quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Brasil: DEMONSTRAÇÃO DE CIVISMO

 


Antonio Tozzi, Miami – Direto da Redação
 
São Paulo (SP) - Se há alguém com cacife para desafiar Dilma Rousseff numa possível reeleição, este homem atende pelo nome de Joaquim Barbosa. O relator do caso Mensalão conquistou a simpatia do povo brasileiro porque, pela primeira vez, o Judiciário está condenando “gente graúda”, como se refere o povão.
 
Agora que todos sabemos que José Dirceu é dez (dez anos e dez meses de prisão, dos quais só deverá cumprir 1/6 da pena em regime fechado), que José Genoíno vai poder cumprir a pena em regime semiaberto e Delúbio Soares, o tesoureiro do PT, de triste memória, também vai cumprir oito anos e 11 meses, parte dele em regime fechado, algumas vozes se levantam para condenar aquilo que todos sempre defenderam: a condenação de corruptos.
 
Os inconformados, como o presidente do PT, Ruy Falcão, e outros que estão acostumados a se lixar para a opinião do povo classificam de infâmia e injustiça a condenação do chamado núcleo politico do PT. O mesmo argumento foi usado por Dirceu que, em vez de pedir desculpas à Nação por seu esquema de distribuição de dinheiro público para compra de parlamentares, quer posar de vestal.
 
Os que não aceitam a condenação dos petistas dizem que não há provas concretas para se condenar os dirigentes do partido. Chega até a ser ingênuo. Desde quando corruptos e corruptores emitem nota fiscal por serviços prestados. Evidentemente, os juízes do Supremo Tribunal de Justiça tiveram de se valer de provas circunstanciais para punir aqueles que foram responsáveis pela malversação do dinheiro público.
 
Com exceção do nefando Ricardo Lewandowsky e do pau mandado Dias Toffoli, notoriamente ligado ao Partido dos Trabalhadores (sic), os demais juízes se valeram das declarações de Roberto Jefferson, de Marcos Valério e de outros envolvidos no escândalo, como as secretárias de Valério para punir os culpados. É mesmo muita cara de pau afirmar que tudo não passa de uma “orquestração da mídia burguesa inconformada com as derrotas nas urnas de seus candidatos”. Isto é querer jogar terra nos olhos dos outros.
 
Lamento muito que o PT, que fez sua fama graças ao discurso da integridade e da clareza dos objetivos, se tenha tornado um partido do mesmo naipe – ou até pior, porque enganou os incautos – daqueles a quem criticava. O mais novo exemplo trata-se de Gilberto Kassab. Pintado como o pior prefeito de São Paulo, está começando a ser visto com simpatia, após ter manifestado que apoiará a reeleição de Dilma Rousseff e açodadamente já empurrou seu partido (?) para a base aliada do governo.
 
Mas, voltando ao Mensalão, não entendo porque algumas vozes teimam em não aceitar a realidade. O que causa estranheza é maneira amorfa como a outrora combativa UNE (União Nacional dos Estudantes) vem comportando-se neste episódio. Por causa do recebimento de alguns caraminguás do governo para organizar congressos estudantis (leia-se festinhas de embalo, regadas a bebidas), torna-se cúmplice ao se calar uma hora em que as forças vivas da Nação deveriam solidarizar-se com o STJ. Sindicatos, Movimentos dos Sem Terra (MST), igrejas, todos calam-se, talvez sedados pela dose de realidade que os fez despertar do sonho irrealizável.
 
O estranho é ouvir os argumentos. “Eles lutaram pela democracia”, “eles enfrentaram a ditadura” e outras pérolas do gênero. Ora, mais um motivo para zelar pelo bem público e mostrar que, de fato, tínhamos um partido diferente. Mas, não. Eles preferiram o caminho da prevaricação, da vitória a qualquer custo, do esmagamento da oposição. Parece que conseguiram, no entanto, como vemos, foi uma vitória de Pirro.
 
Sobre aqueles que cobram as punições ao Mensalão do PSDB mineiro, uma boa notícia: o caso se desdobrará e certamente os envolvidos naquele escândalo deverão pagar pelo que fizeram. Afinal, a moralidade não escolhe partidos e/ou pessoas. Deve atingir a todos igualmente.
 
Agora, querer dourar a pílula é dizer que o núcleo petista é inocente é o mesmo que acreditar em Papai Noel. E o Mensalão foi tão contundente que ganhou até mesmo um caderno especial nos dois principais jornais de São Paulo: Estadão e Folha. A Folha de S. Paulo ainda fez questão de publicar seu editorial, saudando a moralização, na capa do jornal.
 
Para finalizar, vale lembrar que, ao contrário das chamadas entidades de direitos civis que calhordamente se omitiram neste momento, é fervilhante a indignação nas redes sociais, onde o povo exulta por ter sido feita a justiça. E que isto não seja uma exceção, mas, pelo contrário, transforme-se em parâmetro, a fim de diminuir o elevado índice de corrupção que domina o Brasil.
 
* Foi repórter do Jornal da Tarde e do Estado de São Paulo. Vive nos Estados Unidos desde 1996, onde foi editor da CBS Telenotícias Brasil, do canal de esportes PSN, da revista Latin Trade e do jornal AcheiUSA.
 

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