sexta-feira, 18 de novembro de 2016

QUANDO TRUMP DÁ UM TRAQUE LÁ ESTÃO OS JORNALISTAS E OS “JORNALISTAS”



Bom dia… Já a atirar para a boa tarde. Por acaso em Lisboa não vai ser uma tarde famosa. Nuvens a encobrir o sol. Dias cinzentos, como cinzento está hoje o Expresso Curto, por Ricardo Costa. Não é costume mas… Pois, há dias assim, a condizer com a meteorologia real. Cinzentão era o salazarismo e o seu dono. O “botas” – alcunha de Salazar – lá estendia o braço e a mãozinha amaricada a fazer a saudação nazi. Não acreditam? Há fotografias que registam essas saudações nazis do estafermo. Adiante.

Ricardo Costa cumpre o dito em voga: “quando o Donald Trump dá um traque lá estão os jornalistas de nariz no ar a absorver os odores”. Não são só os jornalistas, já se vê, mas hoje também tocou ao Ricardo deste Curto. Trump e o asiático de olhos rasgados e nipónico que até é PM do Japão, um tal Shinzo Abe, que também não é flor que se deva cheirar. Do Abe ao Trump a trampa prevalece. Os japoneses automatizados, explorados e a sobreviver dentro dos dormitórios das empresas, das fábricas e afins, que o digam. Trump vai nessa. E os explorados e oprimidos que formam o vasto exército dos das grandes desigualdades e carências já vêem o aumento desse exército das penúrias. São os escravos da modernidade. Assim no Japão, nos EUA, na UE… Por todo o mundo, senhores e senhoras.

O Trump isto, o Trump aquilo, o Trump arrotou… Irra, que é demais! Línguas já gastas e cansadas de tanto lamberem-lhe o traseiro. Mas não há forma de as parar. Façam uma pausa, senhores lambideiros.

E depois neste Curto há abordagem à greve da função pública, à audição de Mário Centeno, que é ministro das Finanças deste país à beira-esgoto prantado. Em São Bento também vai haver manifestação, da Função Pública.

Pode ler aqui no Curto que vem a seguir: “Em pleno debate do Orçamento e a poucas semanas de um importante congresso, o líder do PCP dá uma relevante entrevista ao jornal i. Algumas ideias de Jerónimo: “É muito difícil repetir este acordo com o PS”; “Os problemas estruturais precisam de respostas e não vemos audácia nem determinação no governo”; “o BE procura desvalorizar o trabalho do PCP. Achamos isso criticável”. É o autor Ricardo que escreve, sobre uma entrevista do Jerónimo. E segue. Vá ler.

Se conseguir tenha um fim-de-semana de jeito e sem ter de trabalhar, o que cada vez é mais díficil. Os dos centros comerciais, dos supermercados e outros serviços que o digam. E ao fim do mês recebem por paga uma barrigada de fome. Os empresário do comércio e etc., dizem que o salário mínimo nacional de 540 euros só em 2017, e nem mais porque não aguentam pagar mais aos escravos que detêm. Grandes vidas muitos desses empresários têm à custa de tanta exploração mas… coitados não aguentam pagar mais 20 ou 30 euros mensais aos que exploram. Como dizia o outro, do BPI: “Ai aguentam, aguentam!” Se não, que trampa de seres desumanos são vocês? Trump’s?

Pois.

MM / PG

Bom dia, este é o seu Expresso Curto

Ricardo Costa - Expresso

Mr. Abe foi à Trump Tower e saiu de lá satisfeito

Não será a imagem mais habitual no protocolo de Estado, mas fica para a história. Donald Trump recebeu oficialmente esta madrugada o primeiro lider mundial, de visita a Nova Iorque. Coube ao primeiro-ministro japonês Shinzo Abe a distinção, numa reunião inesperada que durou hora e meia e onde Donald Trump se rodeou da filha Ivanka, do genro Jared Jushner e do polémico general Michael Flynn, que não tem qualquer cargo oficial na equipa de transição da Casa Branca, mas que aconselha o novo Presidente há vários meses.

As fotografias do encontro não mentem. Tudo se passou na dourada Trump Tower, entre a reduzida e importante delegação japonesa e uma equipa de Donald Trump, que tinha mais de familiar do que profissional. Mas a verdade é que o encontro se realizou e que o primeiro-ministro japonês conseguiu o que queria, sobretudo depois da tensão que se instalou durante os muitos meses de campanha em que Trump foi pouco simpático com as pretensões japonesas, apesar de considerar Tóquio como um aliado histórico.

