domingo, 19 de julho de 2020

MEMÓRIA CINCO, DUM SEMPRE ACTUAL


Visitação às entranhas da IIIª Guerra Mundial, desde suas raízes

Martinho Júnior, Luanda 

01- No dia 3 de Janeiro de 2004, no nº 378 do “ACTUAL” foram publicados uma série de intervenções sobre o Congo, de que se destaca aqui “Mercenários no Congo, Operação Dragão”.

Antes de chegar à redacção o título dessa intervenção era justamente “Os mercenários da administração Johnson no Congo”, referindo-se aos anos de 1964 e 1965 naquele país, pois a saga de Frank Charles Carlucci, de Lawrence Devlin, ou de Maurice Tempelsman na região fez-se sempre com “correias de transmissão” e de veladas conexões nas práticas de conspiração, por que “a alma dos negócios, em segredo, não deixa de obrigar”!... (https://www.counterpunch.org/2005/01/29/tempelsman-s-man-weighs-in-on-the-murder-of-patrice-lumumba/http://www.suzanmazur.com/?p=131http://www.scielo.mec.pt/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1645-91992011000200003;  http://www.avante.pt/arquivo/1292/9203h1.htmlhttps://www.youtube.com/watch?v=8796v2nAfS0).

Desde a instauração do “Estado Livre do Congo” pela Conferência de Berlim, (que se realizou entre 15 de Novembro de 1884 e 26 de Fevereiro de 1885), que os mercenários tiveram a garantia de rédea-solta institucionalizada: o próprio Rei Leopoldo II por via dessa conferência, seria o primeiro dos mercenários reconhecidos pela sua vassalagem à aristocracia financeira mundial, instalada então nas duas margens do Atlântico Norte e, por tabela, na “praça-forte” em que se propiciava tornar o artificioso reino da Bélgica, praticamente desde os alvores férteis da revolução industrial! (https://pt.wikipedia.org/wiki/Confer%C3%AAncia_de_Berlimhttps://horadopovo.com.br/os-crimes-da-belgica-colonial-no-congo/).

O Rei Leopoldo II, “de bons ofícios”, (https://www.wook.pt/livro/o-fantasma-do-rei-leopoldo-uma-historia-de-voracidade-terror-e-heroismo-na-africa-colonial/58223) havia preparado a ementa colonial de antemão, com a Conferência de Bruxelas em 1875 e por essa razão, a aristocracia financeira mundial emergente, ao tutelar a revolução industrial ávida dos impérios coloniais, lhe entregou de bandeja a região-chave mais suculenta do continente africano, a da bacia do grande Congo, o 2º maior pulmão tropical da Terra!… (https://pt.wikipedia.org/wiki/Confer%C3%AAncia_Geogr%C3%A1fica_de_Bruxelas).

Os primeiros mercenários em África têm tudo a ver portanto com a partilha colonial do continente e por isso tudo a ver com o suplemento de barbárie que se iria fazer seguir à época em que o colonialismo se resumiu às feitorias costeiras, às caravanas de funantes que partiam para um desconhecido interior e ao período de tráfico de escravos típico do euro-centrista comércio triangular transatlântico, Europa-África-América! (https://paginaglobal.blogspot.pt/2018/05/rescaldos-dos-fantasmas-do-rei-leopoldo.htmlhttps://pt.scribd.com/document/51654850/Trab-Africahttp://pt.dbpedia.org/resource/Com%C3%A9rcio_atl%C3%A2ntico_de_escravos).

O rei-mercenário investiu na disseminação de mercenários a fim de levar a cabo uma exploração desenfreada para, sem olhar a meios, adquirir a baixo custo marfim, cera e borracha, na sequência da barbárie que já vinha de séculos antes, uma esteira que se estende aos nossos dias, saga após saga!... (https://medium.com/@mbrancaglione/ou-no-cora%C3%A7%C3%A3o-das-trevas-o-estupro-como-armas-de-destrui%C3%A7%C3%A3o-em-massa-a-servi%C3%A7o-do-necrocapital-49b9ab9d29ae).

