domingo, 1 de janeiro de 2012

UM PLANETA À BEIRA DO PRECIPÍCIO!



Martinho Júnior, Luanda

A situação da Terra vai-se deteriorando inexoravelmente, em relação às questões humanas e à própria essência do planeta que conhecemos, por muito limitado que seja esse conhecimento.

Em relação ao homem, salvo honrosas excepções à barbárie, tudo se parece desagregar: as economias, as finanças, os indicadores duma cada vez maior proliferação de tensões, conflitos e guerras e, mesmo nas emergências, a tendência para as desigualdades, os desequilíbrios, a precariedade, a marginalidade, a miséria e o aumento das injustiças sociais, são sintomas de completa decadência.

De forma contraditória nunca se afirmou tanto em nome da democracia, sem fazer a crítica consciente à democracia: o seu falseamento com a aberração da representatividade que impede cidadania e participação, é sintoma também dessa desagregação, com o cortejo de manipulações que acarreta e o jogo psicológico disponível, sem ética, sem moral e quantas vezes revelando estar-se em plena alienação e demência, pelo surrealismo dos seus termos e dos actos correspondentes.

Um grupo cada vez mais reduzido de pessoas que concentram poder e riqueza à escala global, estimula com exacerbado egoísmo a gestão capitalista que em nome da concorrência se tornou num acto neo liberal contínuo, promotor de carteis, de monopólios e de cada vez mais evidentes ditaduras, que continua seu curso perante a impotência das alternativas, mesmo que em alguns casos hajam expectativas, actos e vontades heróicos, optimistas e esperançosos.

As rupturas humanas podem atingir um estágio inaudito se a tendência para a escalada dos conflitos e da guerra no Médio Oriente se mantiver, sucedendo-se ao Iraque, ao AfPaq, à Líbia, o que está em curso no Líbano e na Síria e o que pode vir a eclodir com o Irão.

Muitos sectores de análise e opinião apontam o “lobby” judeu como o factor mais importante de desestabilização, por dentro dos mecanismos de decisão nos Estados Unidos, na zona de impacto do Médio Oriente e nas suas envolventes.

O que é facto é que Israel é um regime de falcões com armas nucleares embora não seja reconhecido “de jure” a sua existência como tal, nem conhecido de forma abalizada o seu potencial.

Os “media de referência” escondem o monstro e pintam as suas práticas com as cores aberrantes da manipulação, da mentira pontual ou continuada, das meias verdades, da falsidade e da ignomínia.

Esconde-se de forma deliberada o feudalismo em que nos encontramos no pântano das filosofias e ideologias “politicamente correctas” que são os traços da submissão da maioria à minoria, bem como do subdesenvolvimento humano patenteado a cada ano que passa pelos próprios Índices de Desenvolvimento Humano e por outros Relatórios globais referentes à população e à criança.

De facto também outras regiões estão a ser afectadas à volta dessa imensa área de impacto que constitui o Médio Oriente, matriz de petróleo e do gás: o continente Euro-Asiático e a África.

Para outros, concomitantemente, há ainda evidências do cerco geo estratégico à Rússia e à China, com um aumento das contradições em relação a esses emergentes.

Em África, essa tendência pode ser levada a efeito em todo o continente e substancialmente em relação à África Austral onde a emergente África do Sul ocupa a latitude mais austral, como na América Latina está já a acontecer com o Brasil (observe-se a evolução da situação no Peru, onde as contradições entre um Brasil emergente e os Estados Unidos já não podem ser mais escondidas).

O movimento de libertação, apesar de sua energia vital mobilizadora, apesar dos resgates que trouxe em relação às sequelas da escravatura, em relação ao colonialismo e ao “apartheid”, em África está a ser digerido pelas entranhas desse monstro, substituindo subtilmente as suas ideologias de luta, pelas razões dos tecnocratas do “mercado”, também eles autores e actores de neo colonialismo, insensíveis ao passado dos seus povos por que quantas vezes insensíveis às dores do presente e aos anseios maiores do futuro.

Em relação ao clima e ao ambiente, cada vez mais se levantam investigadores e estudiosos que demonstram o aquecimento a que está sujeito o planeta, com o cortejo de consequências que isso acarreta.

