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sexta-feira, 22 de julho de 2016

BORRIFE-SE PARA O POKEMON GO, GOZE AS FÉRIAS



Bom dia. Ricardo Marques serve o Expresso Curto de hoje. Bem servido, pelo menos em quantidade. Sendo assim não é curto. As férias são tema. Decerto que Ricardo também vai de férias e já esta a tomar balanço para mergulhar na praia do Magoito. E sabe nadar. Boas férias.

A cafeína está tão bem servida que vai acontecer ficarmos elétricos. Melhor. Assim poupamos na conta da EDP. Quem se lixa é o Melancia e os chineses donos da faísca. Uma venda de Passos que nos lixou e continua a lixar. Um Inimigo Público ressabiado, salafrário ao cubo. Outros Inimigos Públicos se perfilaram e perfilam com ele. Há um trio que se evidencia. Quem? Omessa! Passos, Cavaco e Portas. Os três da vidairada, Cocó, Ranheta e Facada.

A propósito - mas fora do Expresso Curto que vem já a seguir - há um título no PG que recomendo: “EXIJO QUE PASSOS COELHO E PAULO PORTAS SEJAM JULGADOS”. Eu também, nós também, milhões de portugueses também. Já agora, investiguem com profundidade Cavaco Silva. Aquela de ele próprio dizer que é muito honesto… Ali há coisa. Eventualmente. É que a maior parte dos vigaristas e dos malandros dizem todos aquilo e evocam as suas qualidades honestas por dá cá aquela palha. Sem fundamento, mas...

Bom dia. Bom fim-de-semana. Divirta-se e não seja estúpido. Borrife-se para o Pokemon Go. Stop! Goze as férias.

Carlos Tadeu / PG

Bom dia, este é o seu Expresso Curto

Ricardo Marques – Expresso

Vamos de férias, mas antes vamos falar

"... é necessário a quem reedifica a sociedade saber primeiro se ela quer ser desabada a pontapés de estilo para depois ser reedificada com adjetivos pomposos e advérbios rutilantes", Camilo Castelo Branco

Sim, o Parlamento e os passos perdidos vão ficando vazios, opaís já caminha para a doce dormência das tardes quentes de agosto e eis que, de repente, Marcelo interrompe por instantes a maratona olímpica de condecorações e mexe um dedo em Belém. Mas quererá alguém ir para a praia se houver tempestade? (nota mental: surpresa)

Ontem, o Presidente da República, provavelmente a pensar no outono fresco que aí vem, marcou dois dias de reuniõescom os partidos políticos (segunda-feira) e os parceiros sociais (terça-feira). Uma romaria de gente engravatada a caminho dos jardins frescos por onde passearam os campões europeus. A aprovação do próximo Orçamento de Estado e a contestação sindical, como nota o Expresso, estarão no topo da presidencial lista. O Público acrescenta um outro assunto -as temidas sanções europeias a Portugal - e recorda que esta é aterceira vez que se realizam encontros do género: aconteceu primeiro em abril, para discutir o Programa de Estabilidade e o Plano Nacional de Reformas, e de novo há cerca de um mês, para abordar as eleições regionais dos Açores (serão a 16 de outubro). (Nota mental: receio)

O convite presidencial é enigmático e no campo 'assunto' não vai além de um vago "situação política". Marcelo, o misterioso, esteve em Loulé para entregar uma medalha municipal à escritora Lídia Jorge (afinal, a maratona prossegue) e desdramatizou."Continuo a entender que eleições agora no futuro são as dos Açores, em outubro, e são as para as autarquias em outubro do ano que vem", afirmou, citado pelo Diário de Notícias. O oráculo consultado, o das sondagens, garante que nada mudou e, diz Marcelo, haver eleições em breve parece tão provável como haver petróleo no Algarve ou um Presidente português na Lua. Tempo calmo, portanto, para quem está à beira Tejo. 
(Nota mental: tranquilidade)

Pedro Passos Coelho, ao contrário, vê um céu carregado de nuvens e arrisca que vai começar a chover mais cedo do que o esperado. "Muito antes das autárquicas", disse, durante o Conselho Nacional do PSD. António Costa também anda preocupado e, segundo o resumo feito pelo Público da reunião do primeiro-ministro com o grupo parlamentar socialista, disposto a tirar consequências " se o Orçamento não correr bem". Só não disse quais. A relação entre os dois partidos não anda fácil e a não nomeação de Correia de Campos para a presidência do Conselho Económicos e Social surge como um inevitável ajuste de contas, como explica o Ricardo Costa. (Nota mental: confronto)

Quatro palavras para Portugal levar de férias: surpresa, receio, confronto, tranquilidade. No fundo, somos como um dia de verão. "Esta praia deserta afinal está cheia." "Conseguiremos encontrar lugar para o carro ou teremos de andar três quilómetros?" "Os miúdos da toalha ao lado desligam o rádio e param de dizer asneiras ou vou ter de me chatear e dar uma chapada a alguém?" "Bom, seja como for, sempre é melhor do que estar a trabalhar."

