segunda-feira, 3 de agosto de 2020

Portugal | Fogo, exploração, fome e porrada, mas “vamos ficar todos bem”


Cuidado com o fogo. Há milhões de portugueses a "arder" mas os das elites - uns quantos eleitos e imensos impostos - nem se apercebe disso. Afinal estão a cumprir os seus objetivos. A plebe que se lixe. Urge explorá-la selvaticamente, até que seja possível...

Expresso Curto sem a habitual má-língua do Página Global a anteceder. Vá direto para o dito cujo autor que possui a graça do exercício da missão de coordenador online na chafarica do tio Balsemão Bilderberg Inpresa, SIC e por aí adiante. Um açambarcador da informação, do entertenimento, da açãopsicosocial que já tem barbas e move-se de bengala, quando não o faz de cassetete em riste. Fome e porrada… Mas “vamos ficar todos bem”, como garantem os arquitetos das lavagens ao cérebro e da psico que embala os povos em sonhos que, vendo bem, são terríveis pesadelos.

E assim se faz Portugal. Uns quantos (poucos) vão bem à custa dos milhões do rebanho que passam tão mal…

O Curto, que não vai faltar. A seguir.

Saúde! E quando não tiveres o que comer ignora o Banco Alimentar e as “caridadezinhas”. Sê cidadão e republicano: insurge-te, revolta-te! 

PG

Bom dia, este é o seu Expresso Curto

Incêndios, covid-19 e Jesus: vamos ter um agosto em alerta?

João Pedro Barros | Expresso

O país acorda hoje em estado de alerta, decretado pelo menos até ao final do dia de amanhã, devido “às previsões meteorológicas para os próximos dias, que apontam para um significativo agravamento do risco de incêndio rural”, nomeadamente devido ao vento. Os distritos de Santarém e Faro são mesmo colocados em alerta de prontidão de nível vermelho. A declaração de alerta traz consigo uma série de proibições, entre as quais as de realização de queimadas ou utilização de fogo de artifício.

As temperaturas atingem habitualmente o seu pico em agosto e, depois da tragédia de 2017, é apenas natural que o Governo não queira arriscar somar incêndios ao cenário da pandemia e crise económica. Os números do primeiro semestre de 2020 até são positivos: 3.936 hectares de área ardida, menos 60% do que no mesmo período de 2019, mas ainda mal chegámos a meio da época de incêndios. Para além disso, especialistas contactados pelo Expresso consideram que os ingredientes de 2017 estão de novo presentes, nomeadamente “um mês de abril muito chuvoso que fez crescer o pasto”. Ontem, em Valongo, três bombeiros foram apanhados pelas chamas e sofreram “ferimentos ligeiros” – ao início da noite o incêndio foi dado como dominado.

Se é possível (e desejável) que este agosto seja descansado no que toca aos fogos, é certo que a pandemia vai continuar a ser tema central da atualidade. Os dados que lançam este mês também são positivos: não se registavam tão poucos novos casos no espaço de uma semana desde março.

Foram 1.299 entre 27 de julho e 2 de agosto, menos 229 do que na semana anterior e o número menos expressivo desde a segunda semana da pandemia (de 9 a 15 de março, sendo que os primeiros casos foram oficializados no dia 2, na semana anterior). De qualquer forma, o arranque desta semana será ainda marcado pela notícia que fez manchete no sábado: as novas normas da Direção-Geral da Saúde (DGS) estipulam que quem teve contacto de alto risco com alguém infetado com o novo coronavírus vai deixar de ser necessariamente submetido a análise.

A DGS apressou-se a emitir uma nota sobre o tema, alegando que o número de testes efetuados não será reduzido, mas admitindo também que a realização de testes aos chamados contactos próximos é “controversa na literatura científica”. A Ordem dos Médicos reforçou pouco depois as críticas e certamente que o assunto será tema na habitual conferência de imprensa com as autoridades de saúde, por volta da hora de almoço. É certo que os números da pandemia são determinantes para o nosso futuro coletivo (pode ver aqui os de ontem), nomeadamente económico, mas é certo que, para o turismo oriundo do Reino Unido, o verão está perdido. Uma réstia de esperança para o Algarve: as reservas aumentam na segunda quinzena de agosto.