Têm também tudo a ver ainda com a superestrutura ideológica “civilizada” (cinismo atroz) que foi utilizada: a máscara “envernizada” da cristianização do continente, fazendo até com que alguns dos exploradores fossem os próprios missionários (ainda a velha ordem da “dilatação da fé e do império”, que passou, com tradução aplicada, a ficar aos serviços dos processos tutelados pela aristocracia financeira mundial próprios da revolução industrial). (https://opais.co.ao/index.php/2019/04/05/sobre-a-igreja-catolica-e-a-escravatura-dos-africanos/https://frenteantiimperialista.org/blog/2019/10/20/reinterpretar-el-movimiento-de-liberacion-en-africa-i/;





Assim colonialismo, mercenarismo, racismo e cristianismo fizeram parte da mesma mescla imperialista declarada em África, desde os finais do século XIX até ao momento em que, com o fim da IIª Guerra Mundial, a emergência dos Estados Unidos, também à custa dos impérios coloniais (e sobretudo do império britânico), foi determinante para a descolonização institucional, “de bandeira”, a fim de favorecer o neocolonialismo por que deliberadamente nunca optaram fazer a descolonização mental!... (https://paginaglobal.blogspot.com/p/memoria-da-escravatura-e-da-sua-abolicao.htmlhttps://www.dw.com/pt-br/para-brit%C3%A2nicos-foi-o-fim-do-imp%C3%A9rio-e-o-in%C3%ADcio-do-estado-social/a-1462222http://www.scielo.mec.pt/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1645-91992011000200002).

O neocolonialismo em África vai de tal modo avançado, que o mapa político do continente “salvado” desde a partilha colonial, está “suavemente” (uma propositada ironia) a ser redesenhado ali onde as tensões entre culturas de nomadização e culturas de sedentarização se tornaram radicalizadas durante séculos: Sudão, Somália, Mali…(https://www.publico.pt/2002/07/28/jornal/a-guerra-perpetua-do-sudao-173190;  https://www.researchgate.net/publication/277757946_Guerra_e_Fome_na_Somaliahttp://www.pordentrodaafrica.com/cultura/a-expurgada-riqueza-do-mali-e-do-cinturao-sudanes).

É evidente que aqueles que vêem apenas em Franz Fannon a violência, condenam-na e por tabela a legitimidade histórica e científica de suas observações por que assim, velada ou abertamente, com maior ou menor consciência, assumem o ponto de vista colonial, ou o ponto de vista distante das elites, incluindo as que criaram a Declaração Universal dos Direitos Humanos, na confirmação enão na rejeição do mesmo sistema: (https://www.unidosparaosdireitoshumanos.com.pt/voices-for-human-rights/eleanor-roosevelt.html) negam que em África foi necessário levar a cabo a luta armada de libertação face à “dilatação da fé e do império” que se fez sentir por via da escravatura, do tráfico humano transatlântico, do colonialismo durante tantos séculos e do sistema que se tornou seu herdeiro e propiciou o neocolonialismo do século XXI!... (https://paginaglobal.blogspot.com/2020/06/martinho-junior-luanda-iii-guerra.html;  https://outraspalavras.net/descolonizacoes/reino-unido-endividou-se-para-proteger-escravocratas/?utm_source=newsletter&utm_medium=email&utm_campaign=o_melhor_da_semana_as_miragens_de_que_se_vale_a_ultradireita_precarios_de_todos_os_paises_uni_vos_boaventura_a_universidade_pos_pandemica&utm_term=2020-07-05).

Condenam Franz Fannon para esconder essas evidências “cristãs”, que “candidamente” se estendem nas cosmovisões dominantes até nossos dias, em nome da “civilização”, quando de facto são a continuidade das visões elitistas da barbárie! (https://paginaglobal.blogspot.com/2020/07/o-sul-saque.htmlhttps://www.africaeafricanidades.com.br/documentos/03042015.pdfhttps://actualidad.rt.com/actualidad/view/101181-caribe-pide-indemnizaciones-europa-esclavitudhttps://caricom.org/caricom-reparations-commission-steps-up-advocacy-for-reparatory-justice/).

