segunda-feira, 12 de junho de 2017

UK GO HOME | Theresa May enfrenta onda de contestação interna

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Conservadores estão estarrecidos com o desastre da estratégia da primeira-ministra. Entretanto, Berlim faz saber que tem pressa nas negociações sobre o Brexit.

O Partido Conservador britânico está em completa ebulição: uma sondagem referida este fim-de-semana pela imprensa afirma que 59,5% dos conservadores aceitaria uma mudança de liderança, na sequência dos péssimos resultados das eleições antecipadas de 8 de junho passado, em que May trocou uma maioria absoluta por uma maioria simples. Mas a contestação não se fica por aqui: a forte pressão interna do partido já fez com que May tivesse de prescindir de dois dos seus mais próximos conselheiros – possivelmente os mais comprometidos com a decisão de avançar para eleições antecipadas.

May avançou rapidamente para uma coligação (ainda em estudo) com o Partido Democrático Unionista (DUP) irlandês e não colocou sequer a hipótese de não continuar à frente do partido. Mas o partido pode não ter assim tanta pressa, uma vez que sabe que a primeira-ministra aparecerá perante a União Europeia numa situação de fragilidade política que não agrada aos Conservadores.

Theresa May terá, por isso, uma semana difícil: gerir a formação do novo gabinete, ao mesmo tempo que tenta passar incólume pelas ondas de choque criadas no interior dos conservadores. May enviou Gavin Williamson, responsável pela disciplina parlamentar no Partido Conservador, a Belfast para negociar com o DUP os detalhes do acordo entre as duas formações, que deverá estar hoje em discussão em Londres.

Merkel com pressa

Entretanto, a chanceler alemã Angela Merkel quer que as negociações sobre o Brexit evoluam rapidamente: “estamos prontos para as negociações, queremos ser rápidos e que o calendário seja respeitado”, disse, à margem de uma visita oficial que efetuou ao México. Merkel salientou que os europeus estão prontos para as negociações e que por isso não vê razão para que elas não avancem rapidamente.

Merkel disse que, de qualquer modo, e com a saída dos britânicos da União Europeia, o governo de Berlim quer manter uma boa relação com Londres: “a Grã-Bretanha é parte da Europa; embora deixe de ser parte da União Europeia, continua a fazer parte da NATO e temos muitos desafios em comum”, enfatizou.

António Freitas de Sousa | Jornal Económico

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