quarta-feira, 5 de agosto de 2015

Guiné-Bissau. FALTA HOMBRIDADE A DOMINGOS SIMÕES PEREIRA PARA SE DEMITIR?




Silvestre Alves, do partido guineense MDG, perguntava em 10.07.2015 o que aqui no PG salientamos como título e na Gazeta de Notícias da Guiné-Bissau também, mas com mais “corpo”. Parece que afinal também existem partidos da oposição a pretender que o governo de Simões Pereira caia, que o PM, vencedor incontestado das eleições, se demita. Assim, não é difícil de vislumbrar nuvens muito negras na estabilidade política, social e militar que se pretende a partir de Bissau e para que a comunidade internacional colaborou com o propósito de proporcionar ao país recuperar dos anos infindos de instabilidade. Depois não se admirem de os militares voltarem à série de golpes de Estado e matanças que ocorreram no passado relativamente recente. Simões Pereira, o PAIGC, venceram as eleições, sem sombra de dúvidas. Então, por que razão Simões Pereira deve demitir-se? Quem quer desestabilizar a Guiné-Bissau como no passado? Quem está a fazer o trabalho encomendado pelos grandes cartéis da droga que, como no passado recente, quase foram donos e senhores do país? Se não é por isso - o interesse em desestabilizar - por que é? (Redação PG)

MDG APONTA FACTOS NA SUA ‘RENTRÉE’ POLÍTICA: FALTA HOMBRIDADE A DOMINGOS SIMÕES PEREIRA PARA SE DEMITIR?

“O Primeiro-Ministro sabe muito bem que, em qualquer país europeu, elejá não teria condições de permanecer no Governo pelas suspeitas à roda da sua pessoa, quer relativas a negócios, quer relativas à proteção de pessoas dadas como condenadas, quer pela situação em que a sua família esteve envolvida”, afirmou segunda-feira em Bissau o líder do partido MDG.

No entender de Silvestre Alves “como homem inteligente e informado, não precisa que lhe seja lembrado a hombridade de Nelson Mandela quando a Mãe da Nação se viu envolvida em suspeitas. Nelson deixou o campo aberto à ação judicial, livrou-se de qualquer suspeita de favorecimento. 

Consta na imprensa que apresentou queixa-crime contra a associação, mas não se lembrou que, politicamente, no mínimo, deve uma explicação ao país, referiu o político para a seguir precisar que “o Primeiro-Ministro terá que se lembrar que na Europa, todo o titular de cargo público que for tido por suspeito apresenta a sua demissão. Ninguém se atreve a invocar a presunção de inocência porque, por outro lado, caso se venha a comprovar, a imagem da instituição ficaria irremediavelmente manchada.”

O estilo sensacionalista, senão demagógico de governação, tem muitos aspetos críticos que podem deixar de assinalar, disse Alves que, antecipadamente, pediu desculpas “se o calor da intervenção, de alguma maneira se sobrepuser ao caráter pedagógico que se pretende...” com a conferência de imprensa.

São do domínio público vários casos de despesas consideráveis das quais não se conhecem a origem dos fundos. Qual a proveniência dos fundos? Como de Carnaval, de apoios pontuais como à escola de artes, os seis mil sacos de açúcar, despesas da festa de aniversário, beneficiação da praça dos Heróis Nacionais. Por tudo isso, o PAIGC e o Governo terão que aceitar dialogar, discutir modelos e estratégias de desenvolvimento e negociar compromissos e soluções que salvaguardem os direitos das novas gerações e os interesses do país, sob pena de voltar a provocar uma crise institucional. 

O Governo tem sido autista e tem dado mostras de preferir o panfletário e o fogo-de-artifício, disse o líder do Movimento Democrático Guineense (MDG) exigiu a justificação das contas administrativas de um ano de exercício. 

Silvestre Alves considera que o Executivo parte do princípio que “a Guiné-Bissau funciona” e que só falta imprimir uma certa dinâmica. “Como diz Joseph ki-Zerbo, não existe nenhuma “olimpíadas do desenvolvimento”. Por conseguinte, cada um terá que encontrar a sua própria medida e critério de desenvolvimento.” 

Para o líder do MDG “continuar nessa forma de encarar o desenvolvimento é admitir que se pode construir a partir do telhado. Opções são opções. Mas de certeza que não passará de uma falácia cuja factura será bem pesada para as gerações vindouras.” 

“Na verdade, se a Guiné fosse uma casa, depois de tantos anos em estaleiro, o melhor seria deitar tudo a baixo e reiniciar. É aqui que o Governo parece não ter consciência da gravidade da situação, da necessidade de estruturar, reorganizar e reformar as suas instituições, de educar, formar, projetar e implementar uma ideia realista desenvolvimento, com a participação de todas as franjas da nossa sociedade”, criticou. 

De acordo com o líder do MDG, todos os outros casos que deram lugar a clivagens conhecidas ou não, destacam-se a dos ministérios dos Negócios Estrangeiros, ministérios dos Recursos Naturais e do Secretário do Estado das Comunidades. Pessoalmente, o Primeiro-Ministro deixa-nos alguns casos pessoais. O Governo tem de ser digno porque nos representa, a todos. Não é espaço para aprendizes, nem para gente de comportamento duvidoso. 

A presunção de inocência que é um corolário dos direitos fundamentais de liberdade e da honra e bom nome não pode contender com o direito da comunidade política de se proteger e de assegurar uma representação idónea e isenta, defende Alves.

Silvestre Alves disse que o MDG planeou a sua rentrée para finais do mês de Agosto, data em que prevê realizar o seu Conselho Nacional para então render visita de cortesia aos órgãos de soberania e retomar o seu protagonismo. No entanto a evolução política obrigou a esta intervenção.  

Segundo o líder do MDG, estão cientes de que a Guiné-Bissau precisa de todos, por isso o exercício de uma oposição consciente que implica colaborar com quem está no poder. Neste caso, defendeu que o MDG está consciente de ajudar o partido no poder, PAIGC, a assumir as suas responsabilidades perante os desígnios da nação, contra a corrupção, como caminho mais rápido para aliviar o sofrimento do povo. 

Para Silvestre Alves, “a melhor forma de ajudar com lealdade é falar com clareza.” Para dissipar dúvidas esclareceu: “Falando com clareza, corre-se o risco de parecer intenção de afrontar. Desde já, que fique claro que não é intenção do MDG afrontar ninguém.”


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