segunda-feira, 14 de setembro de 2015

FORTALEÇA-SE, A LUTA CONTINUA




Este é um Expresso Curto que não vai ter grandes considerações da nossa parte. Possui algumas abordagens a atualidade de interesse à moda do Expresso e dos outros Expressos do “sistema”, mas é o que temos mais por aí. Aguentemos com discernimento esta comunicação social. Afinal, sabermos como não se deve fazer é útil. Aprendemos. Talvez um dia tudo melhore a favor de uma liberdade de expressão, de informar, de formar, de uma democracia de facto. A verdade é que as alternativas a estes impérios da comunicação social, comparativamente, são ténues e de continuidade incerta. Além de aparecem sempre uns chicos-espertos que acabam por devassar tudo e baralhar ainda mais a devassa. Existem algumas exceções de mídia alternativa, em português, mas poucas. e de continuidade e qualidade dúbias.Também é verdade que cada vez há mais iliteracia e os que dizem e fazem disso garbo: “a política é para os políticos”. Os tolos ignoram que é assim que vamos assistindo à degradação da democracia, ao aumento das abstenções eleitorais, ao aumento dos regimes ditatoriais com máscaras de democracia. Como compôs Bertolt Brecht:

Primeiro levaram os negros
Mas não me importei com isso
Eu não era negro

Em seguida levaram alguns operários
Mas não me importei com isso
Eu também não era operário

Depois prenderam os miseráveis
Mas não me importei com isso
Porque eu não sou miserável

Depois agarraram uns desempregados
Mas como tenho meu emprego
Também não me importei

Agora estão me levando
Mas já é tarde.
Como eu não me importei com ninguém
Ninguém se importa comigo.

Hoje é segunda-feira. Tenha uma semana melhor que a anterior. E que de semana para semana seja sempre assim. Fortaleça-se, porque a luta continua. 

Redação PG

Bom dia, este é o seu Expresso Curto

Pedro Candeias, coordenador do Expresso

Schengen: Espaço, a última fronteira

O problema com a morte é que ela existe, repete-se, todos a vemos e isso banaliza-a; pior do que isso, torna-a irrelevante, um número abstrato, se desprovido de contexto. Mas um número, na génese, é uma coisa concreta: um não é dois, dois mais um são três, três mais dois dá cinco. Ontem, cinco rapazes, cinco raparigas e quatro bébés morreram perto da ilha de Farmakonisi, na Grécia, quando o rudimentar barco de pesca de madeira se virou no sul do mar Egeu. Iam 112 pessoas lá dentro e 34 delas perderam a vida - este ano,o Mediterrâneo já engoliu 2700 refugiados/migrantes. Não é um número, é uma tragédia que não tem filiação nem pátria, com vários pontos de partida e um ponto de chegada.

"Não podemos permitir aos refugiados que escolham livremente onde querem ficar", avisou Thomas de Maizière, Ministro do Interior alemão. [Thomas de Maizière é ele próprio descendente de franceses protestantes que pediram asilo na Prússia no século XVII.]O país mais rico e poderoso da Europa fechou as suas fronteiras a sul e o acordo de Schengen, de 1995, ficou suspenso "provisoriamente". A polícia alemã diz o contrário - diz que está preparada para lá ficar "durante muito tempo". A Alemanha está a chegar ao limite da capacidade de alojamento e os migrantes que chegam, dormem ao relento e no chão e amontoados uns nos outros; em Munique, estão 63 mil refugiados desde há duas semanas.

Abriu-se o primeiro precedente:

Milan Chovonec, ministro do interior da República Checa, garantiu que o país dele também iria reforçar a fronteira. Viktor Orban, primeiro ministro da Hungria com tiques de outros tempos, bateu palmas à decisão de Angela Merkel. E Merkel telefonou a Claude Juncker para se justificar. Disse Juncker: "A situação atual na Alemanha, à primeira vista, parece ser uma situação abrangida pelas regras." Que regras são essas?

Economist diz-nos que a suspensão dos acordos de Schengen é permitida, se em causa estiver a segurança nacional de quem baixa as barreiras e aumenta os controlos. Estas exceções são legais desde que temporárias e é aqui que entra a semântica - temporário é provisório, provisório é transitório, e transitório é uma palavra vaga, como indeterminado. E a seguir a indeterminado, normalmente, vem o definitivo. E quanto mais tempo o espaço Schengen estiver limitado mais a ideia da Europa una e unida tenderá a perder-se.

É por isso que, hoje, os ministros do Interior da zona Euro se reúnem de emergência em Bruxelas para discutirem a crise dos refugiados que bateu agora à porta do Velho Continente mas que anda de porta em porta pelo resto do planeta há décadas. AFrança já pediu o "respeito escrupuloso" do acordo Schengen por parte da UE.

P.S.: Nesta madrugada, soube-se que turistas mexicanos e guias egípcios foram mortos no deserto do Egito pelas autoridades locais que os confundiram com terroristas do auto-denominado Estado Islâmico.12 mortos e 10 feridos - ou a estúpida irrelevância da vida.

OUTRAS NOTÍCIAS

Em Inglaterra, só dá Jeremy Corbyn. No primeiro dia como novo líder do Partido Trabalhista, Corbyn manteve a sua agenda: apanhou um táxi, foi a uma acção de solidariedade contra doenças mentais, falou de depressão e de Alzheimer, e não respondeu a perguntas de jornalistas. Aparentemente, nada mudou na vida dele. Talvez não tenha espreitado o Twitter de David Cameron, que o considerou uma "ameaça à segurança nacional, à segurança económica e à segurança das famílias". Ou talvez não tenha visto o seu número 2, Tom Watson, a dar uma entrevista em que disse estar contra duas medidas dos novos trabalhistas: a saída da NATO e o fim das negociações à renovação da frota dos submarinos nucleares, o tal programa Trident.

