segunda-feira, 11 de abril de 2022

Portugal | QUEM GOVERNA O PORTO?

Rui Sá* | Jornal de Notícias | opinião

Em abril de 2021, quando acedi aos documentos do concurso de ideias para a nova ponte do metro junto à Ponte da Arrábida, constatei que a sua localização e cota de amarração no Porto estavam definidas, não podendo os projetistas propor alternativas às mesmas.

Considerei lamentável essa situação questionando aqui: "foram consideradas várias alternativas e escolheu-se esta por ser a mais benéfica? Com base em que critérios? Preço? Incomodidade? Impacto visual?" Coloquei essas questões, associadas ao facto de nunca os órgãos autárquicos terem discutido o assunto, numa Assembleia Municipal desse mês. Respondeu-me a Câmara que a ponte estava prevista para o local há décadas, pelo que não havia questão. O que não é verdade, como na altura tive a oportunidade de demonstrar. Perante o protesto que, conhecidas as propostas vencedoras, se gerou sobre o impacto negativo da amarração da ponte do lado do Porto, Rui Moreira, que tinha estado despreocupado na apresentação do concurso de ideias, foi a um debate promovido pelo JN dizer que, afinal, estava preocupado com a solução. Em fevereiro confrontei-o novamente na Assembleia Municipal. Respondeu-me que "o facto de ter sido escolhida uma altura da ponte mais alta do que aquela que tinha sido prevista anos atrás complica a entrega [amarração da ponte ao Porto]. Essa foi uma decisão do Ministério, não foi nossa."

Ou seja, passado um ano vem dar-me razão: a imposição da cota (e da localização) sobrepôs-se à harmoniosa integração do acesso à ponte do lado do Porto! Reconhecendo implicitamente que, consigo, a Câmara do Porto não manda em matérias da sua competência, acatando as decisões do Governo! O que é igualmente inadmissível!

*Engenheiro

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