segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

MOÇAMBICANOS PEDEM MAIS DO QUE TRÉGUAS


Escoltas militares entre Vanduzi e rio Luenha, em Manica, centro de Moçambique, foram desativadas na sequência da trégua no conflito militar. Mas a polícia garante que vai continuar de "prontidão".

As escoltas militares foram suspensas no dia 28 de dezembro de 2016, um dia após Afonso Dhlakama, líder do maior partido da oposição, a RENAMO, ter declarado uma trégua de uma semana, e depois prorrogada por dois meses.

Elsídia Filipe, porta-voz do Comando Provincial da Polícia em Manica, no centro de Moçambique, entretanto deixou claro que a Polícia da República de Moçambique (PRM) vai continuar com as operações no terreno para "garantir a ordem e segurança" da população, tendo acrescentado que a ação não deve ser interpretada como sendo uma escolta, mas como um trabalho normal realizado pelas Forças de Defesa e Segurança (FDS).

Segundo Elsídia Filipe, as Forças de Defesa e Segurança "cumprem um mandato constitucional" e, por isso, podem posicionar-se em qualquer ponto do país.

A porta-voz da Polícia confirma que "já não há escoltas, as pessoas estão a circular normalmente, a qualquer hora" e garante: "Nós como autoridades temos que continuar em prontidão. Desativamos, sim, a escolta mas não podemos nos esquecer que foi uma medida provisória. E a ser assim vamos continuar com o nosso trabalho de patrulhamento que visa prevenir e reprimir a criminalidade, não só naquele troço mas em toda a província".

E Elsídia Filipe acrescenta que "as pessoas não se devem sentir intimidadas porque a polícia está a fazer o seu trabalho."

Entretanto, alguns passageiros entrevistados pela DW África no distrito de Vanduzi, apelaram as autoridades governamentais que se esforcem por uma paz efetiva e duradoura em Moçambique.

Moçambicanos exigem paz duradoira

O cidadão Felisberto Ananias disse estar bastante satisfeito por poder circular sem escolta militar e sem registo de mais ataques ao longo da viagem. Este utente enalteceu o Governo e a RENAMO pela suspensão dos ataques, mas pede que se acelere o diálogo visando por fim às hostilidades: "É isso que nós queríamos, porque já estamos a circular livremente com o desativamento da escolta.Vamos circular sem problemas e sem depender da escolta militar. Já não vamos demorar na estrada aguardando pela coluna [militar de proteção]."

E Ananias conta: "Neste local passávamos fome e o agravante é que ficávamos expostos ao sol, enquanto aguardávamos a escolta. Assim que o líder da RENAMO prorrogou a trégua, penso que havemos de circular bem e livres como antigamente."

Ana Maria Gomes, outra moçambicana, acredita que aos poucos os ataques vão terminar definitivamente. Apelou as duas partes para que seja encetado um diálogo sério por forma acabar com todas as escoltas militares, os ataque e os raptos de membros dos partidos.

Na sua opinião,"a escolta e os ataques que aconteciam ao longo da viagem não ajudavam, principalmente os comerciantes, porque os produtos ficavam deteriorados pelo caminho por causa do tempo de espera na estrada."

Colunas militares não deixam saudades

Simão Pedro Johane, condutor de um autocarro de passageiros, afirmou que esta trégua de 60 dias é bem-vinda e será um grande alívio, para a sua ativiade comercial: "Na verdade nós os moçambicanos queremos a paz de volta, pois com ela iremos circular livremente, sem nenhum impedimento."

Entretanto, Johane reconhe que "com a coluna era muito difícil circular, principalmente nós os transportadores de passageiros. Ora vejamos, carregávamos em Chimoio às 5 horas da manhã e chegávamos no local depois da coluna partir e éramos obrigados a aguardar a próxima. Com o fim da escolta, estamos a carregar os passageiros sabendo que vamos viajar sem paragem."

Recorde-se, que após a intensificação de emboscadas da RENAMO nas principais estradas do centro de Moçambique, no início do ano passado, as Forças de Defesa e Segurança montaram escoltas militares obrigatórias na Estrada Nacional Nº1, entre o Rio Save e Muxúnguè e entre Nhamapadza e Caia, na província de Sofala, e também na Estada Nacional Nº 7 entre Vanduzi (Manica) e Changara (Tete).

O centro e norte de Moçambique são palco de violência militar há mais de uma ano, na sequência da recusa da RENAMO em aceitar os resultados das eleições gerais de 2014, exigindo governar em seis províncias onde reivindica vitória no escrutínio.

Bernardo Jequete (Chimoio) – Deutsche Welle

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