Por cá também temos histórias com submarinos, mas estas ficaram debaixo de água. À tona está um banco ruim que foi partido em dois: um mau, que é realmente mau, e um bom, que não é assim tão bom e até deu um prejuízo de €850 milhões num ano. Em pré-campanha eleitoral, Passos Coelho disse-se disposto a criar uma subscrição pública para angariar fundos para quem ficou mal na vida com o banco mau, mas avisou que não valia a pena pressioná-lo pois oGoverno não se metia na Justiça. António Costa aproveitou a deixa para dizer que mal seria de um país se os seus cidadãos tivessem de depender "da caridade do primeiro-ministro".

E por falar em primeiro-ministro, hoje regressa o Prós & Contras na RTP1 e o programa será votado ao tema: "A independência da Justiça". A promo deste P&C tem 'aquela' pergunta de Paulo Rangel que implica um ex-PM, que agora vive no número 33 da Abade Faria, e um partido que não o PSD. Os socialistas fizeram-se ouvir. Ou ler. Ascenso Simões, no Facebook: "Mais não posso que considerar que a RTP fez uma opção partidária, que nestas eleições optou por atacar o PS, maltratar os seus militantes e provocar os seus votantes”. João Galamba, no Twitter: "O diretor de informação da RTP, Paulo Dentinho, só tem uma alternativa: demitir-se". Edite Estrela, no Facebook: "A televisão estatal vai mesmo dedicar um Prós e Contras ao dislate de Paulo Rangel?". E José Lello, o único destes quatro a aparecer 'naquela' foto, no Twitter: "A RTP está ao serviço da campanha do PSD/CDS."

Ainda da série Sócrates, temos isto: Eduardo Catroga escreveu uma carta aberta a António Costa, acusando-o de inverdades no debate com Passos Coelho no episódio quem-chamou-a-troika-foram-vocês-e-não-nós. Catroga descreve Pedro Silva Pereira, braço direito de quem-vocês-sabem, como o interlocutor do Governo que não quis conversas com o PSD; e Pedro Silva Pereira puxou a mola do PEC IV para fazer saltar a Troika cá para fora.

O que é que Kennedy dizia? "Não procuremos a resposta Republicana ou a resposta Democrata, mas a resposta certa. Não devemos procurar quem culpar pelo passado. Devemos aceitar a nossa responsabilidade para o futuro." Adiante.

A acabar, dois programas para começarem a noite: o debate António Costa/Catarina Martins, na TVi 24, e o regresso dos Gato Fedorento à TV com "Isto é tudo muito bonito, mas", no Jornal da Noite da TVi. O primeiro convidado é Jerónimo de Sousa..

FRASES

"Estou a tentar ser simpático" Donald Trump, candidato a candidato à nomeação Republicana para as eleições presidenciais, versão Dr. Jekyll

"Quem me atacar, está condenado." Donald Trump, versão Mr. Hyde

"É o funeral do blairismo e o regresso ao socialismo." Manuel Alegre, o barão vermelho, ao jornal i

"Novo Banco é uma batata frita. Não é bom para qualquer Governo." Marcelo Rebelo de Sousa e a lógica da batata quente, no comentário semanal à TVi

"Muitas vezes me pergunto como será a minha cruz". Papa Francisco, em entrevista à Rádio Renascença

"Estava muito mais preocupado se o Sporting sofresse mais golos do que marcasse" , Jorge 'contas-são-comigo' Jesus, após a vitória por 2-1 em Vila do Conde

"Estou a gostar mais deste ano do que dos anteriores, porque agora sou marido e pai e isso torna tudo melhor" Novak Djokovic, vencedor do US Open

O QUE ANDO A LER

Há uma teoria americana que diz que os assassinos têm três nomes e são estes os exemplos: Lee Harvey Oswald (JKF) , James Earl Ray (Martin Luther King), John Wilkes Booth (Lincoln), Mark David Chapman (John Lennon), Gary Leon Ridgway (43 mortes de Green River), John Wayne Gacy (Killer Clown) e Paul John Knowles (Casanova Killer).

"Mao: A História Desconhecida" de Jung Chang (Cisnes Selvagens) e John Halliday é o livro que pretende desmistificar o ditador que liderou a China durante décadas do século XX. Nele, Mao é retratado como um menino bem e da mamã, que detestava o trabalho forçado e os camponeses. Era hipocondríaco e vaidoso - e traficante de ópio. E um tirano oportunista, que deixou mulheres e filhos para trás em busca da glória pessoal, atingida através da manipulação, perseguição e assassínio de quem lhe fazia frente. Chang e Halliday recuperam documentos antigos (como cartas pessoais e atas institucionais) que mostram que Mao teve o apoio de Estaline e da Rússia para chegar ao poder do PCC e tentam provar que a Grande Marcha foi uma grande ilusão panfletária.

Mao Tsé-Tung é um nome com três letras.

Com duas letras apenas se escreve Bernardo Ferrão, o editor de política do Expresso que tem sempre uma coisinha ou outra de bastidores para vos contar. É dele o Expresso Curto de amanhã.

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