… Enquanto a aristocracia financeira mundial se transferia para os Estados Unidos, conseguia o êxito da privatização da Reserva Federal e projectava tentáculos de exploração mineira, incluindo de petróleo e gaz, (também) por toda a África, foram de facto sendo montados (e isso faz parte das práticas de conspiração) os enlaces dos quais África, votada a ultraperiferia económica, a partir do momento que perdeu seus aliados do movimento de libertação, não consegue fugir! (https://www.dw.com/pt-002/cresce-o-n%C3%BAmero-de-mercen%C3%A1rios-em-%C3%A1frica/a-47992753).

Na década de 60 do século XX, a receita mercenária teve um constante incremento nas tentaculares vias armadas, com todas as suas aliciantes “terceirizadas”, livres de encargos maiores para as potências mandantes (a maior parte delas ex-potências coloniais) e escondendo a matriz dos mais perversos jogos coloniais, neocoloniais e até do “apartheid” e suas sequelas!... (https://www.monde-diplomatique.fr/1998/08/LINARD/3945https://www.monde-diplomatique.fr/2003/08/DOMINGUEZ/10303https://rebelion.org/el-ascenso-de-mobutu/).

…Hoje em dia são grupos islâmicos financiados pelo wahabismo que se disseminam por África, do Mali à Somália e a Moçambique!... (https://frenteantiimperialista.org/blog/2018/07/08/la-guerra-psicologica-del-imperio-de-la-hegemonia-unipolar-en-africa/https://paginaglobal.blogspot.com/2020/07/mocambique-principal-objectivo-do.html).

Iniciaram-se em “zona cinzenta” a perversidade das parcerias público-privadas de guerra afins à doutrina que chegaram aos nossos dias, conforme tantos exemplos que têm sido expostos conforme o exemplo dos acontecimentos na República Bolivariana da Venezuela! (https://actualidad.rt.com/actualidad/359601-trump-pasar-algo-venezuela-eeuu-involucrado).


03- As vias da escrita mercenária na direcção dos povos do sul, só começariam, tirando partido das novas tecnologias, a aparecer com o fim da Jugoslávia, a partir dos acontecimentos nos Balcãs, em revigorados moldes de camaleão desde o início do século XXI, desde o início da administração republicana de George W. Bush, aliás ela própria responsável pela gestação e criação do AFRICOM! (https://www.dn.pt/dossiers/mundo/ex-jugoslavia/cronologias/a-heranca-da-ex-jugoslavia--1051158.htmlhttps://www.voltairenet.org/mot2299.html?lang=fr).

Além do pendor das mensagens que de fora do continente africano são lançadas com o fito de formatar a mentalidade das elites, localmente o império tenta multiplicar os seus mercenários da escrita e afins através de vínculos inscritos nos processos das Organizações Não Governamentais que lhe são apensas, sensíveis e úteis! (https://paginaglobal.blogspot.com/2020/06/angola-obsessao-do-odio-pelo-odio.html).

A partir desse momento, as bandeiras africanas representativas das independências, as “terceiras bandeiras”, começam a ter a ver com neocolonialismo sem descolonização mental, por força do império da hegemonia unipolar, de seu cortejo de vassalos (sobretudo as antigas potências coloniais vocacionadas em “correias transmissoras”) e dos processos de moldagem capitalista neoliberal dos estados ditos “democráticos”, abrindo a “oportunidade” ao módulo das “democracias representativas” de feição, as que garantem espaço e artifício ao apregoado 4º poder (e derivados, com algumas Organizações Não Governamentais) para além da divisão nos outros três (executivo, legislativo e judicial), ou seja aos “jornalistas modernos”, ditos “independentes” que não são mais senão artifícios elitistas de guerra psicológica de maior ou menor intensidade contra os interesses e aspirações mais legítimas dos povos africanos!... (https://www.voltairenet.org/article210301.htmlhttp://razonesdecuba.cubadebate.cu/articulos/el-imperio-de-la-vigilancia-de-ignacio-ramonet/https://rebelion.org/la-pandemia-de-la-desinformacion-y-la-manipulacion/).