Surpresa, receio, confronto e tranquilidade. Não há pontapé que nos deite abaixo, nem aquele de que eloquentemente falava Camilo Castelo Branco, num curto texto escrito em São Miguel de Seide, junho de 1879, para as páginas que antecedem o primeiro capítulo de "Eusébio Macário", a incrível história de uma banal família portuguesa num Portugal de antigamente e que já não existe nos nossos dias. Pois não?

Nem de propósito, é o livro que o Expresso oferece amanhã.

OUTRAS NOTÍCIAS

O discurso do dia pertence a Donald. Soaram as “trumpetas” porque o agora oficialmente candidato do cabelo estranho falou ontem, finalmente – e nada disse de surpreendente. Esqueçamos o plágio da mulher, o golpe de Ted Cruz e a paródia em que se transformou a transmissão televisiva da convenção republicana (como estavam divertidos os pivots da CNN ontem à noite, "uma noite histórica", disseram). Trump falou. Os 45 minutos mais aguardados da semana, os três quartos de hora que há meses pareciam impossíveis. Nada mais errado. E Trump, o milionário empresário que tem em mente ser presidente, disse mais do mesmo. Até mais do muro de que fala há anos, alto, inexpugnável e pago pelos mexicanos (O Daily Mail fez as contas). Sim, com Donald na Casa Branca é que é, com ele é que vai mesmo ser: emprego, segurança e uma economia a crescer. Simples como só a política pode ser.

A rima do dia vem do Brasil. Esse Brasil dos presidentes mil.O ex que foi acusado, a suspensa que está encostada e o interino que ficou com o lugar dela. O Ministério Público, através de um procurador chamado Ivan Marx, acusou o ex-presidente Lula da Silva de obstrução à Justiça.

A jogada do dia foi feita ontem à tarde, quando aterrou nas redações o comunicado da Procuradoria Geral da Repúblicaque confirmava novas buscas no âmbito da Operação Marquês. Quase à mesma hora decorria em Bilbau uma partida de xadrez entre dois dos melhores xadrezistas do mundo. Nada mais apropriado para ler este artigo sobre a investigação mais importante da Justiça portuguesa que liga agora a banca a José Sócrates. Uma espécie dewww.OperaçãoMarquês.PT (isto não é um link)

A vitória do dia deu-se em Nova Iorque. António Guterressaiu na frente do pelotão após a primeira votação do longo (longo de meses, como se percebe espreitando aqui) processo que culminará com a escolha do novo secretário-geral da ONU. Na Foreign Policy, pode ler um artigo de análise sobre as hipóteses de cada candidato.

A derrota do dia deve escrever-se assim: поражение. As provas de atletismo nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro não vão contar com atletas da Rússia devido a um complexo esquema de doping que se arrastou durante anos e que envolve o governo e os serviços secretos. Mais recente é a investigação das autoridades brasileiras que, ontem, levou à detenção de dez suspeitos que preparavam um atentado terrorista.

A purga do dia é a dúvida da semana, e está ainda em curso na Turquia – onde se digere a tentativa falhada de golpe de Estado. Ontem, milhares de apoiantes do presidente manifestaram-se nas ruas. Depois dos mortos, das detenções, dos afastamentos e despedimentos, o presidente Erdogan anunciou ontem a suspensão da Convenção Europeia dos Direitos Humanos e decretou o Estado de Emergência para os próximos três meses. Neste artigo de opinião no Guardian, Farwaz A Gerger, professor na London School of Economics and Political Science, arrisca que a má situação atual pode ser pode ser a menos má de todas as situações possíveis.

A agenda do dia é espanhola, porque Filipe VI já preencheu o calendário político para a próxima semana. Segundo o El Mundo, o rei quer dar posse ao novo Governo no início de agosto. Com um pouco mais de tempo, pode tentar adivinhar o que se vai passar na hora do “a favor” e do “contra” com este simulador.

A revelação do dia vem de França. Em dose dupla. Vinte pessoas interrogadas por suspeita de terrorismo. Mohamed Bouhlel, o homem que acelerou um camião para assassinar 84 pessoas na promenade des Anglais, levou meses a planear o ataque de 14 de julho. A revelação foi feita ontem pelo procurador François Molins, que anunciou também a detenção de cinco alegados cúmplices. E está em curso uma investigação ao policiamento no dia do ataque.

A canção do dia é de Leonard Cohen, ligeiramente adaptada aos tempos que correm. Caso para dizer First we take Berlin…Then we leave Europe. Theresa May está em digressão pelas capitais europeias do poder. Há dois dias esteve reunida com Angela Merkel – e avisou que o processo de saída não arrancará antes do próximo ano. Ontem, deu um salto a Paris e jantou com François Hollande - para assegurar que o controlo fronteiriço na Mancha permanecerá em Calais.

