sexta-feira, 16 de março de 2018

Venezuela | NA PRAÇA DE LA GUAIRA


Martinho Júnior | Luanda 

Na praça de La Guaira, do alto dos seus pedestais, olhos imortais virados a sul questionam gerações e gerações que se lhes seguem, perscrutando quanto seremos merecedores de seus legados sincrónicos, das pedras filosofais lançadas como sementes de civilização por seu génio na América, com os espelhos possíveis em pleno século XXI.

Assim é, por que sorver dessa existência no espaço e no tempo, é de facto um imperativo para agora e para o porvir!

Os olhares de Bolivar e de Chavez, esbatidos pelo horizonte do Caribe, cruzam-se vocacionados para a Pátria Grande e mergulham abruptos, no âmago dos ciclópicos Andes, escorrendo vertigens, sem fronteiras, pela sua coluna vertebral até à longínqua Patagónia austral.

Quantos deverão responder a esses olhos cintilantes de história, de emoções precoces e tão legitimamente inquiridores?

Haverá algo que os possa vencer ou subjugar, a esses olhos telegráficos, ávidos de futuro?

Que inquietações eles fecundam, quando tantas justas interrogações se suspendem no ar?

Seguindo a trilha mobilizadora da trajectória desse olhar, apreendemos onde está o que é da civilização e o que à barbárie pertence, avaliaremos quão decisiva será a integração face a quem tudo tem feito para dividir, balancearemos o que é do progresso e do respeito para com o homem e a Mãe Terra e o que de há séculos está inerente à degradação do homem e do planeta, entre o ser lógico e com sentido de vida e o poder do ter pujante da tantos lucros artificiosos e especulativos, em cada vez menos mãos, quando tudo se torna tão volátil e ameaçadoramente finito, à beira do abismo.

Os olhos de cada um que é chamado à alma transparente e lúcida da praça de La Guaira, são iluminados dessoutra luz perene entre as trevas, luz telepática, mas sensível, carregada de decisões de justiça e de paz, que se distende imparável e disponível por toda a América, por todo o mundo, num plasma vívido de solidariedade, de dignidade e de profundas convicções próprias do amor.

Para todos os efeitos, pela paz, pela civilização, pela lógica com sentido de vida, na praça de La Guaira, entre dois dos maiores da Venezuela, assume-se resolutamente um oxigénio sem equívocos, por que Pátria Grande, sendo-o, é por si, para aqueles que a entendem e a cultivam, prova de humanidade!

Martinho Júnior.- Luanda, 14 de Março de 2018.

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