quarta-feira, 21 de março de 2018

CULPA NOSSA

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Eis o Curto quase a horas, mesmo assim com atraso. Culpa nossa. Provavelmente já o foi ler no Expresso. Fez muito bem. Faça-o mais vezes porque qualquer dia, talvez em breve, já não o usaremos por aqui. Nem isso, nem nada. Sabe, ele, o Curto, tem a sua utilidade nos tempos que correm para o abismo. Isto é só uma opinião. Afinal porque é que nos andamos nós a ralar se mais cedo que tarde vai tudo para os porcos. Finito. 

O ser humano é uma “máquina” muito complicada, na maior parte das horas do dia. Corre atrás do vil metal e de superficialidades que lhe tolhem o discernimento. Cada cabeça sua sentença. Ainda para mais em cabeças tão manipuladas como as que andam por aí. É assim que esta sociedade está estruturada. Culpa nossa. E agora com a globalização tudo se complicou ainda muito mais. Otimismo? Pois, ao longo da vivência dos dias ele esmorece e acaba por se tornar realista, pessimista. Esperança? Ora, ora.

Pois então siga para bingo, aliás, para o Curto. Pedro Lima foi quem matraqueou o de hoje. Adiante, assim, sem mais nem menos. Mais Curto menos Curto… O tamanho não conta? Pois. Bom dia. (MM | PG)

Bom dia este é o seu Expresso Curto

Adivinha quem voltou

Pedro Lima | Expresso

Bom dia,
A propósito do regresso de José Sócrates ao palco mediático para falar da crise económica de 2010/2011 na Universidade de Coimbra, veio-me à memória uma música que há uns anos (mais precisamente 23) andava nas bocas de muita gente em Portugal. “Adivinha quem voltou” foi um êxito da já extinta banda portuguesa de hip hop “Da Weasel”, que arrumou as botas em 2010 após 17 anos de atividade. Não é um poema, neste Dia Mundial da Poesia, mas bem podia ser.

(“Adivinha quem voltou, comeu e não calou/(…) Sempre a misturar, sempre a desbundar")

Que Sócrates tem voltado regularmente à nossa companhia, já toda a gente sabe – o processo Marquês, em que está acusado por corrupção passiva, fraude fiscal e branqueamento de capitais, não nos deixa esquecer dele. Volta e meia, perante a cadência das notícias sobre a operação Marquês, o seu nome vem à baila – e ainda estamos à espera que o julgamento seja marcado. Do que poucos estariam à espera era que voltasse nesta altura para contar a sua experiência quando, em abril de 2011, foi obrigado a pedir ajuda internacional, perante a iminente bancarrota de Portugal.

Será hoje em Coimbra a partir das 14h15, é uma iniciativa da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra e foi justificada na segunda-feira ao Expresso. O núcleo de estudantes de Economia da universidade tem-se justificado: que Sócrates foiprimeiro-ministro nos anos da crise na sequência da falência do Lehman Brothers e que era interessante que pudesse fazer uma retrospetiva do que foi a sua ação e o seu pensamento nesse período. Se pretendiam marcar a agenda, os estudantes de Economia parecem tê-lo conseguido.

(“De volta ao ataque frontal/ Tentando dar um abanão em Portugal/ Vou arrasar, enxertar, dissecar, não vou parar/ Cavalo que corre por gosto não vai cansar”)

A esperada intervenção de Sócrates deverá apanhar pelo caminho uma manifestação de estudantes – mas não é contra ele e sim contra o aumento das propinas. Que os estudantes aprendam alguma coisa de útil para as suas vidas - é o que se espera.

(“Mais certeiro que uma ave de rapina/A minha rima domina, assassina/Tudo o que estiver a mirar/Faz voo picado para acertar/Diretamente na consciência/Seja de bandido ou de sua excelência/(…) O contra-ataque é a melhor defesa/Costumo apanhar logo de surpresa”)

OUTROS ASSUNTOS
Um tema que tem voltado recorrentemente às notícias é o dos incêndios. Ora, falar de incêndios quando está frio e a chover -, e não quando o país está todo a arder – é muito bom sinal, significa que se aprendeu alguma coisa, que mais não seja tentar prevenir atempadamente tragédias como a do ano passado. O tema está na agenda já não por causa da limpeza das matas, que tem estado a acontecer um pouco por todo o país, mas porque o relatório sobre os incêndios de outubro de 2017 foi esta terça-feira entregue no Parlamento. E o que este relatório faz é arrasar a prevenção e a resposta que foi dada entre a tarde de 15 de outubro e a madrugada de 16 de outubro, período em que morreram 48 pessoas. O incêndio mais grave de sempre na Europa foi palco de “situações dramáticas de abandono” e de falhas graves nas previsões. Vale a pena ler, e aprender alguma coisa. Para que não volte a acontecer. Entretanto o Estado vai pagar 31 milhões de euros de indemnizações às vítimas dos dois incêndios de junho e de outubro. O tema devia estar sempre na agenda política, faça chuva ou faça sol.