O “Maka Angola”, é próprio das tão dóceis quão (in)filtradas “sociedades civis”, continua a ser um mercenário da escrita ao sabor da cultura de divisões, cada vez mais divisões, as necessárias para vulnerabilizar, enfraquecer e confundir ainda mais as sensibilidades angolanas e africanas! (https://www.makaangola.org/2017/06/rafael-marques-de-morais-homenageado-pelo-national-endowment-for-democracy/https://www.ned.org/2017-democracy-award/rafael-marques-de-morais/http://www.wrongkindofgreen.org/2016/01/31/watch-the-cia-and-the-national-endowment-for-democracy/;

Quantas das intervenções de Rafael Marques de Morais alguma vez se preocuparam em minimamente honrar o passado e a história de África ou de Angola?...

Como o Maka Angola faz a inversão completa do sentido investigativo do Wikileaks e em proveito do quê e de quem senão do poder do império que instrumentaliza o próprio National Endowment for Democracy?... (https://www.makaangola.org/makaleaks/https://www.makaleaks.org/#/).

O que recolhe dos “trabalhos de campo”, que não é utilizado para publicação e porquê?

O que ele faz, além dum exercício que necessário seria constantemente comprovar e verificar, é tábua rasa dum passado que para ele praticamente não existe e por isso terá muita dificuldade em honrar, em nome duma “luta contra a corrupção” que persiste a cavalo nas premissas neoliberais injectadas no país com a contribuição, sem melhor alternativa e no seguimento do Acordo de Bicesse (http://paginaglobal.blogspot.com/2017/03/assimilacao-neocolonial-sem-precedentes.html), de um dos que acabou por ser o seu alvo dilecto, o Presidente José Eduardo dos Santos, ou seja: obedece a quem fez tudo para, a partir do império da hegemonia unipolar de cariz neoliberal, criar o sistema de interesses e conveniências afins em Angola, por esse modo tão facilmente manipulável! (http://paginaglobal.blogspot.pt/2017/12/angola-sob-os-impactos-do-capitalismo.html;

Rafael Marques de Morais arvora-se em paladino da “luta contra a corrupção” sem sujeitar a a terceiros as verificações e confirmações do conteúdo dos trabalhos que publica, trabalhos que por um lado não são susceptíveis de confrontação com outras apreciações sobre os mesmos temas ou temas próximos, por outro não dão espaço a qualquer tipo de contraditório ainda que esse contraditório possa ser fundamentado!... (https://paginaglobal.blogspot.com/2018/12/angola-redea-curta-para-os-mercenarios_9.html).

Um campeão dos “direitos humanos”, jamais apagaria da história o facto do movimento de libertação em África ter sido obrigado a lutar de armas na mão contra o colonialismo e o “apartheid”, precisamente por que só desse modo foi possível tornar-se num dos actores decisivos do resgate de direitos humanos jamais antes conseguido pelos povos africanos! (https://frenteantiimperialista.org/blog/2019/07/09/bajo-la-mirada-silenciosa-de-agostinho-neto/

A arma da colonização mental, reinterpretando (ou subvertendo) a história, a antropologia e a sociologia, persiste por via do mercenarismo das armas, ou de malparadas ideologias elaboradas às pressas em função de tráficos escuros ou semiclandestinos dos senhores das guerras e dos diamantes, de mentores ou intermediários de caos, de terrorismo e de desagregação, ou de contenciosos ainda mais malparados de “direitos humanos” manipulando sobre o abismo, ou de mercenários da escrita tornada guerra psicológica em função dos interesses, conveniências e manipulações dos processos dominantes, ainda que em jeito de “soft power” (a terapia neoliberal após o choque, conforme Naomi Klein), todos eles tentando filtrar até sensibilidades históricas que um dia integraram os esforços com armas na mão de libertação do continente do colonialismo e do “apartheid”! (https://www.youtube.com/watch?v=I1DCxpnqUzEhttps://www.voltairenet.org/article152056.html).