A área do gelo, no Árctico e na Antárctida, bem como nos glaciares de elevadas altitudes, está a diminuir.

Cada vez há mais relatos de espécies animais e vegetais a desaparecer, ou a sujeitar-se a provas radicais de sobrevivência, que podem incluir penosas migrações.

Os riscos de catástrofes são também mais evidentes: terramotos, tsunamis, furacões, cheias em alguns lados e secas intermináveis noutros…

O potencial de riscos de toda a natureza está a aumentar em relação ao homem e à natureza por que essa tendência, apesar dos esforços de alguns que respondem com mérito à situação, não foi contida.

Os próximos anos vão ser muito difíceis.

Em África a paz é cada vez mais frágil, por que os instrumentos de subjugação, por mais que a persuasão tente ser utilizada pelos poderosos, estão cada vez mais omnipresentes e activos, por todas as vias e com todo o tipo de meios, a partir do exterior do continente e no interior das nações e sociedades.

Um dos riscos é o redesenhar do mapa, como se outra imperiosa “conferência de Berlim” tivesse sido instigada em pleno século XXI!

As potências ocidentais tentam esconder as suas responsabilidades maiores nos actos de rapina, nos conflitos e nos holocaustos e, como corolário, levam ao Tribunal Penal Internacional preferencialmente alguns dos dirigentes africanos… “os não Kadafi” que conseguem sobreviver…

Ao mesmo tempo, fazem proliferar suas “invulneráveis” ONGs que difundem direitos humanos e a tal (falsa) democracia representativa, (uma “democracia” para os outros e nunca para eles), nem que tenham para isso de catapultar as manipuladas “revoluções coloridas” que advêm dos tempos do final da chamada Guerra Fria.

Pretendem com isso ter instrumentos para as engenharias psicológicas e sociais que implicam e respondem aos seus interesses e conveniências, para que cada vez haja mais difusão e proliferação de processos subtis de ingerência, que prolongam em primeira mão nas sociedades os tentáculos do seu poder, para em segunda mão fazer emergir esses tentáculos por dentro do miolo das frágeis instituições estatais do Terceiro Mundo…

Apregoam os benefícios das democracias representativas, mesmo que elas estejam tão corroídas pelos “lobbies” que promovem a arrogância sangrenta duma minoria constituída em aristocracia financeira mundial, mesmo que seja essa minoria o estimulante motor de divisões étnicas, religiosas, de desigualdades e desequilíbrios, de conflitos e tensões de toda a ordem, enfim todo um cortejo de “opções” que, ao darem muito lucro, em nada dizem respeito à democracia, muito menos aos direitos humanos e em tudo à guerra, sem limites e sem fronteiras, para além dos conflitos no interior das sociedades humanas!

As potências ocidentais nada têm a ensinar a África, mas estão de volta com um arrogante e cínico neocolonialismo, que quando não é militar e sangrento, é enfatuado e engravatado à imagem e semelhança dos banqueiros ao serviço dos cartéis, dos monopólios e da aristocracia financeira mundial que sustenta a sua própria hegemonia quantas vezes pelo recurso a uma direita de pendor ditatorial e à custa dos seus próprios povos.

Em todos os campos de acção humana, nunca houveram tantos mercenários, nem candidatos a mercenários!

Os que em nome de coerência histórica se lhes opõem com visão alternativa, correm o risco das provocações, das manipulações, da marginalidade, do jogo dos interesses e por vezes até obrigados a evocar as contingências da sobrevivência para calarem suas vozes e convicções!

Eles devem ser os primeiros a apontar o que é legítimo, mas com o cuidado dos que advertidamente lêem os sinais da ingerência da aristocracia financeira mundial nas sociedades e no espectro político de suas nações e estados.

Eles devem ser a vanguarda consciente duma luta com parâmetros de paz e pela democracia participativa, como vanguarda consciente e lúcida contra as ingerências que são provocadoramente animadas com o sinal nocivo da ingerência dos poderosos, que ao longo de séculos e particularmente desde inícios do século XX, tantos estragos têm causado a toda a humanidade e ao próprio planeta!

O ano de 2012 ocorre com um planeta à beira do precipício, conforme alguns em plena IIIª Guerra Mundial, com o espectro dum terrível episódio nuclear no horizonte e por isso os princípios estratégicos do movimento de libertação, a paz, o amor, a fraternidade, a solidariedade, a cidadania e a nossa participação, é um verdadeiro acto de resistência e uma saudável ainda que efémera quão precária barricada!

