sexta-feira, 9 de outubro de 2015

GUINÉ-BISSAU, UM PAÍS A MEIO-GÁS



Há 56 dias sem Governo, a população guineense começa a dar sinais de desespero com o agravamento das carências provocadas pela crise. Há falhas na distribuição de água e luz e o início do ano lectivo teve de ser adiado.

Enquanto os políticos discutem as divisões das pastas ministeriais, as competências das instituições do Estado e a fórmula mais sensata para ultrapassar o diferendo que opõe a Presidência da República e o Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC), liderado por Domingos Simões Pereira, primeiro-ministro demitido a 12 de agosto, o sofrimento dos guineenses tem aumentado.

O fornecimento de luz e água tem vindo a ser reduzido, o comércio ressente-se do fraco poder de compra dos guineenses e os ministérios estão a funcionar a meio gás.

Também o ano letivo vai começar com atraso devido à crise política. "As aulas não começaram até agora porque não temos um Governo. Quem vai decidir? Até hoje, não se encerrou o ano lectivo 2014/2015", afirma o presidente do Sindicato Nacional dos Professores (Sinaprof).

Segundo Luís Nancassa, "as consequências são gravíssimas porque o país tornou-se ingovernável e está tudo parado".

Há quase dois meses que o Serviço de Migração e Fronteiras não está a emitir passaportes devido à falta de energia eléctrica com que aquela instituição se tem deparado desde o início da crise. A situação tem dificultado os pretendentes que precisam dessa peça de identificação para motivos de viagens sejam eles de bolsas de estudo, ou mesmo os pretendem viajar apenas para o estrangeiro.

"ONU deve gerir Guiné-Bissau"

Perante este cenário, um grupo de cidadãos lançou uma petição que defende que a governação do país deve ser entregue às Nações Unidas, explica Tony Góia, jornalista da televisão pública e ativista dos direitos humanos que iniciou a campanha de recolha de assinaturas.

"É uma guerra infernal. [Os líderes do país] já mostraram a sua incapacidade. Só querem enriquecer. Ninguém presta contas", critica. A única alternativa, defende, é "as Nações Unidas assumirem a gestão da Guiné-Bissau durante 20 anos, à semelhança do que aconteceu com Timor-Leste".

Tony Góia lembra que os sucessivos governos só pensam em interesses particulares, deixando de lado as preocupações do povo. "É uma morte lenta. É horrível o que está a acontecer. Em termos de educação estamos mal e no sector da saúde nem se fala".

A troca de acusações entre os titulares dos órgãos públicos e o braço-de-ferro entre o Presidente da República, José Mário Vaz, e o presidente do PAIGC, Domingos Simões Pereira, fará voltar esta quinta-feira (08.10) ao país o antigo Presidente nigeriano Olusegun Obasanjo, mediador da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) para a crise política guineense.

Braima Darame (Bissau) – Deutsche Welle

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