Os bastidores do encontro têm pormenores deliciosos, como a dificuldade dos japoneses em perceber quem, de facto, aconselha o Presidente eleito em temas asiáticos e, em simultâneo, o protocolo americano, sobretudo o poderoso Departamento de Estado, a não fazer a mínima ideia de que a reunião ia decorrer. Ou seja, tudo se passou como Trump gosta, num encontro agendado entre dois homens práticos, sem qualquer influência ou controlo das respetivas máquinas diplomáticas.

À saída da Trump Tower, o primeiro-ministro japonês, que tem fama de se dar bem com líderes nacionalistas, não poupou nas declarações públicas: “Na sequência da conversa de hoje, estou convencido que Donald Trump é um líder em quem posso ter grande confiança”. Acrescentou que a reunião decorreu num clima caloroso e que os dois líderes conversaram de coração aberto. Não podia haver descrição mais cândida do encontro surpresa.

Os jornais chineses não devem ter gostado muito do aparente sucesso da reunião, já que exploraram nos últimos dias uma possível humilhação japonesa, que ia fazer tudo para conseguir um encontro com Trump, tal era o medo que Tóquio tinha de uma viragem diplomática de Washingtom, sobretudo se diminuísse a presença militar no Japão, expondo o país a um crescente poderio militar chinês e a uma ameaça permenente da incompreensível Coreia do Norte. Para já, Abe conseguiu ficar para a história como o primeiro líder mundial a encontrar-se com Donald Trump. Só o tempo dirá se tanta informalidade jogará a favor das relações entre os dois países ou se fará ricochete, como era muito habitual nos tempos do candidato Trump. Mas o encontro foi histórico e isso já ninguém muda.

OUTRAS NOTÍCIAS

Hoje há greve na função pública. É natural que vários serviços do Estado possam estar fechados ao longo do dia. Da parte da tarde, a partir das 14h00, há uma manifestação, convocada pela Frente Comum, que começa junto ao Marquês de Pombal e segue até à Assembleia da República, pelo que a zona de Lisboa vai ficar bastante caótica.

Com uma manifestação à porta, o Parlamento vai ouvir Mário Centeno no dia em que termina o prazo para entrega de propostas de alteração ao Orçamento. Depois disso é discutir tudo e tentar chegar a um acordo até à votação final, agendada para o final do mês.

No Jornal de Notícias escreve-se em manchete que a taxa sobre os imóveis registados em offshores vai pagar o aumento das pensões e que as negociações sobre este tema fecham mesmo hoje. No Negócios, a atenção vai para o chamado novo IMI, que, pelos vistos, ainda vai ter que mudar. Lavoisier nunca conheceu as nossas leis fiscais, mas ia poder provar a sua lei num campo pouco óbvio.

Em pleno debate do Orçamento e a poucas semanas de um importante congresso, o líder do PCP dá uma relevante entrevista ao jornal i. Algumas ideias de Jerónimo: “É muito difícil repetir este acordo com o PS”; “Os problemas estruturais precisam de respostas e não vemos audácia nem determinação no governo”; “o BE procura desvalorizar o trabalho do PCP. Achamos isso criticável”.

Já se sabe que esta tensão pública faz parte da solução política que sustenta o governo, mas é inegável que o PCP está a querer mostrar que tem opções de saída e, sobretudo, que isso vai ficar muito claro no Congresso do PCP, marcado para o primeiro fim de semana de dezembro. Convém ficar atento.

Os sete responsáveis do 127.º curso de Comandos – cinco oficiais e dois sargentos – que foram ontem detidos são hoje ouvidos por um juiz de instrução. Cândida Vilar, a procuradora titular do caso das mortes nos Comandos, considera que os militares indiciados quinta-feira pelo Ministério Público trataram “os instruendos como pessoas descartáveis”, lê-se no despacho a que o Expresso teve acesso.

A administração da Caixa reuniu ontem e… nada. Ou seja, tudo na mesma na guerra jurídica que se arrasta aos nossos olhos há algumas semanas, sem se vislumbrar uma saída airosa para as várias partes. Os jornais económicos de hoje puxam o tema para a primeira página. No Negócios diz-se que “o mercado pressiona decisões” e o Jornal Económico garante que Domingues quer ficar mesmo que outros saiam.

Na SIC Notícias, António Lobo Xavier saiu em defesa da administração da Caixa e garantiu que há promessas feitas por escrito por parte do governo, que agora não estão a ser cumpridas.

Ainda na frente económica, as vendas de eletricidade de Portugal e Espanha à vizinha França estão a disparar por causa da crise de fornecimento elétrico naquele país, depois do encerramento de um terço das suas centrais nucleares. O tema faz manchete no Diário de Notícias.

A Volkswagen terá chegado a acordo com os sindicatos para cortar 23 mil postos de trabalho nos próximos cinco anos. Há pelo menos um jornal alemão que afirma que o corte pode atingir 30 mil empregados. A medida brutal surge na sequência de um escândalo ambiental e da quebra nas vendas e terá consequências em várias fábricas, sendo que dois terços serão na Alemanha.