Em estado de alerta está também o universo benfiquista, que hoje vê chegar Jorge Jesus como um messias. A apresentação é às 17h, no Seixal, com a presença do presidente Luís Filipe Vieira, que tem de atender a vários fogos, um dos quais as eleições que estão já ao virar da esquina, em outubro. Jesus vai querer afastar o clima depressivo que a derrota na final da Taça de Portugal adensou para os lados da Luz. O troféu já está no Museu do FC Porto e do jogo de Coimbra sobram ainda acusações benfiquistas de tentativas de agressão de jogadores portistasesta análise de Blessing Lumueno e a deliciosa crónica da Lídia Paralta Gomes sobre o que é assistir a um jogo num estádio vazio, onde os bruás são substituído pela “cacofonia de três ou quatro relatos de rádio” e o “som seco da bola a bater”.

OUTRAS NOTÍCIAS

A dança do tubarão – um tubarão foi avistado a dirigir-se para a Praia do Barril, em Tavira, ao início da tarde de ontem. Uma situação considerada "relativamente normal" pela Capitania de Tavira.

A dança dos carris – dois dos três feridos do acidente de comboio em Soure continuavam ontem internados nos Hospitais da Universidade de Coimbra, com prognóstico reservado mas sem correr risco de vida. O Público escreve hoje que a colisão poderia ter sido evitada se a Infraestruturas de Portugal tivesse seguido recomendações de há dois anos do Gabinete de Prevenção e Investigação de Acidentes com Aeronaves e Acidentes Ferroviários. A circulação na Linha do Norte foi ontem restabelecida e vale ainda a pena ler o relato de quem estava dentro do Alfa Pendular.

A dança dos apoios – Arrancam hoje as candidaturas à linha de apoio social a artistas do Ministério de Cultura, mas as ajudas para entidades e adaptação de espaços culturais são adiadas até à próxima semana.

A dança dos rastreios – O rastreio serológico realizado na Universidade Nova de Lisboa em junho chegou a um número idêntico ao estimado para a totalidade do país: apenas 2,9% apresentaram anticorpos para o vírus SARS-COV-2.

A dança da economia – Luís Marques Mendes não entende que o Governo diga que “o pior já passou” após o “trambolhão” de 16,5% do PIB no segundo trimestre.

A dança do racismo – André Ventura voltou à rua, para uma manifestação com o mote "Portugal não é racista" e para continuar a dar gás à sua campanha para as presidenciais de janeiro. O CDS-PP concorda com o lema, ainda que seja "evidente que existem isoladamente crimes de racismo" no país.

A dança das quebras – os setores do comércio de ótica (em Portugal) e das marcas de luxo (a nível global) estão a ser esmagados pela crise.

A dança do espaço – a missão da SpaceX e da NASA regressou com sucesso à Terra, inaugurando aquela que pode ser uma nova era privada na exploração espacial.

A dança venezuelana – Os partidos opositores do regime de Nicolás Maduro anunciaram que não irão concorrer às eleições legislativas de dezembro, apelidadas de "fraude".

A dança do TikTok – A Microsoft interrompeu as negociações para comprar a rede social de origem chinesa TikTok, depois de Donald Trump ter anunciado a intenção de banir as operações da aplicação nos EUA.

A dança a três rodas – Pode ver aqui como Lewis Hamilton fez grande parte da última volta com o pneu em frangalhos, mas ainda assim conseguiu vencer o Grande Prémio da Grã-Bretanha em Fórmula 1 e reforçar a liderança do Mundial de pilotos.

A dança de papel – Última temporada da série “Casa de Papel” terá filmagens em Portugal.

FRASES

“Se estabeleceram logo a possibilidade de usar essa almofada de 3,9 mil milhões de euros estavam à espera de quê? Que o Novo Banco não fosse usar? Claro que vai usar!”
Luís Marques Mendes, no espaço de comentário na SIC, sobre a verba limite que o Fundo de Resolução pode injetar no banco.

“Vê-lo entre as duas taças é como se estivesse a ver um filho, um neto. O meu irmão mais novo”
Pinto da Costa, presidente do FC Porto, sobre o seu treinador Sérgio Conceição.

