sábado, 20 de janeiro de 2018

GUINÉ-BISSAU | Famílias de políticos assassinados insurgem-se contra Carlos Gomes Júnior


Afirmando que o ex primeiro-ministro tem as “mãos sujas de sangue”, os familiares de Nino Vieira e de outros políticos e militares assassinados em 2009 enviaram carta ao PGR exigindo que seja feita justiça.

Os familiares de dirigentes políticos e militares guineenses assassinados em 2009 insurgiram-se, numa carta dirigida ao Procurador-geral da República, contra o regresso ao país do ex-primeiro-ministro Carlos Gomes Júnior.

Em carta a que a Lusa teve acesso, os familiares do ex-Presidente "Nino” Vieira, do ex-chefe das Forças Armadas Tagme Na Waié e dos ex-governantes Hélder Proença, Baciro Dabó e Roberto Cacheu acusam Carlos Gomes Júnior de ter fugido de procedimentos judiciais em Portugal quando foi viver para Cabo Verde, na sequência de uma alegada carta rogatória do Ministério Público guineense enviada à justiça portuguesa, com o intuito de o inquirir sobre os assassínios em Bissau. Para estes familiares, os mortos "precisam que lhes seja feita justiça".

"Carlos Gomes Júnior é um homem de mãos sujas de sangue do general João Bernardo 'Nino' Vieira, general Tagme Na Waié, major Baciro Dabó, Helder Proença, e Roberto Ferreira Cacheu", lê-se na carta.

Esta é uma ação que surge na sequência do regresso à Guiné-Bissau do antigo primeiro-ministro, Carlos Gomes Júnior, que estava exilado em Portugal, desde 2012, quando sofreu um golpe de Estado. No entanto, os mesmos familiares esclarecem que não são contra o regresso do ex-primeiro-ministro ao país, apenas querem que ele seja levado à justiça.

"Consciência tranquila"

Carlos Gomes Júnior, hoje recebido em audiência pelo Presidente guineense, José Mário Vaz, disse estar de "consciência tranquila" e pronto para responder à justiça se for convocado. "Se houver alguma coisa da qual sou passível de responder à justiça, porque não", respondeu Gomes Júnior, em declarações aos jornalistas.

Lusa em Deutsche Welle

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