sábado, 21 de maio de 2011

O EMPATE




FILOMENA MARTINS – DIÁRIO DE NOTÍCIAS, opinião

Não, este título não é sobre o resultado do debate de ontem. Sobre esse, também acho que houve um empate, mas foi um 1-1 no campo do adversário favorável a Passos Coelho, o que dá um novo fôlego ao líder social-democrata. Do que quero falar é do empate técnico que as sondagens dão aos dois maiores partidos nacionais. Ou melhor, deixando-me contagiar pelo passatempo favorito desta campanha, vou entrar no jogo de quem é a culpa e a responsabilidade desse empate e porque é que chegámos a duas semanas das eleições sem saber quem ganha e a discutir essa solução inédita que é poder ver no Governo um partido que não seja o vencedor do dia 5.

Já muitos falaram nos erros sucessivos de Passos Coelho e no que eles contribuíram para que, com tudo o que aconteceu, o PSD não esteja nesta altura com uma vantagem confortável. Arrisco a repetição. Passos tem trazido para o debate matérias despropositadas e insiste noutras completamente a despropósito. Como em Portugal as pessoas funcionam como o gato daquele anúncio em que a dona se demora na explicação da composição da ração gourmet e ele só ouve o que lhe interessa - Whiskas saquetas, blá, blá, blá, Whiskas saquetas -, o que tem ficado registado só o prejudica.

Os mais velhos do interior de um país que os líderes partidários mal conhecem só pensam, de cadernetas na mão, para onde vai o seu dinheirinho quando Passos insiste na privatização de alguns sectores da CGD. Pinto Balsemão só faz contas à distribuição da escassa publicidade televisiva quando Passos insiste em privatizar um dos canais da RTP. E os únicos 500 mil, dos dez milhões de portugueses, que sabem o que é isso das Novas Oportunidades, já só pensam se vão ou não acabar o 12.º ano e poder progredir na carreira quando Passos ataca a medida emblemática do Governo.

Do lado do Governo, a famosa máquina da comunicação tem estado mais preocupada em fazer sobressair estes erros - basta ver os dossiers que Sócrates levou ontem para o debate - do que, por exemplo, em traduzir para português um memorando de inglês técnico com a troika, que os portugueses bem gostariam de ver bem explicado e quantificado. Ou em combinar os temas do debate televisivo com um decisivo Portas, como este contava à Sábado esta semana, para evitar cascas de banana, do que em explicar como o PS tenciona implantar as medidas acordadas. O seu programa elimina todo o blá, blá, blá e apenas vende o Whiskas saquetas sem rótulo.

O actual empate mostra que os portugueses não estão convencidos nem por uma, nem pela outra estratégia. E este empate só empata o País.

Crime, ponto final

"Eterno sedutor", "apaixonado incurável", ou, no pior dos dizeres, um "mulherengo". Há uma semana que o que se ouve e lê, de críticos e comentadores, sobre a detenção de Dominique Strauss- -Kahn (DSK), é quase elogioso para uma das maiores figuras da esquerda europeia. Exactamente o contrário do que sempre se ouviu e leu sobre Silvio Berlusconi, rotulado, na versão mais simpática, de depravado sexual de direita. Sem qualquer cariz ideológico, se se confirmar o crime de DSK, ele é simplesmente um violador. Sem perdão. Que felizmente foi detido num país em que a justiça não distingue os poderosos dos outros cidadãos.

Do bom exemplo à teimosia

O corte com os apoios despudorados da Câmara do Porto ao FC Porto foi a bandeira que valeu em 2001 a eleição de Rui Rio como presidente de uma das maiores autarquias do País, trampolim para um lugar de relevo no PSD, que não deve demorar a chegar. A promiscuidade era tão chocante que os portuenses, portistas e não portistas, lhe foram renovando o mandado até agora. E todo o País aplaudiu. Mas, onze anos, sete títulos nacionais, cinco taças de Portugal, seis Supertaças, uma Liga dos Campeões, uma Supertaça europeia e duas Taças UEFA depois, o que foi uma medida e um exemplo excepcional é, neste momento, já mera teimosia incompreensível. O maior clube da cidade, o clube europeu que mais ganhou no século XXI, a actual maior marca do futebol português lá fora, o FC Porto, merece por direito próprio que a câmara lhe abra as portas para festejar.

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