quarta-feira, 26 de agosto de 2015

Moçambique. Dhlakama recusa reunião com presidente moçambicano sobre paz




O líder da Renamo, Afonso Dhlakama, devolveu um convite do presidente moçambicano para discutir a paz no país, alegando falta de pontos de agenda, mas Filipe Nyusi insistiu e já tornou públicos os assuntos que pretende abordar.

“Eu disse 'muito obrigado pelo convite, lamento que não tenha colocado pontos de conversa, a agenda'", afirmou hoje o presidente da Renamo (Resistência Nacional Moçambicana) junto de apoiantes do principal partido de oposição em Quelimane, reproduzindo os termos que disse ter usado na resposta ao convite endereçado na segunda-feira pelo chefe de Estado.

Para Dhlakama, não basta um convite para discutir genericamente a situação da paz em Moçambique, reivindicando a inscrição de uma agenda prévia concreta, "para evitar um encontro que venha a dececionar o povo deste país como tem acontecido".

O Governo moçambicano respondeu já hoje à devolução do convite, através do porta-voz do Conselho de Ministros, insistindo na urgência de uma reunião com o líder da oposição e propondo três pontos: análise do Acordo de Cessação de Hostilidades, avaliação do decurso do diálogo de longo-prazo entre as duas partes em Maputo e assuntos diversos, "podendo e querendo a Renamo agendar ou listar outros assuntos".

O porta-voz do Conselho de Ministro afirmou que Nyusi evitou, no primeiro convite, propor uma agenda específica, para "permitir uma análise mais vasta sobre o assunto e para que não houvesse uma interrupção por simples formalidades de palavras".

O Presidente moçambicano, disse ainda, "aguarda com elevada esperança o acolhimento da Renamo, de forma a discutir de forma prioritária o assunto da paz em Moçambique".

Filipe Nyusi anunciou no domingo, durante uma conversa com crentes da Igreja Universal do Reino de Deus (IURD), em Maputo, que ia convidar o presidente da Renamo para um encontro, salientando que as diferenças políticas não se devem sobrepor à aspiração do povo pela manutenção da paz.

"O povo não está de um lado, está de todos os lados. O povo é este e é também aquele que segue o líder da Renamo. É o mesmo povo que se junta e forma o povo moçambicano e esse povo quer paz e desenvolvimento", frisou.

Paralelamente, o porta-voz da Renamo adiantou à Lusa que o partido suspendeu a sua participação no diálogo de longo-prazo que mantém com o Governo em Maputo, devido à alegada falta de seriedade por parte do executivo moçambicano.

Na semana passada, as duas partes realizaram a 114.ª ronda do processo negocial, entrando no ponto sobre "questões económicas", o quarto da agenda, sem terem conseguido acordo em relação ao tema mais importante das negociações, que tem a ver com o desarmamento do braço armado da Renamo.

No âmbito das negociações, iniciadas em abril de 2013, as duas partes chegaram a acordo sobre a aprovação de um novo pacote eleitoral, assinaram há um ano o entendimento sobre o fim das hostilidades militares e aprovaram um acordo sobre a despartidarização do Estado.

A Renamo não reconhece os resultados das últimas eleições gerais, ganhas oficialmente pela Frelimo (Frente de Libertação de Moçambique), e exige governar nas províncias onde reivindica vitória, sob ameaça reiterada de tomar o poder pela força.

Nas últimas semanas, as partes têm estado envolvidas em confrontos na província de Tete, os últimos dos quais, segundo a Polícia da República de Moçambique, no sábado, com cinco emboscadas atribuídas a homens armados da Renamo contra uma unidade policial.

Num encontro com desmobilizados da Renamo na sexta-feira em Quelimane, Zambézia, o partido de oposição anunciou que ia criar um novo quartel para o seu braço armado nesta província e insistiu na intenção de criar a sua própria polícia.

Lusa, em Notícias ao Minuto

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