domingo, 2 de dezembro de 2012

Brasil: BEM-VINDOS OS IMIGRANTES

 


José Inácio Werneck, Bristol – Direto da Redação, em 29.11.12
 
Bristol (EUA) - Colho nos jornais duas notícias aparentemente desvinculadas mas na verdade muito ligadas. A primeira é que o novo presidente da CBF, José Maria Marin, afastou a possibilidade de um técnico estrangeiro assumir o comando de nossa seleção de futebol para a Copa de 2014.
 
A segunda, colhi no New York Times, numa reportagem que fala da grave situação econômica de Portugal. Lá, com foto e tudo, vem a notícia de uma jovem portuguesa, Mônica Alexandra, que está emigrando para o Brasil.
 
Como neto de imigrantes espanhóis e portugueses, desejo sucesso à Mônica. Mas, olhem nova coincidência: falei em imigrantes espanhóis e a atitude anti-imigratória da CBF atinge exatamente um espanhol, Pep Guardiola, antigo treinador do Barcelona, hoje passando um ano em Nova York.
 
A resistência à contratação de Guardiola ou qualquer técnico estrangeiro de futebol decorre do corporativismo dos treinadores brasileiros. Eles formam um fortíssimo lobby, argumentando que, como detentor de cinco títulos mundiais, o Brasil não precisa aprender nada com técnicos estrangeiros.
 
O curioso é que nossos técnicos são os primeiros a achar que países estrangeiros devem contratar brasileiros para dirigir suas seleções. Há muitos anos eles vivem treinando clubes e países pelo mundo afora, mas a verdade é que ultimamente sua sapiência não vem sendo muito apreciada no exterior. Há toda uma nova geração de técnicos europeus, como José Mourinho, André Villas-Boas, Joachim Low, Carlo Ancelotti e Pep Guardiola, para citar apenas alguns, que vem trazendo novas fórmulas táticas para o futebol, enquanto nossos treinadores continuam no ramerrão costumeiro.
 
Mas falemos da imigração em geral. Já escrevi aqui sobre a dívida que o Brasil tem com os imigrantes que escolheram nosso país e está na hora do governo brasileiro estabelecer regras menos burocráticas para atrair estrangeiros.
 
Isto é importante por dois motivos. O primeiro é que o índice de fertilidade da mulher brasileira caiu assustadoramente nas últimas décadas. A continuar a situação como está, em 20 ou 30 anos nossa população vai encolher.
 
A segunda é que há uma imensa necessidade de imigrantes qualificados em áreas de ciência, física, educação, química, mão de obra especializada, matemática, tecnologia. É uma necessidade ditada não apenas pelo crescimento de nossa economia (ao contrário do que ocorre na Europa) como pela precariedade de nosso ensino. O Brasil infelizmente não está produzindo quadros de trabalhadores qualificados para chegar a alcançar o nível de país do Primeiro Mundo.
 
Precisamos de imigrantes com alto nível de qualificação. Eles estão disponíveis na Europa. É de nosso interesse atrai-los.
 
* É jornalista e escritor com passagem em órgãos de comunicação no Brasil, Inglaterra e Estados Unidos. Publicou "Com Esperança no Coração: Os imigrantes brasileiros nos Estados Unidos", estudo sociológico, e "Sabor de Mar", novela. É intérprete judicial do Estado de Connecticut. Trabalha na ESPN e na Gazeta Esportiva.
 

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