“Não podem gravar um disco a cada três ou quatro anos e pensar que é suficiente”
Daniel Ek, diretor executivo do Spotify, em resposta a uma pergunta sobre a acusação do serviço de streaming não pagar devidamente aos músicos.

O QUE EU ANDO A LER

Por defeito profissional (e gosto pessoal), as minhas leituras encaminham-se mais para o ensaio, a crónica ou a biografia. No fundo, para géneros mais próximos do jornalismo (ou, pelo menos aparentemente, mais úteis para o dia a dia das notícias).

Este fim de semana atirei-me a um romance já com dez anos: “Livro”, de José Luís Peixoto, um autor que já tinha passado pelo meu cardápio literário. E as primeiras 60 páginas – cerca de um quarto do total – já permitem dizer uma série de coisas: que se trata de um romance envolvente, com uma galeria de personagens que promete; que o que poderiam parecer fúteis divagações são artifícios que o autor usa para nos meter na cabeça das personagens, nomeadamente a de Ilídio, o miúdo que aos seis anos é deixado pela mãe numa vila do interior do país, para emigrar para Paris; e que uma outra ousadia de sintaxe, que noutra instância poderia parecer pretensiosa, neste caso apenas serve os propósitos do autor.

A ida da mãe de Ilídio para Paris não foi ainda revelada na parte que já li do livro, mas a sinopse adianta-nos esse facto. E também já sei, por intermédio de quem leu o livro, que há uma mudança radical de estilo a meio da narrativa. Daqui a uns dias já terei uma opinião formada sobre a globalidade do romance – quem sabe se ainda a partilho com os leitores num próximo Curto.

O QUE EU ANDO A OUVIR

Imagine um disco cujo cenário é o café da esquina, a zona de engate da sua cidade, a praia que frequentou durante a infância ou o horto que recebe romarias de domingueiros. Foi graças a esta sensação de familiaridade – pelo facto de ter vivido até aos 30 anos em Vila Nova de Gaia, onde ainda tenho a maioria das raízes e dos amigos – que me comecei a apaixonar pelos dois primeiros álbuns de David Bruno, “O Último Tango em Mafamude” e “Miramar Confidencial”.

Não é normal encontrar canções que fazem referência à churrasqueira que fica a dois passos da casa dos pais (“Mesa para dois no Carpa”), em vez de um distante imaginário anglo-saxónico. Nem encontrar como matéria prima narrativa o biscate, o arranjinho, o amor de verão e de quarto de motel.

David Bruno fica na interseção perfeita entre os eixos do kitsch, da nostalgia, do humor e do cosmopolitismo. Mas há aqui mais do que um interesse anedótico: David Bruno tem como principal fonte de material o sampling, mas conta ainda com a parceria do guitarrista Marco Duarte, ao qual terá pedido uma abordagem algures a meio caminho entre a de Marante e Slash (no lugar do guitarrista dos Guns N' Roses poderia ler-se Frank Zappa, Joe Satriani ou Richie Sambora, o que interessa é mesmo o português).

Há grandes momentos neste discos: solos de guitarra viciantes, baixos gordos, enxertos de R&B lânguido, incursões no hip hop ou no disco – sempre sob uma capa assumidamente romântica. Este sábado, o gaiense lançou “Raiashopping”, desta vez inspirado nas memórias das visitas da infância à terrinha, neste caso ao concelho de Figueira de Castelo Rodrigo.

A viagem é por isso até à Beira Alta e Trás os Montes (com incursões a Espanha) e confesso que me apaixonou com menos intensidade do que os dois discos anteriores. Mas há bastos motivos para descobrir este álbum – a afunkalhada “Flan Chino Mandarim” é bem capaz de ser a mais viciante música de sempre de dB –, do qual já se conhecia o single “Festa da espuma”, onde a lírica inclui as palavras Lacatoni e Cofides. Recomendo ouvir o álbum em formato vídeo (sim, todos discos de David Bruno são apresentados em formato vídeo-álbum, com edição deliciosamente rudimentar do próprio cantor): “Raiashopping” está disponível aqui (ao lado de “O Último Tango em Mafamude” e “Miramar Confidencial”).

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