<> Artur Queiroz*, Luanda ---
Paz na boca da UNITA é terrorismo. E uma pitada de traição. Em 1974, os Media dos independentistas brancos apresentavam Savimbi como o “Muata da Paz”. Ele assumiu até ao dia em que lhe foi dada a missão de tomar a cidade do Huambo e matar milhares de pessoas só porque não tinham o cartão da UNITA. Depois o Roque da Nova Iorque deu-lhe a “Casa Branca” e ele aderiu ao regime racista de Pretória. A paz dos supremacistas brancos é mesmo só para brancos. Savimbi e seus sicários ficaram reduzidos ao papel de matadores. Sabem quem mataram cobardemente? O Comandante Joaquim Kapango.
A UNITA tomou a cidade do Huambo pela força das armas. Milhares de civis refugiaram-se no quartel do Regimento de Infantaria e ficaram sob a protecção da tropa portuguesa. Quando Lisboa criou a ponte aérea a partir da capital do Planalto Central, o comando português foi retirando as pessoas mais expostas do campo de refugiados.
Um dos retirados foi o repórter, cronista e poeta Ernesto Lara Filho. O avião seguiu para Lisboa mas fez escala em Luanda e ele fugiu. Passou a integrar a Redacção do Diário de Luanda, onde durante três meses escreveu uma crónica diária sob o título genérico “Diário de um Prisioneiro de Guerra no Huambo”. Numa dessas crónicas, descreveu as suas conversas com o Comandante Kapango, na época representante do Bureau Político do MPLA no Huambo.
O Comandante Kapango teve tratamento especial. Foi retirado do quartel do Regimento de Infantaria num blindado e levado até à escada do avião, sob forte escolta militar. Uma vez embarcado o dirigente do MPLA, a tropa portuguesa retirou-se e deixou campo aberto aos sicários da UNITA, que entraram no avião e o raptaram. Depois foi fuzilado. A paz da UNITA no seu lado mais cruel e assassino.
Na época, o Bureau Político do MPLA era constituído por pouco mais de uma dezena de magníficos. São aqueles que conduziram a Luta Armada do Povo Angolano até à Independência Nacional. Derrotaram o colonialismo. Após o 25 de Abril 1974 derrotaram uma coligação internacional comandada pelos EUA, na Guerra da Transição. Quando os angolanos pensavam que iam desfrutar da paz, após a queda do regime colonialista e fascista de Lisboa, de novo a guerra.
A paz regressou quando os
esquadrões da morte dos independentistas brancos foram derrotados
“A todas as unidades das Forças Armadas Populares de Libertação de Angola (FAPLA), a todas as brigadas de defensores do povo do MPLA, a todos os militantes do MPLA, em nome do Comité Central e do Bureau Politico do MPLA, do Conselho Supremo de Defesa, Estado Maior General das Forças Armadas de Libertação de Angola:
Em conformidade com o artigo sexto, do Acordo entre o Estado Português e os Movimentos de Libertação de Angola, de 15 de Janeiro de 1975, declaro o cessar-fogo geral das forças militares e militarizadas do MPLA em todo o território de Angola. A partir desta data será considerado ilícito qualquer acto de recurso à força, que não seja determinado pelas autoridades competentes, com vista a impedir a violência interna ou a agressão externa.
Todos os militantes do MPLA devem, no entanto, manter-se nos seus postos e redobrar a vigilância para que qualquer acto de provocação não possa pôr em causa as conquistas que o nosso povo realizou, durante a guerra de libertação nacional. Cumpra-se.
A Vitória É Certa. O presidente do MPLA e Comandante em Chefe das FAPLA Agostinho Neto”.
Holden Roberto não fez o mesmo apesar de lhe ser solicitado. Pelo contrário. Deu cobertura à invasão do Norte de Angola pelas tropas de Mobutu e matilhas de mercenários. Levou para Luanda mais de 7.000 militares zairenses que distribuiu pelas delegações da FNLA e da delegação de Daniel Chipenda. Jonas Savimbi não tinha forças armadas. Entregou todos os seus combatentes à PIDE e à tropa portuguesa. Alugou a UNITA aos independentistas brancos e ao regime racista da África do Sul. Variações da paz.
O primeiro Bureau Político do MPLA, eleito no último trimestre de 1974, é constituído pelo Fundadores da Nação Angolana. O Comandante Xietu é um Fundador da Nação Angolana. Mas na hierarquia informativa da TPA vale menos do que a inauguração de uma fábrica de óleo alimentar. Hoje mesmo, o noticiário das 13 horas abriu com outras notícias. Mesmo existindo um comunicado do Presidente da República a lamentando a morte de um Fundador da Nação Angolana. Uma lástima. No canal público de televisão não sabem que há uma hierarquização da informação.
No Palácio da Cidade Alta a
sabedoria também não abunda. Se morre um Fundador da Nação, a Presidência da
República tem que decretar Luto Nacional. Nada. É tudo tratado à superfície. E
o alinhamento das notícias nos Media públicos faz-se por alturas, como nas
formaturas da tropa. Importante é noticiar que o Presidente visitou, o
Presidente regressou, o Presidente conduziu uma viatura numa estrada com
Se ainda existem jornalistas da Agenda capazes de criar um plano de edição na perspectiva da previsão do acontecimento, informo que do primeiro Bureau Político do MPLA, o dos Fundadores da Nação, ainda estão vivos o General Ndalu e Lopo do Nacimento. Não se façam esquecidos nem os ponham no final de noticiários que começam com o regresso do Presidente da República, depois de uma viagem a Adis Abeba.
A Federação Russa desencadeou uma operação especial para desarmar e denazificar a Ucrânia. Em Paris encerrou hoje uma cimeira de países europeus mais o Canadá onde decidiram armar a Ucrânia. França e Reino Unido vão mandar militares. Uma declaração de guerra a Moscovo em nome da paz. Os belicistas e colonialistas vestindo pele de pacifistas. França e Reino Unido são países colonialistas. Querem fazer com a Federação Russa o mesmo que fizeram com o Iraque, a Líbia ou a Síria. Roubaram os fundos soberanos e estão a roubar o petróleo e gás. Vem aí a guerra.
* Jornalista
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