Masoquista - Etimologia: Que gosta de sofrer, de ser maltratado ou humilhado; que busca o sofrimento como forma de satisfação. A palavra masoquista deriva do nome próprio do autor austríaco Leopold von Sacher-Masoch, e do sufixo-ista – in dicionário -- PG
Sondagem Legislativas: AD deixa PS para trás. Chega é o que mais perde. Livre cresce com a crise
Análise de Rafael Barbosa e gráficos de Inês Moura Pinto - Jornal de Notícias
Já não há empate técnico. Se o país fosse por estes dias a votos, a AD (34,4%) deixaria o PS (27,8%) a quase sete pontos de distância, com os homens a serem decisivos na vantagem da coligação de centro-direita sobre os socialistas. De acordo com a mais recente sondagem da Pitagórica para o JN, TSF e TVI/CNN, o Chega (14,9%) é o partido que mais perde com a antecipação eleitoral. Mais abaixo seguem a Iniciativa Liberal (6%) e o Livre (5,5%), a força política que mais beneficiou com a crise do último mês, ultrapassando a CDU (3,4%) e o BE (2,7%). O PAN (0,5%) ficaria de fora do Parlamento.
Tendo em conta que a margem de erro da sondagem é de mais ou menos 3,16%, a liderança da AD aparenta solidez. O seu patamar mínimo (31,4%) é agora superior ao máximo a que o PS poderia aspirar nesta altura (30,6%). A coligação liderada por Luís Montenegro é a força política que mais cresce relativamente às eleições do ano passado (5,6 pontos percentuais) e conquista um ponto entre as sondagens do início e do final de março, o que sugere que o caso Spinumviva, que levou à queda do Governo, já não tem o potencial para causar estragos eleitorais.
No entanto, é importante notar
que uma sondagem é o retrato de um momento que já passou, ainda que recente (o
trabalho de campo decorreu durante toda a semana passada), e que, quando falta
mês e meio para as legislativas é impossível prever o resultado. Acresce que o
número de indecisos (18,6%) seria só por si suficiente para baralhar as contas.
Com alguns segmentos a destacarem-se na hesitação relativamente a quem votar:
os que têm
Montenegro mais forte mas ainda sem maioria
A outra da face da moeda, relativamente à AD, é que, com estes resultados, e apesar do crescimento, um futuro Governo voltará a ser minoritário. Mesmo que Luís Montenegro conseguisse negociar com os liberais (6%) um acordo pós-eleitoral, os números são curtos: 40 pontos são insuficientes para obter uma maioria absoluta na Assembleia da República. Recorde-se que a última vez que dois partidos de centro-direita (PSD e CDS) conseguiram esse tipo de controlo parlamentar, concorrendo em listas separadas, foi em 2011, somando 50% dos votos e 132 deputados.
À Direita, o fiel da balança continuaria a ser o Chega, que está em terceiro lugar (14,9%). Apesar de ter recuperado um ponto entre a sondagem do início de março e a atual, o partido da direita radical populista (designação da ciência política) continua a ser o que mais perde, se a comparação se fizer com as últimas legislativas (mais de três pontos). Com André Ventura afastado do arco do poder, graças ao “não é não” de Luís Montenegro, a enorme vantagem do bloco à Direita (56 pontos, mais quatro do que nas últimas legislativas) sobre o da Esquerda (40 pontos, menos um do que em 2024) não reverte em estabilidade.
SONDAGEM
Força inesperada no Livre e abismo no Bloco
A vantagem da AD não se faz à custa do PS, que parece um relógio suíço, tal a estabilidade dos resultados em sucessivos estudos de opinião da Pitagórica. Ainda que os socialistas tenham perdido um ponto, relativamente à sondagem do início de março, a verdade é que estão no mesmo patamar das últimas legislativas, a rondar os 28%. Um relógio suíço... parado. Os eleitores não agravam o castigo sofrido em 2024 (o PS perdeu a maioria absoluta), mas também não parecem mobilizados para fazer de Pedro Nuno Santos primeiro-ministro. Acresce outra dificuldade: os socialistas não têm, à Esquerda, parceiros com a força suficiente para montar uma geringonça.
Mesmo que um das grandes surpresas desta sondagem seja o Livre (5,5%), o partido que mais cresce em tempos de crise política (quase três pontos do início para o final de março). Se tivermos em conta a margem de erro (mais ou menos 3,16%), poderia até superar a Iniciativa Liberal: o patamar máximo do partido de Rui Tavares (6,9%) fica acima do mínimo atribuído à IL de Rui Rocha (4,5%). Esta moeda tem, no entanto, duas faces: o mínimo para o Livre é de 4,1% e o máximo para os liberais é de 7,5%, caso em que a proximidade já não seria assim tão evidente.
Seja como for, o Livre supera, nesta altura, partidos de Esquerda com mais anos de história: CDU (3,4%), com um resultado muito semelhante ao das últimas legislativas, e Bloco de Esquerda (2,7%), que é, depois do Chega, o segundo partido que mais perde com esta crise (quase dois pontos face a março de 2024). As próximas semanas dirão se a aposta em nomes históricos como Francisco Louçã, Fernando Rosas e Luís Fazenda conseguirá reverter a sangria.
Homens deram um empurrão decisivo à AD
A análise aos diferentes segmentos de eleitores (género, idade, classe social e região) permite perceber melhor as diferenças entre os vários partidos. E desta vez, também é aí que se encontra a explicação para o duplo movimento de subida (da AD) e descida (do PS) ao longo do mês de março. Concretamente no género: foi entre os homens que se acentuou a vantagem da coligação de centro-direita sobre os socialistas (de dois para nove pontos), uma vez que, entre as mulheres, a diferença se reduziu de seis para dois pontos (de novo com a AD à frente).
Acrescente-se, no entanto, que PSD/CDS atingiram um equilíbrio perfeito, com uns redondos 28% neles e nelas (nos segmentos, os valores são apresentados sem distribuição de indecisos). Já no PS acentua-se a importância do eleitorado feminino (mais sete pontos do que entre os homens).
O poder de atração masculino que falta aos socialistas (apenas 18,9%), sobra ao Chega (17%), que mantém a dificuldade em atrair as mulheres (7,8%). Ainda no que ao género diz respeito, destaca-se o equilíbrio da Iniciativa Liberal, enquanto o Livre e a CDU se mostram mais femininos (pouco habitual nos comunistas).
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