Em França o grande tema do momento são as primárias para as presidenciais de 2017. É mais ou menos consensual que Marine Le Pen tem assegurado um lugar na segunda volta das eleições, restando saber quem tem condições para a enfrentar. À esquerda, são muitos os candidatos, a começar pelo atual Presidente Hollande (que está de rastos nas sondagens), à direita ainda são mais e ontem enfrentaram-se em mais um debate televisivo.

Dos sete candidatos que estiveram no terceiro e último debate, Alain Juppé, Nicolas Sarkozy e François Fillon optaram por arriscar pouco e segurar as posições de destaque em que se encontram nas sondagens. Com elevada probabilidade, será um dos três a vencer as primárias da direita. Juppé está na frente, mas nenhum dos outros desistiu e conta com o eventual apoio de candidatos que decidam ficar pelo caminho.

Se tem dúvidas sobre qual será a política mais animada do mundo ocidental, pode chegar a uma conclusão. No Brasil, os processos judiciais continuam a varrer a política. Agora, em menos de 24 horas, o Rio de Janeiro viu dois ex-governadores envolvidos em escândalos de corrupção serem levados pela polícia.

Na quarta-feira, foi Anthony Garotinho, no meio da Operação Chequinho, que investiga a compra de votos durante as eleições. Ontem foi Sérgio Cabral, no âmbito da Lava-Jato, suspeito de liderar um grupo que desviou 224 milhões de reais em empreitadas públicas. Os dois ex-governadores, que são inimigos figadais, foram transferidos para a mesma prisão, Bangu 8, onde estão os detidos com maisor nível de escolaridade.

No desporto, a grande notícia do dia é um negócio televisivo. A Premier League vendeu os direitos televisivos para a China por 700 milhões de dólares, um valor astronómico que reflete o crescente interesse chinês pelo futebol.

O acordo de três anos foi fechado com a PPTV, que, outro sinal dos tempos, não é uma televisão clássica mas um operador de streaming, e tem efeito a partir da época 2019/20.

O Sporting venceu o Praiense para a Taça de Portugal. Depois de um susto inicial, provocado por um golo madrugador (é assim que se diz na gíria futebolística), os leões deram a volta e venceram com facilidade a equipa açoriana. Hoje é a vez do Chaves-Porto e amanhã segue a ronda da Taça, com um Benfica-Marítimo a cabeça de cartaz.

FRASES

“É muito difícil repetir este acordo com o PS”. Jerónimo Sousa em entrevista ao jornal i

“Há compromissos escritos do governo”. António Lobo Xavier na Quadratura do Círculo sobre o caso das declarações de rendimentos dos gestores da Caixa

“Me solta, me solta. Eu sou um enfartado. Vocês me respeitem”. Gritos de Antony Garotinho à entrada para a ambulância que transportou o ex-governador do Rio de Janeiro para a prisão

“O André é um finalizador, faz-me lembrar o Liedson”. Jorge Jesussobre o goleador de ontem à noite, conhecido por André Balada, pelos dotes que passeia pelas pistas de dança

O QUE EU ANDO A LER

Nos anos em que se comemoram os 400 anos da morte de Shakespeare, ando a ler – de forma um pouco aleatória – um livro escrito pela maior especialista brasileira no autor britânico. Barbara Heliodora consegue em Shakespeare, o que as peças contam aquilo que motiva um livro de divulgação: explicar, interpretar e contextualizar todas as peças de Shakespeare, fazendo o enquadramento biográfico, as polémicas que existem sobre a sua vida e obra e todas as curiosidades históricas das peças e do autor.

Para os especialistas na obra de William Shakespeare, este pode ser um livro que não aquece nem arrefece. Mas para quem sabe pouco sobre o genial autor ou tem uma ideia pouco consistente da sua vasta obra, este livro é muitíssimo bem feito e estruturado. Barbara Heliodora acabou este livro com 91 anos, em 2014, oito meses antes de falecer. Já não pôde assistir aos 400 anos da morte de Shakespeare, mas deixou-nos um ótimo legado.

O que se ganha nesta “viagem”, dos tempos de Titus Andronicus até aos últimos dias de A Tempestade e Henrique VIII (já escrito a meias), é uma leitura muito segura e didática da vida e da obra de Shakespeare, feita com enorme solidez académica e rara capacidade didática.

Para leituras mais rápidas, já sabe, é só ir espreitando o site do Expresso Online. O Expresso Diário está pronto às 18h com o dia bem explicado e informação em primeira mão. E, claro, o Expresso está nas bancas amanhã de manhã. Pelo meio ainda há um Expresso da Meia-Noite onde espero não chegar ensonado.

Tenha um bom dia e um bom fim de semana.

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