A última edição da revista Veja chama-lhe “A Fera de Saltinho” e o artigo começa assim: “A nova primeira-ministra britânica, Theresa May, vai ter de fazer uma coisa que não queria, uma coisa que tentou e não conseguiu e, por fim, uma coisa que todos os políticos prometem mas nunca fazem”. A saber: a) sair da União Europeia; b) reduzir o número de estrangeiros provenientes de países europeus que se transferem para o Reino Unido; c) “É a vocês que vamos ouvir, não aos poderosos”, disse, dirigindo-se aos mais pobres. Ou então, como se lê aqui, nada disto faz sentido.

imagem do dia é a de um homem deitado no chão, de costas, com os braços no ar, numa estrada ao sol. Ao seu lado, sentado no chão, está um homem grande, autista, a brincar com um carro pequenino. Ali perto, atrás de um carro grande, estão dois homens com armas apontadas ao homem deitado. “Eu sou o terapeuta, e ele só tem um camião de brincar na mão”, gritou. Os dois atrás do carro dispararam e acertaram-lhe numa perna. Enquanto o algemavam, conta o homem que ficou ferido, ele perguntou a um deles: “Por que é que me deram um tiro”. “Não sei”, respondeu o da arma. Eles tinham farda, ele é negro. Eles são polícias, ele só queria acalmar o doente. A tal estrada é em Miami, nos Estados Unidos da América. Um país de mãos na cabeça com um problema que não vai desaparecer tão cedo.

A análise do dia vem pela mão de Jill Dougherty, antiga jornalista da CNN, correspondente de política internacional e especialista nos delicados assuntos da Europa de Leste. Nos últimos dois meses viajou pelo Báltico, pela Rússia e pela Georgia. Falou com políticos, diplomatas, taxistas e famílias que passeavam na rua, e de todos ouvia a mesma conversa. Quando voltou a casa, escreveu um artigo que foi publicado há três dias na Newsweek: “In Europe and Russia, there’s talk of war”.

Ao contraste do dia apetece dizer: tanto e tão pouco. Passou esta semana na rádio que uma delegação de empresários portugueses vai visitar a Etiópia em dezembro. No site da AEP - Associação Empresarial de Portugal, Câmara de Comércio e Indústria, lê-se que a Etiópia é uma referência em África. "Segundo o FMI, a Etiópia é um dos países que apresenta mais rápido crescimento económico do mundo, sendo o maior dos países africanos não dependentes do petróleo. (…) Recentemente, o país começou a recuperar, sendo na atualidade uma das maiores economias da África Oriental e Central".

Ora, na The New Yorker apareceu ontem um artigo sobre as rotas perigosas dos emigrantes etíopes. A história começa debaixo de um sol demasiado quente, numa aldeia no fim de um deserto que levou três semanas a atravessar. Sebhatou Mellis descansa debaixo de uma enorme árvore, a meio caminho da jornada que o há de levar, se tudo correr bem e escapar incólume à rota que atravessa um Iémen destruído por uma brutal guerra civil, até à Arábia Saudita. Saiu de casa depois de ter corrido mal um negócio que começara com apoio do Governo e espera-o uma vida de ilegal. “Parti para pagar as minhas dívidas, não para morrer. Mas se morrer, pelo menos liberto-me da pobreza”.

O negócio do dia aterrou ao fim da noite: o médio português André Gomes, campeão europeu que esteve nos jardins do Palácio de Belém e que estava a caminho do Real Madrid, assinou pelo Barcelona. Valor, segundo o jornal a Marca: 50 milhões de euros. (E Lopetegui está na selecção espanhola)

À distração do dia não se chega a pé. Talvez a nadar ou de barco. Ou através deste link, que o levará a mil à hora até um local onde o tempo corre mais devagar: um ninho de cagarras na ilha da Berlenga. De todas as coisas inúteis que pode fazer esta tarde, enquanto espera a hora de correr para casa, ou de voar para férias, esta é provavelmente uma das mais fascinantes.

MANCHETES

Correio da Manhã: "Luxos de Sócrates intrigam Justiça"
Público: "Marcelo chama partidos mas diz que não vê sinais de instabilidade política"
Jornal de Notícias: "Grávidas e doentes com apoios em atraso"
Diário de Notícias: "Governo quer pôr militares a trabalhar mais anos"
i: "Costa tem de convidar Bloco de Esquerda e PCP para o governo" (entrevista a Ascenso Simões)

O QUE ANDO A LER

Sabe-se pouco sobre a vida de Kabir, poeta indiano do século XV, mas a edição portuguesa de “O nome daquele que não tem nome” assegura-nos que “Kabir revela nos seus poemas um profundo conhecimento quer do hinduísmo quer do islamismo (e dentro deste do sufismo)”. Vejamos.

“Desde que o encontrei
Nunca mais cessaram os jogos do amor
Fecho os olhos tapo os ouvidos
Por todo o lado
Contemplo a sua beleza
Murmuro o seu nome
Tudo quanto vejo me fala dele
Iguais me parecem agora
a aurora e o crepúsculo”

Como disse, não se sabe muito sobre Kabir. Mas uma coisa é certa: este poema não é sobre um pokemón.

Já estes, não fogem nem é preciso procurá-los. Expresso Diário às seis da tarde, Expresso nas bancas, amanhã bem cedo, eExpresso Online a qualquer momento.

Tenha um bom dia, um bom fim de semana e, se for caso disso, umas excelentes férias.

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