Quem voltou a uma vida um pouco mais normal foi o ex-procurador Orlando Figueira, que deixa de estar em prisão domiciliária com pulseira eletrónica. A medida de coação de prisão domiciliária foi revogada, passando o arguido no processo Operação Fizz, acusado de ter sido corrompido pelo ex-vice-presidente de Angola, a estar em liberdade. Os juízes determinaram porém que entregue o passaporte, pelo que não pode ausentar-se para o estrangeiro.

O sarampo, doença que voltou e continua a estar em destaque em Portugal, já tinha esta terça-feira à noite confirmados 62 casos.

Dar uma volta de 180 graus é o que prometem os municípios das áreas metropolitanas de Lisboa e Porto que estiveram ontem reunidos no palácio de Queluz, em Sintra, e contaram com presenças de peso como o presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, e o primeiro-ministro António Costa. Este último classificou este encontro, que visa promover a descentralização, como histórico. Para já, uma das medidas que saíram do encontro é a criação de um passe mensal único a preços acessíveis para os municípios de cada uma destas áreas metropolitanas.

O abandono a que o sector ferroviário foi votado voltou à baila. Desta vez por causa do descarrilamento parcial de um comboio perto da estação do Ferrão, concelho de Sabrosa, que não provocou feridos. Os deputados do PSD vão solicitar uma reunião urgente com o presidente da Infraestruturas de Portugal (IP) para esclarecimentos sobre a segurança na linha do Douro e pedem um levantamento exaustivo dos riscos e problemas da via. A Lusa fez uma cronologia com os descarrilamentos de comboios em linhas ferroviárias desde janeiro.

A aplicação do regime de pensões antecipadas de longas carreiras está a criar dúvidas em todos os partidos, agora foi o Bloco de Esquerda a juntar-se ao PSD, CDS e PCP e a pedir explicações ao ministro da Segurança Social.

O escândalo do Facebook soma e segue, implicando pesadas perdas nas ações da empresa. Esta terça-feira caíram 2,56% depois na segunda-feira terem caído quase 7%, refletindo receios de mão pesada por parte dos reguladores. O cerco aperta-se: opresidente do Parlamento Europeu, Antonio Tajani, instou o fundador do Facebook, Mark Zuckerberg, a prestar contas aos eurodeputados. E foi suspenso o presidente da Cambridge Analytica, a empresa suspeita de ter recolhido e guardado de forma ilegal os dados pessoais de cerca de 50 milhões de utilizadores do Facebook para manipular eleitores britânicos e norte-americanos.

Na reunião do G20, na Argentina, o presidente americano foi pressionado a evitar uma guerra comercial, mas surpreendentemente no comunicado final do encontro não surgem referências ao tema do protecionismo.

Voltaram as mortes ao Brasil, depois de Marielle Franco, há uma semana, se ter tornado um símbolo das vítimas do terror que assola aquele país. Desta vez foi o vereador Paulo Teixeira também morto a tiro no Rio de Janeiro.

FRASES
“A única prioridade que tenho é unir o partido para alcançar o poder em 2019”
José Silvano, novo secretário-geral do PSD

“Fui ao DIAP, é verdade, mas não saí surpreendido com o facto de ser arguido. Aliás, já fui constituído arguido pelo menos uma dezena de vezes, tendo os denunciantes/assistentes perdido sempre”
Bruno de Carvalho, presidente do Sporting

“A descentralização ou acontece até junho ou podemos ter de esperar mais sete ou dez anos”
Carlos Carreiras, presidente da câmara municipal de Cascais

“E se pusessem aqui uma bomba? Já viram o funeral que era?”
Marcelo Rebelo de Sousa, presidente da República, com os presidentes de câmara das áreas metropolitanas de Lisboa e Porto

“20 milhões de euros [de investimento da Santa Casa no Montepio] é sempre muito dinheiro mas a Santa Casa já participou em várias instituições financeiras”
Pedro Santana Lopes, ex-provedor da Santa Casa da Misericórdia

AS MANCHETES DOS JORNAIS
Jornal de Notícias: “IRS: portugueses cortam 400 mil euros nas doações”

Público: “Destruição na Porto Editora ameaça arranque do ano escolar”

Diário de Notícias: “Militares vão atuar como polícias do mar”

i: “Populações viveram ‘dramático abandono’ nos fogos de outubro”

Correio da Manhã: “Rendas da luz custam 390 euros a cada português”

Jornal de Negócios: “Maior hospital privado ameaça fechar em abril”

O QUE ANDO A LER
“O fim da desigualdade”, de Joseph Stiglitz, é um périplo pelas sociedades desiguais composto por uma série de textos já publicados noutras ocasiões pelo Nobel da Economia e em que o caso dos Estados Unidos - e do 1% de muitos ricos versus o resto da população – merece especial destaque. Conta Stiglitz que um número cada vez maior de pessoas que faz parte do 1% percebe que não é possível existir crescimento económico sustentável quando a maioria dos rendimentos dos cidadãos está estagnada.

O QUE ANDO A OUVIR
A banda sonora da série 1986 criada por Nuno Markl, junta uma série de músicos portugueses de grande nível. Destaco “América ao pequeno-almoço”, de Samuel Úria, e “A verdade nunca sai à rua”, de Rita Redshoes.

Por agora é tudo, mas em www.expresso.pt tem toda a informação relevante ao longo do dia e às 18h, como sempre o Expresso Diário.
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