quinta-feira, 17 de novembro de 2016

Angola: Despesas com militares e polícias sobem para USD 6 mil milhões



Investimento nos sectores vai continuar a ser superior aos gastos com a Educação e Saúde em 2017, subindo para 8,8 por cento.

A despesa do Estado com militares e polícia vai continuar a ser superior aos gastos com a Educação e Saúde em 2017, subindo para 8,8 por cento, para USD 6 mil milhões, face a este ano.

Os dados constam da proposta do Orçamento Geral do Estado (OGE) para 2017, cuja discussão e votação na generalidade no Assembleia Nacional está agendada para amanhã, sendo que o peso da Defesa e Segurança e Ordem Pública sobe para 20 por cento do total das despesas programadas para o próximo ano (sem contabilizar o serviço da dívida).

O valor inscrito na proposta do OGE de 2017 para militares, polícias, serviços prisionais, tribunais e bombeiros é de Kz 1,012 biliões (USD 6 mil milhões), o que compara com um peso 13,3 por cento do total no Orçamento actualmente em vigor (2016, revisto em Setembro), que reserva para estas despesas Kz 929,7 mil milhões (USD 5,5 mil milhões).

Só directamente na componente da Defesa, Angola prevê gastar em 2017 mais de 10,5 por cento do total da despesa fiscal, o equivalente a Kz 535,1 mil milhões (USD 3,203 mil milhões).

Já os gastos com a Educação em 2017 sobem para Kz 500,6 mil milhões (USD 2,999 mil milhões), num peso que passa de 6,5 por cento do total, este ano, para 9 por cento, em 2017.

A despesa com a Saúde e o funcionamento dos hospitais também cresce, passando a ter um peso total de 6,15 por cento, equivalente a Kz 310 mil milhões (USD 1,860 mil milhões), face aos 4,4 por cento do OGE em vigor.

No total, estes dois sectores, juntos, veem a dotação orçamental crescer para Kz 811,3 mil milhões (USD 4,859 mil milhões), face aos Kz 758,9 mil milhões  (USD 4,553 mil milhões) do Orçamento em vigor.

O último relatório anual da Organização Mundial de Saúde, lançado em Maio, indica que Angola apresentou a segunda mais baixa esperança de vida em 2015, figurando na cauda da tabela da mortalidade infantil mundial.

Segundo o documento, a esperança média de vida à nascença em Angola cifrou-se nos 52,4 anos, apenas à frente da Serra Leoa, com 50,1 anos.

Aquela organização das Nações Unidas concluiu igualmente que por cada 1.000 nados vivos morrem em Angola 156,9 crianças até aos cinco anos, apresentando por isso a mais alta taxa de mortalidade mundial em 2015. Além disso, em cada 100.000 nados vivos em Angola morrem 477 mães, neste caso distante da Serra Leoa, onde para a mesma proporção morrem 1.360 mulheres.

Este deverá ser o último orçamento anual aprovado na actual legislatura, tendo em conta a previsão de realização de eleições gerais em Angola até Agosto do próximo ano.

Lusa, em Rede Angola

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