sábado, 7 de dezembro de 2013

Xanana Gusmão rejeita desculpa da "segurança nacional" dada por australianos…

 

… para rusga a escritório de advogado
 
O primeiro-ministro timorense rejeitou quinta-feira a justificação de "segurança nacional" dada pelo seu homólogo australiano, Tony Abbott, para a rusga realizada ao escritório do advogado que defende Timor-Leste no processo de acusações de espionagem contra a Austrália.
 
"Infelizmente, há dois dias, a Austrália utilizou a desculpa da segurança nacional para fazer uma rusga às instalações do nosso advogado e para deter a nossa testemunha. Rejeitamos a desculpa da segurança nacional, uma vez que esta questão refere-se apenas a interesses comerciais e à negociação de um tratado petrolífero", afirmou Xanana Gusmão, num discurso proferido no Sudão do Sul e enviado hoje à agência Lusa.
 
O primeiro-ministro falava quinta-feira em Juba, no Sudão do Sul, onde se deslocou para participar numa conferência sobre investimento naquele país.
 
"No tribunal arbitral de Haia, as duas partes irão reunir-se com uma equipa de arbitragem para discutir os procedimentos relativos a este processo de arbitragem, sendo que iremos solicitar proteção para a nossa testemunha", disse Xanana Gusmão.
 
Na terça-feira, a secreta australiana fez uma rusga ao escritório do advogado que representa Timor-Leste, tendo confiscado vários ficheiros eletrónicos e documentos, e apreendeu também o passaporte a um antigo espião, que é uma testemunha chave do processo.
 
Timor-Leste acusou formalmente junto do tribunal arbitral de Haia, a Austrália de espionagem quando estava a ser negociado o Tratado sobre Certos Ajustes Marítimos no Mar de Timor, em 2004.
 
Com a arbitragem internacional, Timor-Leste pretende ver o tratado anulado, podem assim negociar a limitação das fronteiras marítimas e, assim, tirar todos os proveitos da exploração do Greater Sunrise.
 
No discurso, proferido em Juba, Xanana Gusmão, aconselhou também o Sudão do Sul garantir que futuros contratos sobre exploração de recursos sejam feitos de forma "ética".
 
"O Sudão do Sul tem a sorte de possuir recursos naturais consideráveis. O meu conselho para o Governo e para o povo do Sudão do Sul é que encorajem a exploração desses recursos, mas assegurando que os contratos e acordos são elaborados de forma ética", afirmou Xanana Gusmão.
 
"Em Timor-Leste aprendemos isto às nossas custas, tendo estabelecido acordos internacionais injustos com a Austrália que estamos atualmente a procurar retificar em tribunal", salientou.
 
O primeiro-ministro timorense salientou que já alertou o Banco Mundial para a "necessidade dos contratos e acordos internacionais serem justos e transparentes e de constituírem uma parceria verdadeira que assegure que não há aproveitamento em relação aos Estados frágeis".
 
O Sudão do Sul, rico em petróleo, tornou-se independente a 14 de julho de 2011
 
RTP - Lusa
 

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