Esse esforço só se pode fazer apagando a história, ou pior ainda, subvertendo-a, quando as “democracias representativas” ficam sem forças para mais e se rendem ao “diktat” ideológico do império da hegemonia unipolar: a “democracia representativa” que nos leva a um 4º poder que não honra nem passado nem a nossa história, é determinado sobretudo pelas vontades dominantes que regem o carácter da própria globalização capitalista neoliberal, deixando de representar o sentimento da luta que está na raiz histórica e antropológica da sua própria razão de ser!... (https://jornalf8.net/;  https://jornalf8.net/2020/deus-no-ceu-neto-na-terra-sera-que-assim-esta-bem/https://outraspalavras.net/desigualdades-mundo/quinhentos-anos-de-solidao/).

A arma da colonização mental persiste ainda por via dos actuais mercenários da escrita e da comunicação em tempos de novas tecnologias, com ideias especialmente formatadas, que aparentemente estão em pleno apogeu em toda a África e América Latina (https://www.telesurenglish.net/analysis/National-Endowment-for-Destabilization-CIA-Funds-for-Latin-America-in-2018-20190403-0042.html), alguns deles fluentes “facilitadores” já penetrados de forma consolidada nos média oficiais “de referência” de cada país a fim de introduzir as ideologias das portas abertas que garantem, em nome da “democracia”, todo o tipo de mercenários das “economias de mercado livre” e da sua compatível subversão, atirando para as urtigas qualquer tipo de contraditório, em especial sobre os acontecimentos considerados “mais quentes” da história do movimento de libertação em África! (https://www.club-k.net/index.php?option=com_content&view=article&id=6329:reginaldo-silva-boicotado-na-tpa&catid=8&lang=pt&Itemid=1071https://www.youtube.com/watch?v=0QxMXwpePwk).

Em Angola não se está a fugir à regra e só alguns daqueles que assumiram a descolonização mental por via de convicções e práticas inerentes ao movimento de libertação e com uma cultura própria ao longo de toda a sua vida, se podem demarcar desse tipo de teias que o império tece pela calada dos seus fluxos, sem descolonização mental, mas “com a boca no trombone” por todos os seus meios, fortalecendo de facto veladamente o papel do AFRICOM e da obsoleta NATO por todo o continente!... (https://www.voaportugues.com/https://www.dw.com/pt-002/not%C3%ADcias/s-13918).


04- Há quem não vai mesmo engolir a pílula dum Rafael Marques de Morais (pago pelo National Endowment for Democracy), dum Folha 8, ou dum “paladino de democracia” como Reginaldo Silva, para evocar alguns dos “expoentes” da “imprensa independente” angolana contemporânea! (https://www.ned.org/region/africa/).

Há quem também avalia quanto o mercenarismo da escrita acompanha o ritmo e as fluências do crescimento de seitas religiosas como as que preenchem a “teologia da prosperidade”, fenómenos contemporâneos por vezes com “pontes” ideológicas próximas (por exemplo, os traços de fundamentalismo), tendo em conta que os espectros humanos de mobilização (as audiências), têm muito em comum (substractos urbanos e suburbanos de pequena e média burguesia, com aspirações sociopolíticas ainda que com bases de escolaridade mínima, ou média, aptos à formatação mental, ou seja à colonização mental que inclui processos “transversais” de assimilação, incluindo na via dos fenómenos característicos da religiosidade)!... (https://pt.wikipedia.org/wiki/Teologia_da_prosperidadehttps://pt.wikipedia.org/wiki/Igreja_Universal_do_Reino_de_Deus).

