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sexta-feira, 22 de julho de 2016

Murargy, SE da CPLP diz que relação familiar com Obiang não interferiu na adesão da Guiné Equatorial



O secretário-executivo da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) garantiu à Lusa que se manteve isento, "como funcionário internacional", na adesão da Guiné Equatorial, há dois anos, apesar da relação familiar com o Presidente equato-guineense, Teodoro Obiang.

A Guiné Equatorial aderiu à CPLP a 23 de julho de 2014, na cimeira de Díli, no final de um processo polémico em que Portugal foi o país que levantou mais objeções. A CPLP definiu um roteiro de adesão, que pressupunha que Malabo cumprisse alguns critérios, entre os quais a abolição da pena de morte, a introdução da língua portuguesa e maior abertura democrática.

Murade Murargy, que há quatro anos foi designado por Moçambique para o cargo de secretário-executivo da CPLP, disse, em entrevista à Lusa, que a sua relação familiar com Teodoro Obiang, que lidera a Guiné Equatorial há 35 anos, não interferiu no processo de adesão.

O diplomata moçambicano afirmou que, quando foi nomeado, já a sua filha namorava com um dos filhos do Presidente equato-guineense, e informou disso o Governo e o então Presidente de Moçambique, Armando Guebuza, antes de iniciar funções na CPLP. A relação mantém-se até hoje e o casal tem um filho.

"Eu disse: para que fique claro, essa relação não tem nada a ver nem vai intervir neste processo da Guiné Equatorial", relatou à Lusa.

A Guiné Equatorial tornou-se observador associado da CPLP em 2006 e desde 2008 que ambicionava integrar a organização como membro de pleno direito, pretensão sucessivamente adiada até 2014.

"Nunca me envolvi ou influenciei quem quer que seja. Mantive a minha isenção de funcionário internacional, apenas seguindo as decisões que eram tomadas pelos órgãos competentes", sublinhou o diplomata.

Murargy acrescentou que, apesar de poder intervir, sempre optou por não falar nos Conselhos de Ministros (dos Negócios Estrangeiros) da organização.

"A minha opinião não conta, os Estados-membros é que decidem", disse, acrescentando: "Não é um relatório pessoal meu que vai ao Conselho de Ministros. Eu relato os factos, sem tirar conclusões".

A entrada da Guiné Equatorial ocorreu após "um minucioso processo", como descreve a CPLP na sua página oficial, e foi recebida com protestos, principalmente em Portugal, do meio político e cultural e também de organizações de defesa dos direitos humanos.

O regime de Teodoro Obiang, no poder desde outubro de 1979, é acusado por várias organizações da sociedade civil de constantes violações dos direitos humanos e perseguição a políticos da oposição.

As autoridades de Malabo dizem que a pena de morte foi suspensa desde a adesão à CPLP, mas falta a ratificação da decisão pelo Presidente.

JH // EL - Lusa

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