sábado, 22 de novembro de 2014

Angola Fala Só - William Tonet: "Não confundir Angola com cores partidárias"




Jurista e director do jornal Folha 8 foi o convidado do Angola Fala Só

Voz da América

Ao contrário do que diz o slogan oficial Angola não é “um só povo uma só nação”, disse o jornalista angolano William Tonet para quem “não se deve confundir o país com cores partidárias”.

Convidado no programa “Angola Fala Só”, Tonet disse que muitos nos círculos do poder “vivem obcecados  com a ideia de que Angola é um partido político”.

“Não somos um só povo, não somos uma só nação” disse.

“Somos muitos povos à procura de uma nação”, acrescentou o jornalista afirmando haver um sentimento generalizado que as riquezas do pais devem ser partilhadas.

Em resposta a questões dos ouvintes que cobriram uma vasta gama de assuntos, o director do jornal Folha 8 disse que se o presidente José Eduardo dos Santos quiser deixar um legado histórico tem de o fazer “fora da sua barricada”.

“Na sua barricada há muitos bajuladores”, disse Tonet, adiantanto que, para esse feito, o Presidente deve procurar deixar algo que seja “um consenso entre todas as  forças politicas, não só um consenso dentro do MPLA”.

Um ouvinte que telefonou do Huambo disse que na província há apenas um hospital com medicamentos. Os outros, disse, nada têm para dar aos pacientes. O mesmo queixou-se também da falta de qualidade da educação e das infra-estruturas.

Tonet afirmou que grande parte desses problemas seria resolvida  se os governantes e particularmente a Presidência tivessem que recorrer a essas instituições. “No dia em que José Eduardo dos Santos for a um desses hospitais pode ter a certeza que os medicamentos começarão a chegar”, disse.

O problema, disse, é que “ o país não tem um projecto real de desenvolvimento”.

Tonet, que se identificou como militante da Casa-CE, disse que para a solução de todos os problemas de Angola “é preciso haver a unidade entre as forças democráticas da oposição para se fazer mais e combater a injustiça”.

“Temos que deixar de emitir comunicados soltos”, acrescentou.

Interrogado sobre se tinha ficado surpreendido com a decisão da Procuradoria-Geral da República de levar a julgamento elementos dos serviços de segurança, entre os quais um destacado oficial, por alegado envolvimento no assassinato dos activistas Isaías Cassule e Alves Kamulingue, o director do Folha 8 disse que tal era de esperar. “Foi um meio para descomprimir a pressão  que caía sobre o titular do Executivo”, disse Tonet.

Como acontece em quase todas as edições do programa “Angola Fala Só”, a situação dos veteranos das  diferentes forças armadas foi levantada por um ouvinte.

Tonet  disse que o descontentamento  pode transformar-se “num atentado à estabilidade futura” do país. A solução deste problema, disse  “tem que atravessar todas aos partidos” pois “há o perigo  de “um radical qualquer se aproveitar” da situação.

O facto de o Presidente José Eduardo dos Santos ter afirmado não haver condições para a realização de eleições autárquicas até 2017  foi o mesmo que “passar um atestado de incompetência ao seu partido”, comentou o jornalista.

“Como é que se discutiu, como é que se aprovou  a Constituição,  se não há condições para isso?”, interrogou.

William Tonet reconheceu que os partidos fazem face a enormes dificuldades por não terem espaço público para  darem a conhecer as suas actividades, é que para ele “não há cultura do contraditório nos órgãos públicos”.

Na foto: William Tonnet, jurista e director do jornal Folha 8 


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