sábado, 14 de janeiro de 2017

Moçambique. AFINAL, A PAZ É POSSÍVEL

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@Verdade, Editorial

Os acontecimentos dos últimos tempos são motivos mais do que suficientes para nos elucidar como um povo que tem estado a ser usado como carne de canhão por uma dúzia de indivíduos. A trégua, por exemplo, dada pela Renamo e as Forças de Defesa e Segurança mostram-nos que é possível pôr a mão na consciência e deixar os moçambicanos levaram a sua vida normalmente. Mas parece que o líder da Renamo, o senhor Afonso Dhlakama, e o Presidente da República, Filipe Nyusi, apoiado por uma horda de membros esquizofrénicos do seu partido, estão motivado a empurrar este país para a desgraça.

É no mínimo estranho que uma simples chamada telefónica devolva a tão almejada paz aos moçambicanos, não obstante seja temporária. Foram meses de negociações, em salas fechadas e climatizadas, com mediadores internacionais e não se conseguiu numa solução. Bastou apenas uma ligação para o líder da Renamo e Presidente da República chegarem a um acordo: tréguas. Isso é sintomático de que tanto Dhlakama como Nyusi têm estado a brincar com o sofrimento e paciência dos moçambicanos.

Dezenas de pessoas perderam a vida nesse conflito armado cujo motivações vão se mostrando mais económicas do que políticas. Os discursos que nos têm sido apresentado não passa de demagogia do Governo da Frelimo e os seus aliados.

Na verdade, parece que estamos sendo acometidos pelo vírus do discurso vazio de (des)governantes que fazem tudo menos trabalhar para o bem-estar de seus cidadãos (quando o conseguem ser nesse pântano de desrespeito à dignidade dos moçambicanos).

Esta situação leva-nos a ponderar até que ponto precisamos e vamos compactuar com esse modelo falido de sistema social e político perverso que privilegia o conflito armado, o desrespeito aos Direitos Humanos, e a destruição do país. Todos os dias, temos estado a assistir toda uma elite política moçambicana enriquecendo às custas da guerra, da riqueza nacional espoliada do povo e também viciada no assistencialismo internacional que não ajuda ninguém a evoluir.

Nunca na história pós-guerra civil dos 16 anos deste país, testemunhou-se tanta violação dos direitos dos cidadãos. Nunca os moçambicanos foram tão roubados e escravizados por um conflito armado cuja cessação temporária é feita telefonicamente. As coisas, portanto, estão mesmo más neste país, apesar de sucessivamente certos políticos (mafiosos e profissionais a lançarem areia nos olhos do povo) escamotearem a realidade.

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