A luta continua!

* Imagem: Quadro de Malangatana

3 comentários:

Anónimo disse...

A esquerda mundial após 2011 - http://www.outraspalavras.net/2012/01/03/a-esquerda-mundial-apos-2011/

A questão para a esquerda mundial, agora, é como avançar e converter o sucesso do discurso inicial em transformação política. O problema pode ser exposto de maneira muito simples. Ainda que exista, em termos econômicos, um abismo claro e crescente entre um grupo muito pequeno (o 1%) e outro muito grande (os 99%), a divisão política não segue o mesmo padrão. Em todo o mundo, as forças do centro-direita ainda comandam aproximadamente metade da população mundial, ou pelo menos daqueles que são politicamente ativos de alguma forma.
Portanto, para transformar o mundo, a esquerda mundial precisará de um grau de unidade política que ainda não tem. Há profundos desacordos tanto sobre a objetivos de longo prazo quanto sobre táticas a curto prazo. Não é que esses problemas não estejam sendo debatidos. Ao contrário, são discutidos acaloradamente, e pouco progresso tem sido feito para superar essas divisões.

Anónimo disse...

A ESTRATÉGIA DA TENSÃO

A histeria em relação ao suposto programa de armas nucleares do Irão continua a agitar os media ditos "de referência". Trata-se de uma campanha de mentiras orquestrada pelo imperialismo a fim de aumentar a tensão no Médio Oriente. Todos eles omitem, cuidadosamente, o facto de Israel dispor de um arsenal nuclear da ordem das 200 ogivas. E omitem igualmente a verdadeira "bomba atómica" do Irão: a possibilidade de encerrar o transito no Estreito de Ormuz, por onde se escoa grande parte do petróleo mundial – esta é a verdadeira "bomba atómica" iraniana.

Na semana passada, Obama assinou uma lei que lhe dá autoridade para novas sanções contra a República Islâmica. E enquanto intensifica a campanha anti-iraniana, prossegue o trabalho de sapa de desestabilizar a Síria através de ONGs financiadas e armadas pelo imperialismo. O lobby sionista domina os EUA e conduz o mundo a perigos crescentes.

Tudo isto se passa no momento em que a humanidade já ultrapassou o Pico de Hubbert e tem início o esgotamento dos recursos petrolíferos mundiais. Uma agressão militar contra o Irão não é lógica nem racional – mas o imperialismo nem sempre é lógico ou racional. E sabemos que no passado todas as grandes crises do capitalismo resultaram em guerra.

http://resistir.info/

Anónimo disse...

The American-Iranian Cold War in the Middle East and the Threat of A Broader War


by Mahdi Darius Nazemroaya

A cold war has been ongoing between Tehran and Washington. U.S. spies, drones, assassinations, and accusations against Tehran have all been a part of this package. Washington and its minions have been using every means possible, including international organizations, like the United Nations, as a battleground against Tehran in this cold war. The destabilization campaign being waged against Iran, Iraq, Syria, and Lebanon are also a critical front in this cold war…

The Obama Administration has used 2011 to unleash Washington’s so-called “Coalition of the Moderate” against the Resistance Bloc, which pins together all the countries and forces united by their opposition to U.S. and Israeli hegemony in the Middle East-North Africa (MENA) region. The two camps that are becoming more and more visible in the MENA region are falling along the lines of what Washington, Tel Aviv, and NATO planned on forming after the 2006 Israeli defeat in Lebanon as a means of tackling Iran and its allies. In 2007, the United States of America, represented by Secretary of State Condoleezza Rice and Defence Secretary Robert Gates, held a meeting in Cairo under the “GCC + 2” formula with the Gulf Cooperation Council – Saudi Arabia, Qatar, Bahrain, Kuwait, the U.A.E., Oman, and Qatar – plus Egypt and Jordan to form a strategic and all encompassing front against Iran, Syria, and their regional allies. This “Coalition of the Moderate” formed by Washington was a direct extension of NATO that also included Israel and Turkey as important and central participants.

http://www.globalresearch.ca/index.php?context=va&aid=28439

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