sábado, 23 de julho de 2016

CAMBALACHO AQUI, CAMBALACHO ALI… ASSIM É A POLÍTICA E A ASCENÇÃO NA BOA VIDA

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Mário Motta, Lisboa

De ontem há a referência no PG ao cambalacho da CNE em S. Tomé e Príncipe (ver post a seguir). Claro que os das lavagens dos cambalachos chamam enganos involuntários a estas “coisas”. Só podem, salafrários que são. De cambalacho em cambalacho os que têm sucesso tomam por sua a ascenção na boa vida. Depois é vê-los, de papo cheio e contas bancárias recheadas. Por vezes tão recheadas que recorrem aos chamados paraísos fiscais que são aqueles ao mesmo estilo dos criminosos receptadores dos vulgares ladrões.

Os cambalhachos são tramóias, vigarices, praticadas por Chicos Espertos que, dependendo dos resultados positivos lhes ganham o gosto e até se viciam nisso, nas vidas fáceis que lhes proporcionam vantagens de vários tipos.

Se ontem aqui foi abordado o cambalacho nas eleições de S. Tomé, hoje vem a propósito um cambalacho português, entre milhentos. A “vedeta” é Miguel Relvas, que queria e quer ser doutor (que não da Mula Ruça) à viva força, sem dar de bandeja o seu vício nos cambalachos. Só por isso, pela sua luta em defesa do direito dos cambalachos para alguns “notáveis” como ele, o PR Marcelo devia condecorar o calambacheiro Relvas.

Conversa feita, para situar e por aqui se poder desopilar um pouquinho, vem a propósito lauda do Público assinada por Ana Henriques. É que Miguel Relvas não é doutor, não se licenciou (estou farto de perguntar sem que me esclareçam: o meu cão tem licença, também é doutor? Doutor não é quem concretiza o doutoramento? Então porque existem tantos doutores sem o serem?) E então o que fazer às imensas placas de inaugurações de Relvas em que indevidamente o calambacheiro é definido por doutor? Como repor a correção, a verdade, a honestidade no assinalar do ato de inaugurar?

É essa a abordagem no Público. A quem compete apagar o “doutor” usurpado por Relvas? Ao Estado? Às instituições que nas suas instalações têm por lá a placa inaugurativa que refere a vigarice?

Decidam-se, mas apaguem o cambalacho que consta. Há realmente doutores que são uns grandes vigaristas, mas não é o caso de Relvas, que é somente vigarista. (MM / PG)

Significado de cambalacho: Plano com intenção de enganar alguém; tramóia, conluio; Transação fraudulenta; negociata, trapaça… (imagem em baixo com dois exemplos que referem a "obra" de Relvas)




Que fazer às placas do tempo em que Relvas era doutor?

Ana Henriques - Público 

Blogue Má Despesa Pública lança campanha para que título académico de ex-ministro seja apagado. Ex-ministro vai recorrer de sentença que lhe tirou licenciatura.

O blogue Má Despesa Pública lançou uma campanha destinada a corrigir as placas de inaugurações feitas um pouco por todo o país pelo ex-ministro Miguel Relvas que o apelidam de “doutor”. O antigo governante do PSD perdeu a licenciatura que lhe tinha sido dada pela Universidade Lusófona no final do mês passado, por decisão de um tribunal, quatro anos depois de se ter descoberto que tinha feito uma das disciplinas do curso apenas com base na discussão oral de sete artigos da sua autoria, publicados em jornais, e sem mais nenhum exame.

“Algo que tape o ‘dr.’ basta, de forma a que seja reposta a verdade”, dizem os autores do blogue, que não querem fomentar aquilo que eles próprios criticam com veemência: os gastos públicos injustificados. Entre pavilhões desportivos, câmaras municipais e lares de idosos, por exemplo, é extensa a lista de edifícios públicos agraciados com placas de todos os tipos a atestar a qualidade académica do inaugurador. Algumas delas antecipam até a licenciatura em vários anos, uma vez que foram descerradas anos antes de Relvas terminar os estudos na Lusófona, o que só sucedeu em 2007 . Em Lagoa há uma placa nos Paços do Concelho a recordar que “sua excelência o secretário de Estado da Administração Local, dr. Miguel Relvas” por ali passou em 2004. O mesmo sucede na sede da Junta de Freguesia de Antas, em Esposende, inaugurada em 2003.

“A nossa placa foi feita com letras chumbadas. Não tenho forma de a rectificar a não ser enviando-a novamente para a fábrica – e isso, sim, seria má despesa pública. Só o faríamos se um tribunal o ordenasse”, reage a presidente da Câmara de Alvaiázere, Célia Marques, eleita pelo PSD. Aqui, o ministro teve a honra de descerrar a placa de um pavilhão desportivo em 2012.

Um dos autores do Má Despesa Pública, Rui Oliveira Marques, não acredita que a maioria das entidades que o blogue irá contactar venha a responder-lhe de forma positiva, por forma a “reporem a verdade” e a  “higienizarem o espaço público”. Mas isso não o demove. De resto, explica, a ideia partiu de um leitor do Má Despesa Pública, que lhes chamou a atenção para a quantidade de placas alusivas a Relvas existentes no distrito de Santarém, região à qual o antigo governante tem fortes ligações.

O centro escolar Luís Ribeiro Pereira, em Ferreira do Zêzere, também tem uma destas placas, descerrada em 2012. O acrílico que a reveste estalou e já teve de ser substituído, conta a sua coordenadora, Maria da Luz Martins, que não percebe por que motivo os títulos académicos constam quase sempre deste tipo de distinções solenes. Corrigir ou não o que se tornou há menos de um mês um erro depende da autarquia, salienta a educadora, que observa ainda que “haverá muitos casos idênticos” país fora. O Provedor da Santa Casa da Misericórdia de Mação é dos que vai esperar para ver antes de decidir se faz alguma coisa à recordação da ida do "Dr." Relvas ao novo lar da terra: “Teremos de nos inteirar do assunto para ver se tomaremos ou não alguma decisão”.

Em Antas, o presidente da junta, Viana da Cruz, não se mostra preocupado, embora admita que tem sentido rectificar o que deixou de ser verdade: “Tenho coisas mais importantes em que pensar”. Miguel Relvas vai recorrer da decisão do tribunal que lhe tirou a licenciatura.

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