O Ministério da Defesa divulgou as conclusões de um estudo tendo por base inquéritos preenchidos por cerca de 135 mil jovens portugueses, dos dois sexos, na faixa etária dos 18 aos 20 anos, que participaram no Dia da Defesa Nacional – 2022. O referido documento, da autoria de Vasco Hilário e António Ideias Cardoso, identificava 16 temas, sobre os quais os jovens teriam de atribuir graus de importância para as suas vidas.
Duarte Caldeira* | AbrilAbril | opinião
Entre os referidos temas, incluía-se a «participação e cidadania», a par com «família/amigos», «educação/formação», «saúde» e outros.
Entre todos os temas propostos, o que menos interesse mereceu dos jovens inquiridos foi, precisamente, a «participação e cidadania», que obteve a escolha de menos de dois mil (1,4%) dos 135 mil que responderam ao inquérito. O tema mais escolhido foi a «família e os amigos», com 51,8% das respostas.
O resultado desta investigação está em linha com as conclusões de outras, centradas nas opções do universo juvenil, e que remetem as temáticas da participação cívica para uma menor atenção e adesão da parte dos jovens portugueses.
A este facto não são alheios múltiplos fatores. Desde logo, uma quase total ausência de medidas de políticas públicas direcionadas a este importante setor da população, nomeadamente: falta de apoio ao associativismo popular; inexistente estratégia de desenvolvimento do voluntariado juvenil – em especial nessa verdadeira escola de valores, aprendidos e praticados, que são os Bombeiros Voluntários; inexplicável hesitação na promoção da formação cívica, através dos currículos escolares, entre outras faltas de comparência dos poderes públicos.
Entretanto de
O resultado dos estudos que apontam para um generalizado desinteresse dos jovens pela participação e a cidadania, não surpreendem, mas são preocupantes.
É evidente que havendo problemas graves por resolver no contexto da realização dos projetos de vida dos jovens (precariedade e desemprego, bem como a dificuldade de acesso a habitação própria), a não resolução destes constitui motivo para o alastrar de frustração e do distanciamento dos jovens relativamente às causas coletivas, procurando no foco da família e dos amigos o maior grau de importância nas suas vidas, tal como exemplifica o estudo que comecei por citar.
Urge, pois, num país tão pródigo no delinear de estratégias – muitas delas apenas para figurarem nos rankings e relatórios para a Comissão Europeia ver – que se considere como uma prioridade a promoção da cidadania, em especial junto da juventude portuguesa, semeando neste estrato de população as bases para uma mais e melhor Democracia.
*O autor escreve ao abrigo do Acordo Ortográfico de 1990 (AO90)
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