falharam, as Finanças clarificam "deste modo, o multiplicador é um resultado e não um parâmetro exógeno que seja usado no momento da elaboração das previsões".
 
E quanto a eventuais revisões de indicadores com mais impacto na economia, fica a explicação: "Adicionalmente importa ter presente que o efeito sobre a actividade económica resultante das medidas de consolidação depende da composição das medidas orçamentais. Nesse sentido, para o mesmo valor de medidas orçamentais é possível ter efeitos diferentes sobre a actividade económica, tudo dependerá da composição dessas medidas".
 

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