As avaliações estendem-se ainda às apreciações de quanto o capitalismo neoliberal tem capacidades acrescidas de alterar seus conteúdos de mimetismo, inclusive os de natureza da antropologia cultural (verifique-se a relativa “ligeireza” na escolha, abordagem e tratamento dos temas, por via destes exemplos – https://www.voaportugues.com/p/7166.htmlhttps://www.dw.com/pt-002/not%C3%ADcias/s-13918), para proteger o que lhe é essencial: a continuidade de sua projecção de domínio sob a cobertura da “democracia representativa”, alargando a sua malha de influência e de mobilização, assim como a sua malha “soft power” de tensão!... (https://outraspalavras.net/crise-civilizatoria/um-neoliberalismo-antiglobalista-e-iliberal/https://outraspalavras.net/geopoliticaeguerra/como-eua-fabricaram-o-marxismo-cultural/https://frenteantiimperialista.org/blog/2019/06/23/la-dialectica-como-arma-geoestrategica-del-imperio-de-la-hegemonia-unipolar/).

… Um fabricado conceito de democracia, ao serviço dos processos de domínio e explorando as “portas escancaradas” de África a fim de formatar definitivamente o cérebro dos africanos, se possível com a contribuição de alguns dos próprios africanos! (http://biblioteca.clacso.edu.ar/clacso/formacion-virtual/20100715085933/cap23.pdfhttps://www.scielosp.org/article/csc/2007.v12n6/1491-1504/https://frenteantiimperialista.org/blog/2020/06/26/descolonizacion-mental-y-prueba-de-vida-y-de-amor-por-la-humanidad/).

… Todo esse estado de barbárie obsoleta realça a agravante: enquanto a irracionalidade animal por si própria não coloca em causa a sustentabilidade animal e a sustentabilidade ambiental de que faz parte, garantindo a evolução das espécies de acordo com as potencialidades naturais, a irracionalidade humana de que as sistemáticas práticas de conspiração que de há séculos fluem por África são exemplo gritante, contribuem com todo o peso para levar à insustentabilidade a Mãe Terra nos termos de garante da vida tal qual a conhecemos!

Martinho Júnior -- Luanda, 12 de Julho de 2020

Imagens: 
01- As estátuas do rei-mercenário e genocida colonial Leopoldo IIº, até de Antuérpia, a cidade onde está sedeada a Bolsa de diamantes que tanto tem a ver com o colonialismo, o neocolonialismo, as “guerras dos diamantes de sangue” e os tráficos de sempre manipulados pelo cartel, estão a ser retiradas da visibilidade pública e, (em sua defesa), a ser colocadas em museu “esconde vergonhas”; descolonizadas as praças públicas, resta fazer a descolonização mental – https://www.tsf.pt/mundo/antuerpia-retira-estatua-do-polemico-rei-leopoldo-ii-12294413.html;
02- A intervenção “Mercenários no Congo, Operação Dragão” que se segue com o título original; nº 378 do semanário “ACTUAL”, com data de 3 de Janeiro de 2004;
03- A ascensão de Mobutu, ou a construção dum Congo em que o primeiro mercenário era o seu projectado presidente-ditador, declarado inimigo do MPLA e duma Angola independente fora da órbitra neocolonial – https://www.investigaction.net/fr/de-lumumba-a-mobutu-la-marche-de-la-dictature/;  
04- Os mercenários que são filtrados pelo BILDERBERG em Portugal, assumem uma plataforma que é ao mesmo tempo uma “correia de transmissão” política, económica, financeira, militar e dum 4º poder “fazedor de opinião”; o BILDERBERG “português”, como bom mercenário, influencia todo o espaço lusófono e, de projecção em projecção, tem que ver até com a projecção de António Guterres para Secretário-Geral da ONU; “em tempo de ditadura, reuniões secretas são um acto de coragem, em tempo de democracia, são um acto de cobardia” –   https://crimedigoeu.wordpress.com/2015/11/10/os-planos-de-bilderberg-para-portugal/;https://www.wook.pt/livro/os-planos-bilderberg-para-portugal-rui-pedro-antunes/16936745
05- Em Angola há conhecimento público que Rafael Marques de Morais é um premiado mercenário da escrita, à falta dum representante do Bilderberg (por razões que Francisco Pinto Balsemão jamais explicou, nem jamais vai explicar, não os há em África) – https://www.club-k.net/~clubknet/index.php?option=com_content&view=article&id=28107:eua-angolano-indicado-para-os-awards-da-democracia&catid=8&Itemid=1071&lang=pt.


