segunda-feira, 6 de junho de 2016

MNE português defende estratégias de combate coordenado às ameaças no Golfo da Guiné

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O ministro dos Negócios Estrangeiros de Portugal apelou hoje aos países que integram o Grupo do G7 dos Amigos do Golfo da Guiné (G7++ FoGG) para que aprovem estratégias de combate coordenado às ameaças marítimas naquela região.

"É um apelo para progredirmos na implementação da chamada arquitectura da segurança marítima no Golfo da Guiné. Trata-se de desenvolver esforços conjuntos, quer no domínio jurídico quer na capacitação institucional, de modo a combater coordenadamente os tráficos de drogas, de pessoas, de armas, a pirataria e a pesca ilegal, que são as principais ameaças à segurança marítima no Golfo da Guiné e, portanto, no Mundo", disse à agência Lusa Augusto Santos Silva, no decorrer dos trabalhos da Reunião do G7++ FoGG, em Lisboa.

Para o chefe da diplomacia portuguesa, "a importância geo-estratégica e geo-política do Golfo da Guiné faz-se sentir quer no quadro global, quer especificamente para os interesses portugueses".

"Por isso Portugal aceitou este convite para presidir a este grupo de contacto que basicamente une os sete países mais ricos do Mundo, o G7, um conjunto de outros países europeus, asiáticos e americanos e os 14 países que fazem parte da grande região do Golfo da Guiné, para que possamos trabalhar em conjunto para aumentar a segurança marítima nessa região", realçou.

Augusto Santos Silva recordou que "metade das importações portuguesas de petróleo provém da grande região do Golfo da Guiné (Angola e Nigéria)" e apontou as duas principais dificuldades para a segurança daquela parte do globo.

"Há dois principais problemas ao desenvolvimento da segurança marítima no Golfo. O primeiro problema é a instabilidade política: a região ainda se caracteriza por um nível de instabilidade que não é desejável. Tem sido feito um esforço nos últimos anos, no conjunto dos países, para aumentar a estabilidade, mas temos todos que reconhecer que as ameaças que enfrentam os estados no Golfo da Guiné são ameaças muito fortes e muito assimétricas", explicou o ministro, dando como exemplo a luta da Nigéria contra "o grupo terrorista Boko Haram".

A segunda grande dificuldade, salientou, "está ligada à falta ou à menor capacidade quer das instituições quer do ponto de vista dos aparelhos e forças de segurança".

"Por isso é que, além deste esforço que faz no domínio multilateral, no plano bilateral Portugal tem desenvolvido acordos de cooperação - nomeadamente com São Tomé e Príncipe e Cabo Verde - para a capacitação das forças de segurança e temos uma cooperação muito estreita com o Estado angolano", apontou o ministro português.

Além de representantes do G7 e dos 14 países do Golfo da Guiné participam na reunião a Bélgica, a República da Coreia, a Dinamarca, a Espanha, a Noruega, os Países Baixos, Portugal e a Suíça, assim como a Austrália, o Brasil, a Grécia, a Turquia e o Uruguai, enquanto observadores. A União Europeia, o Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC) e a Interpol também têm representantes no encontro.

NVI // APN - Lusa

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