quarta-feira, 14 de setembro de 2011

FNLA condena atuação da polícia e de juizes no tratamento de manifestantes detidos




NME - LUSA

Luanda, 14 set (Lusa) -- A Frente Nacional de Libertação de Angola (FNLA) condenou hoje "enérgica e veementemente" a repressão das forças policiais e "a postura assumida pelos juízes" no julgamento dos manifestantes detidos em Luanda num protesto contra o Presidente angolano.

A condenação vem expressa num comunicado final sobre a reunião, na terça-feira, da Comissão Política Permanente deste partido histórico de Angola.

Em declarações aos jornalistas, o porta-voz da FNLA, Ndonda Zinga, admitiu até a possibilidade de o grupo juvenil desta formação política poder vir a organizar ou fazer parte de uma manifestação para reclamar "a democratização dos órgãos do Estado e o fim das injustiças socioeconómicas".

"A JFNLA é um órgão autónomo deste partido, por isso pode vir a organizar ou fazer parte de uma manifestação, mas até ao momento isso ainda não foi dado a conhecer oficialmente ao partido", disse Ndonda Zinga.

No passado dia 03 de setembro, 24 pessoas, segundo a polícia e cerca de 50 segundo os organizadores, foram detidas na sequência de uma manifestação contra o Presidente angolano, José Eduardo dos Santos.

Dos detidos, 21 foram julgados e 18 condenados na segunda-feira a penas de prisão efetiva entre os 45 e 90 dias.

Entretanto, na quinta-feira, foram detidas mais três dezenas de pessoas, segundo a polícia, quando se manifestavam à porta do Tribunal de Polícia de Luanda em apoio aos jovens detidos a 03 de setembro.

Desses detidos, 27 começaram a ser julgados na terça-feira, mas a sessão do julgamento foi suspensa por irregularidades processuais, dado que os autos só continham a acusação a 11 arguidos.

Além da condenação da atuação das autoridades, a reunião extraordinária da Comissão Política Permanente da FNLA teve ainda como objetivo a apresentação do relatório sobre o envio e divulgação do Manifesto do Acórdão nº 135/2011 do Tribunal Constitucional, que confirma Lucas Ngonda novo líder do partido, alterando a decisão de 2008, que reconhecia Ngola Kabango como presidente.

No discurso de abertura do referido encontro, Ngola Kabango, ainda presidente deste partido, informou aos seus membros que a preparação do congresso, marcado para novembro próximo, está "na reta final".

"(...) uma tarefa a ser levada a cabo pelo partido, tornando-se imperioso o redobrar de esforços e determinação para barrar o caminho aos pescadores em águas turvas que tentam violar a legitimidade da FNLA", alertou Ngola Kabango aos seus membros.

Este diferendo no seio da FNLA data de há alguns anos, quando Lucas Ngonda criou uma outra ala deste histórico partido angolano, criando a divisão desta formação política, representada no parlamento por Ngola Kabango.

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