OS MERCENÁRIOS DA ADMINISTRAÇÃO JOHNSON NO CONGO

A Administração de Lyndon Johnson sucedeu à Administração do malogrado John F. Kennedy, que havia tentado uma política externa distinta dos Estados Unidos em relação ao nascente Nacionalismo Africano, ainda que tivesse o ónus da Administração anterior, de Eisenhower, estar comprometida com o assassinato de Patrice Lumumba no Congo.

A aristocracia financeira mundial parece não ter perdoado a John F. Kennedy essa e outras ousadias, pelo que a Administração de Lyndon Johnson caracterizou-se pela aplicação, no espírito e à letra, das políticas de continuidade e até mesmo de aprofundamento da exploração das riquezas naturais no Congo, responsabilizando-se pelo combate ao movimento de libertação e pelas condições de ascensão do regime de Mobutu.

Os Estados Unidos, após o assassinato de Patrice Lumumba no Congo, empenharam-se seriamente na construção dum regime dócil, acabando por se tornar na potência mais influente na vida política congolesa, onde ficaram a pontificar homens como Kasavubu e Mobutu, substituindo o papel da potência colonial, a Bélgica e instituindo regimes que nada tinham de democráticos, muito menos de identificação com os interesses mais legítimos do povo congolês, irremediavelmente atirado para um subdesenvolvimento misto de exclusão e marginalidade.

O combate ao movimento de libertação no leste do país, liderado por Pierre Mulele, tornou-se no cadinho que havia de propiciar, primeiro a possibilidade do seu enfraquecimento paulatino, através de sucessivas jogadas políticas fundamentalmente interpretadas por Joseph Kasavubu, depois a sua derrota através duma poderosa coligação de forças que foram estabelecidas em reforço do Exército Nacional do Congo que tinha como Chefe do Estado Maior, Mobutu, (o que esteve na base das condições de sua ascensão política, com o golpe de estado de finais de 1965).

Enquanto esse imenso trabalho de influência, ingerência e saque das riquezas naturais, foi sendo paulatinamente aplicado ao Congo, em África a diplomacia americana trabalhava intensamente para reduzir os efeitos do Nacionalismo Africano, na maior parte das capitais dos países onde se haviam instalado aqueles que procuravam trazer mais honra, dignidade, liberdade, igualdade e justiça social, para os povos de África, submersos pelo colonialismo, na época crucial da descolonização.

Philippe Chapleau e François Misser, em « Mercenários SA », referem-se assim àqueles momentos decisivos no Congo:

“Começou tudo em 1964, um ano após o final da secessão Katanguesa.

Face à rebelião dos guerrilheiros mulelistas, os irredutíveis simbas (leões, na língua swahili) dirigidos no Kivu por Laurent Kabila (o actual Presidente do Congo), Tshombé promovido a Primeiro Ministro do Congo Leopoldville lançou um apelo aos seus velhos cúmplices: Mike Hoare que Dénard considera como o homem da CIA, o próprio Bob, Schramme e Tavernier, que à frente do seu 14º Batalhão comando pacifica a região de Watsa.

Desta vez os africanistas têm uma originalidade.

No Batalhão Léopard, testemunha Schramme, um homem de igreja, ocupa-se com efeito do reconhecimento: um certo Louis O., missionário flamengo, um antigo da Frente Leste.

Os fieis Noddyn e Bracco estão sempre lá.

O Coronel Vandewalle comanda a Operação Ommegang sobre Stanleyville, onde milhares de expatriados são reféns dos simbas.

Antigos homens da Wehrmacht, como o Major Siegfried Mueller, condecorado com a Cruz de Ferro na Frente Russa, completam o efectivo.

