quarta-feira, 2 de outubro de 2013

Brasil – EUA: Vergonha em Yale

 


Direto da Redação, em Espaço Livre
 
Muito embora, desta vez, não esteja envolvido no caso como protagonista principal, o Ministro Joaquim Barbosa deve ter vibrado com a prisão da jornalista Cláudia Trevisan, correspondente do jornal Estado de São Paulo. Ela procurou-o por telefone, interessada em entrevistá-lo durante a estada do ministro nos EUA, mas teve o pedido de entrevista negado por JB. Até aí, nada demais. Todos sabem que JB odeia jornalistas e não se poupa de mandá-los chafurdar na lama. Só que esta intrépida jornalista não se deu por vencida. Avisou a assessoria de JB que estaria no hall do prédio da Universidade de Yale, onde ele faria palestra em um seminário e tentaria ainda assim entrevistá-lo. Ela foi até a universidade na data e horário em que o ministro proferiria a palestra. Mas, dentro do campus, logo antes de chegar no prédio onde estava JB, ela foi identificada por policiais que já estavam alertas sobre a tentativa de entrevista (quem adivinhar como os policiais sabiam da ida dela até lá ganha uma miniatura do MacGyver).
 
E o que se segue? “Uma destas situações que seriam vergonhosas, antidemocráticas e, numa visão bem estadunidense, típicas de país que precisa de corretivos, como Iraque, Afeganistão ou Síria (bola-da-vez da mira do império ianque): os policiais identificaram Cláudia e a prenderam, por “invasão de propriedade”. De nada adiantou ela protestar, por encontrar-se numa área da universidade aberta a acesso público. Colocaram-na sob algemas e tudo mais, como se ela fosse uma trombadinha pega em flagrante delito. A profissional da imprensa brasileira foi assim tratada e mantida, sob a truculenta e vexatória detenção policial, durante as 4 horas seguintes. Por pura coincidência, foi o tempo necessário para o ministro completar sua palestra e ir embora.. Este é mais um episódio que entra para o rol das bizarrices obtusas que costumam ocorrer por onde circula a eminência de Joaquim Barbosa.
 
Em nota oficial, vide abaixo, o porta-voz da universidade esgarça-se pelo avesso na tentativa de limpar a lama que respingou deste episódio no currículo da própria Universidade de Yale, tudo em vão. A direção desta importante casa de ensino estadunidense submeteu-a ao vexame de cumprir o papel baixo e ralo de ordenar a detenção desta jornalista, que estava em local público e que exercia regular e legitimamente sua profissão (talvez até com algum denodo, inspirada nos exemplos cults de seus colegas estadunidenses Bob Woodward e Carl Bernstein). Como diriam alguns, esta prisão em Yale seria apenas um acontecimento “peculiar”, bem ao estilo Joaquim Barbosa, não ocorresse no seio de uma notória universidade produtora de cultura e de ciências nas terras de Tio Sam, país que se autoproclama “o paraíso” da democracia e “matriz mundial” da liberdade (especialmente, a liberdade de imprensa).
 
Vivemos todos agora aquele momento “mágico” em que a imprensa conservadora brasileira, aquela que adora adular JB e lançá-lo toda semana para “Presidente da República”, cala-se, fecha-se em copas, sem publicar rigorosamente nada a respeito desta infamante e vergonhosa notícia, porque é de seu interesse que assim seja. Um daqueles silêncios ensurdecedores. Todavia, se alguém do governo cogitar tratar de algum “marco regulatório” para a imprensa, os mesmos jornalões saem a campo, vociferando histericamente e bradando aos sete ventos: “há um golpe totalitário em curso” e “estão querendo atentar contra a liberdade de imprensa no Brasil”. É mole?
 
Contribuição de Rogério Guimarães Oliveira, advogado em Porto Alegre (RS). Email: rgo@via-rs.net
 
* Este espaço é preenchido com a colaboração dos leitores. Os textos serão publicados de acordo com a oportunidade do tema e/ou seguindo a ordem de recebimento.
 

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