quinta-feira, 25 de agosto de 2016

Terremoto age sobre construções precárias e deixa centenas de mortes na Itália




Um terremoto de intensidade e duração normais para a região, mas que deixa já 247 de pessoas mortas e um número indeterminado de desaparecidas devido à péssima qualidade as construções e nula adaptação às condições geológicas.

O forte terremoto que abalou o centro da Itália na madrugada da quarta-feira deixou pelo menos 247 mortes, segundo informou Proteção Civil. A zona destruída, entre Lácio e Umbria, é muito turística, e as autoridades italianas não quiseram fornecer dados oficiais sobre pessoas desaparecidas. Contodo, falam em "dezenas", mas sabe-se que só em Pescara já são mais de 100.

As tarefas de resgate continuam e o número de mortes aumentará com total certeza.

As vilas mais afetadas pelo sismo de 6.2 graus são Amatrice, Norcia e Accumoli. O Presidente do primeiro desses municípios, Sergio Pirozzi, explicou: "Amatrice já não existe (...) abalaram edifícios, isto é um drama autêntico. (...) Ouvem-se vozes entre as ruínas, a situação é dramática." 70% das construções abalaram, e unicamente em Amatrice houve mais de 190 mortes.

As fatais consequências do sismo, contodo, não foram devidas a uma duração ou intensidade excepcionais, segundo as e os especialistas, porquanto o movimento registado entra dentro da normalidade na região central italiana. Em vez disso, temos que ir ao capitalismo e ao lucro como prioridade para encontrar como um terremoto normal para essa região europeia pode causar centenares de mortes. Raúl Madariaga, sismólogo entrevistado hoje pela comunicação social e investigador da área geográfica atingida esta madrugada desde 1979, explicou hoje que lá "costuma haver muitos mortos (...) porque no centro da Itália encontramos edifícios muito velhos e de péssima qualidade. São construções que nunca foram pensadas para resistir terremotos".

Em vez de agir sobre essa realidade através de intervenções urbanísticas sobre os prédios em perigo - apesar das frequentes tragedias, a última em L'Aquila em 2009, com mais de 300 pessoas mortas -, o capital, como é sabido, escolhe quem sobrevive e quem morre através de processos como a gentrificação.

O Primeiro Ministro italiano, Matteo Renzi garantiu ontem "que não deixaremos qualquer família sozinha, e qualquer município à sua sorte". No entanto, a última vez que a zona sofreu um fenómeno parecido, em 2009 em L'Aquila, o estado burguês italiano - com Silvio Berlusconi à cabeça - fez exatamento o contrário.

Diário Liberdade - com informações de Vilaweb e mais

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