Para coroar tudo, a CIA engaja pilotos cubanos anticastristas e comandos da marinha, recrutados na África do Sul e na Europa.

Adquiriu também vedetas, a fim de atacar a partir do lago Tanganika, os rebeldes de Kabila e cortar desse modo as suas linhas de aprovisionamento, de acordo com uma obra colectiva que foi prefaciada por Sean Mac Bride” (trata-se de “Dirty Work , the CIA in Africa”).

“Para assim proceder, a Agência recorre a uma sociedade écran , a Western International Ground Maintenance Organization (WIGMO), baseada no Liechtenstein.

No efectivo recrutado, encontra-se de tudo, incluindo jovens desafortunados e alguns psicopatas: Burlion recolhe testemunhos de mercenários, segundo os quais haviam sido queimados vivos rebeldes e até da colecção de cabeças de mortos propriedade dum soldado da fortuna” … (trata-se do autor Jacques Burlion, que escreveu o livro “Moisés Tshombé abandonado”) “o próprio Hoare tem um edificante discurso, no seu regresso do Congo, conforme uma entrevista por si dada ao quotidiano la Libré Belgique, de 15 de Dezembro de 1965: matar comunistas é como matar vermes. Matar Nacionalistas Africanos é como matar animais. Não gosto de uns, nem de outros”.

Os mais de 800 soldados da fortuna constituem o ferro de lança do Exército Nacional do Congo (ANC) e jogam um papel decisivo na reconquista do Leste do Congo”.

A 5 de Setembro de 1965, os “simbas” conseguiram alastrar a sua acção a todo o leste do Congo e em Stanleyville colocaram como reféns os expatriados residentes na cidade, tentando desesperadamente, desse modo, forçar às negociações com as autoridades do Governo de Leopoldville.

Essa desesperada acção resultou na decisão, por parte dos americanos e dos belgas, do desencadeamento da “Operação Dragão Vermelho”, a realizar a 24 de Novembro de 1965, no preciso momento em que as unidades mercenárias estariam às portas de Stanleyville e Paulis (hoje Isiro), alegadamente com o fim humanitário de libertar os reféns.

Para o efeito os Estados Unidos, de acordo com os dados fornecidos pelo “site” conhecido como “Federação dos Cientistas Americanos”, forneceram 14 Lokeed Hércules C-130, que fizeram desembarcar um Batalhão a 550 homens, paraquedistas belgas, que foram transportados para o local da acção a partir duma distância de 11.500 km.

Foi com esses homens que em três dias Stanleyville e Paulis foram tomados, ou seja, os dois principais bastiões dos rebeldes congoleses no leste, ainda que na ONU algumas vozes se levantassem contra a intervenção ocidental.

A acção teve duas consequências políticas principais no Congo e à escala global:

- Em relação aos rebeldes nacionalistas, o desmoronamento da sua resistência que passou a ser feita em pequenas bolsas espalhadas pelo leste do país, assim como o asilo no Cairo de homens da envergadura de Gbenye e Soumialot. É também nessa altura que os internacionalistas cubanos da Coluna Um abandonam em definitivo o Congo.

- Em relação ao Governo de Leopoldville , o eclipse político de Moisés Tshombé e a ascensão de Mobutu ao poder através dum golpe de estado em finais de 1965, de forma a garantir a continuidade da rapina da riquezas naturais do Congo em função dos interesses dos países desenvolvidos do norte, particularmente os Estados Unidos e de acordo com os próprios interesses da aristocracia financeira mundial, tutora do essencial da grande indústria na América do Norte e Europa.


O povo congolês ficaria assim, por muitos anos, completamente à margem de usufruir de benesses provenientes das enormes riquezas naturais do país, esmagado por aqueles que neutralizando o movimento de libertação no Congo, impunham a África a receita amarga dum neocolonialismo que dava apenas continuidade à fragilização das culturas africanas e mantinha o estado crónico de subdesenvolvimento por todo o continente.

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