quarta-feira, 1 de março de 2017

São Tomé e Príncipe. MLSTP denuncia vícios no recenseamento eleitoral de raiz

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A polémica está instalada no processo de recenseamento eleitoral de raiz que iniciou-se no último sábado. Tudo por causa de duplas inscrições. O MLSTP maior partido da oposição, visitou a base de dados da Comissão Eleitoral Nacional, contactou com os técnicos e detectou várias duplicações de nomes no registo eleitoral.

A polémica ganha proporções preocupantes, porque na passada sexta – feira, numa conferência de imprensa o Presidente da Comissão Eleitoral Nacional, Alberto Pereira, garantiu que as duplas inscrições nos cadernos eleitorais, «eram um bicho-de-sete-cabeças cá em São Tomé».
Na conferência de imprensa, o Chefe da CEN, esclareceu que este bicho-de-sete-cabeças, seria eliminado através do recenseamento eleitoral de raiz, que iria começar no sábado. «Para nós essa é uma grande melhoria. Ainda ontem (quinta – feira) estivemos com os técnicos, que neste momento estão a preparar os equipamentos. Ficamos a saber que agora com o novo sistema dificilmente haverá duplas inscrições», declarou o Presidente da CEN.

Alberto Pereira, fundamentou porque razão as duplas inscrições já não teriam hipóteses no quadro do novo recenseamento eleitoral de raiz. «Porque o sistema vai estar ligado a uma Pen- drive e a uma base de dados. Logo que alguém se registar vai estar automaticamente na base de dados. Se no dia seguinte a pessoa tentar registar num outro posto ela vai ser detectada», frisou.


No entanto o partido MLSTP, que visitou a Comissão Eleitoral Nacional, para se inteirar do processo de registo dos eleitores, diz que detectou situações contrárias. «O sistema de registo dos eleitores não pode aceitar a duplicação de inscrições. Com isso queremos dizer que com uma impressão digital pode-se obter vários cartões de eleitores. Fez-se o teste e no posto de registo conseguiu-se constatar dois cartões de eleitores como pode ser três ou mais cartões», referiu Aurélio Martins Presidente do MLSTP.

O Presidente do MLSTP mostrou para a imprensa os dois cartões de eleitor pertencentes a uma mesma pessoa, e que foram feitos com base no novo sistema de registo.

Mais ainda, após diálogo com os técnicos portugueses que segundo Aurélio Martins estão a comandar as operações na base de dados da CEN, o MLSTP constatou que «em menos de 24 horas do recenseamento registou-se no servidor central mais de 16 duplicações de nomes. Ao longo de 5 meses de recenseamento quantas duplicações poderemos ter?», interrogou.

O MLSTP considera-se gato escaldado, por isso tem medo de água quente. «Para nós é grave tendo em conta o passado que tivemos, naquilo que foi as eleições de 2016, as presidenciais. A comissão permanente do MLSTP analisando todos esses factores achou que todo esse processo deve ter uma fiscalização internacional, uma auditoria internacional», pontuou.

Aurélio Martins garantiu que «o processo está a ser viciado e isso põe em risco todo o processo eleitoral que se avizinha no país».

Nas instalações da CEN, o MLSTP diz ter constatado que afinal de contas o sistema instalado não bloqueia nem elimina a dupla inscrição. Tudo depende da vontade e consciência do homem que administra a máquina. «O sistema não faz eliminação automática. É o homem responsável do servidor que faz ou não a eliminação daquilo que foi a duplicação», sublinhou, o Presidente do MLSTP.

Processo eleitoral são-tomense continua envolto em polémica.

Abel Veiga, em Téla Nón
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