sexta-feira, 12 de agosto de 2016

DIRIGENTES DA UE AO SERVIÇO DOS EUA ATUAM CONTRA OS INTERESSES DOS POVOS EUROPEUS



A guerra das sanções: novas baixas na União Europeia

Pyotr Iskenderov

O Ministério do Desenvolvimento Económico russo publicou algumas estatísticas que muitos no ocidente preferem ignorar. Estas revelam que a União Europeia, EUA, Canadá, Noruega e Austrália perderam um mercado anual no valor de US$8,6 mil milhões devido às sanções que aprovaram contra a Rússia. Em tonelagem, as importações russas de alimentos daqueles países diminuíram 98,9% – de 4.331 milhões de toneladas para 46.500. "Poder-se-ia dizer que as vendas perdidas dentro do mercado da Federação Russa foram o equivalente à redução em importações agrícolas daqueles países", enfatizou uma declaração do ministro russo do Desenvolvimento Económico.

Aquele serviço também apresentou uma estimativa aproximada da portagem financeira sobre os países da UE – chegam a 50 mil milhões de euros por ano. Isso é igual aproximadamente a 0,4% do produto interno bruto total da UE.

Trata-se de um número significativo, considerando que em 2015, segundo o Eurostat , o crescimento económico total na UE foi de 2& do PIB, mas apenas de 1,7% nos países da eurozona. Ainda mais reveladores são os números comparativos para a última década, os quais incluem nos seus cálculos não só o período da crise financeira e económica como também os anos "gordos" da UE.

De acordo com dados do Eurostat, a economia de toda a União Europeia cresceu a uma média de 1% ao ano desde 2004. Mas na eurozona esse crescimento foi apenas de 0,8%. A guerra das sanções contra a Rússia está a devorar cerca da metade do crescimento económico anual médio da UE.

Contudo, estes são dados médios de toda a UE. Pode-se obter um quadro ainda mais claro se isto for extrapolado para países individuais, considerando não só suas perdas directas como também as indirectas. Assim, de acordo com analistas da General Invest holding company, só em 2014 – o primeiro ano das sanções – os danos sofridos apenas pelas companhias italianas montaram a aproximadamente 20-22 mil milhões de euros. Isto inclui as perdas incorridas não só pelas companhias que comerciam directamente com a Rússia como também aquelas que mantêm uma presença indirecta no mercado russo através de outros estados membros da União Europeia.

O jornal italiano La Stampa tocou a campainha de alarme : a guerra de sanções com a Rússia transformou-se numa "tempestade perfeita" que provocou destruições no sector manufactureiro italiano. As exportações italianas para a Rússia realmente implodiram no ano passado, afundando 34% – de 10,7 mil milhões de euros em 2013 para 7,1 mil milhões em 2015. La Stampa escreve: "A construção de máquinas, as quais representavam 34% de todas as nossas exportações para a Rússia, perdeu 648 milhões de euros em 2015, ao passo que a indústria de confecções perdeu 539 milhões (uma queda de 31%), a de veículos motorizados 399 (queda de 60%), calçados 369 e mobiliário 230".

Peritos italianos foram, há muito, os primeiros a advertir quanto aos efeitos funestos da guerra de sanções com a Rússia. Nos próximos meses a Itália poderá vir a ser a "bomba" que explodirá a frágil estabilidade financeira (e portanto política) na União Europeia.

Federico Santi, analista do Eurasia Group, uma consultora de risco político, afirma que ao entrarmos no segundo semestre do ano a situação na Itália e as suas consequências para o resto da Europa pode demonstrar-se ser o maior risco macro-político. O sistema bancário italiano está vergado sob o peso maciço de empréstimos incumpridos e das políticas agressivas da Alemanha e do Deutsche Bank, os quais estão a utilizar a crise na eurozona para fortalecer suas próprias posições. Responsáveis do governo na Itália relataram um valor de 200 mil milhões de euros de empréstimos "podres" (cerca de 10% do seu total) e peritos independentes avançam com mais 160 mil milhões de euros (o que é um número sem precedentes para o sistema bancário nacional e só comparável aos números encontrados na Grécia).

Em 2015, o terceiro maior banco da Itália – Monte dei Paschi di Siena – possuía 46,9 mil milhões de euros de empréstimos atrasados. O gabinete de Matteo Renzi já lançou uma polémica feroz contra Berlim e Bruxelas, acusando-os pela incapacidade e falta de vontade de efectivamente tratarem dos problemas financeiros da eurozona e exigindo que aos governos nacionais seja dado o direito de tomar suas próprias medidas para combater a crise, tendo em vista suas situações sócio-económicas particulares, as quais incluiriam recapitalizar dívida.

Mas Nicholas Spiro, consultor junto à Lauressa Advisory, acredita que as apostas na Itália são demasiado altas para que os políticos não adoptem um plano de recapitalização dos bancos italianos. Ao mesmo tempo, Bruxelas e Berlim hesitam em tomar as suas próprias medidas de emergência para resgatar o sistema bancário italiano a expensas dos contribuintes europeus, considerando as eleições que estão para vir na Alemanha e em França.

Os resultados dos testes de stress às instituições bancárias da UE que foram efectuados pelo Banco Central Europeu e divulgados no fim de Julho mostram que o terceto siamês conhecido como Itália, França e Alemanha poderiam dentro em breve deitar abaixo todo o sistema financeiro da União Europeia. Apenas em poucos meses as acções do Deutsche Bank caíram 25%; as do banco francês Societé Générale 23%; e o banco italiano UniCredit quase 30%. E os 47 mil milhões de euros de empréstimos "podres" descobertos no balanço do Banca Monte dei Paschi di Siena representam mais do que 40% da carteira de crédito total do banco.

Problemas financeiros, a par do declínio na manufactura, tornam-se uma mistura verdadeiramente explosiva, não só para a Itália como para toda a União Europeia. Contudo, aparentemente Bruxelas ainda não está centrada nisso e sim na continuação da guerra de sanções contra a Rússia. 

O original encontra-se em www.strategic-culture.org/... 

Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ 

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