Liliana Valente, coordenadora de política | Expresso (curto)
Bom dia
Começo por lhe fazer um convite: hoje, às 14h00, "Junte-se à
Conversa" com David Dinis e Micael Pereira para falar sobre "As
investigações sobre Montenegro". Inscreva-se aqui.
Numa reunião com autarcas do PSD esta semana em Coimbra, um spin doctor de uma
agência de comunicação partilhou esta lição: “As pessoas votam em valores e
identidade e não
É aqui que vamos andando, nesta campanha que parece que dura há mais de um ano
(o Governo de Luís Montenegro tomou posse há exatamente um ano). Certo que tudo
se precipitou com a notícia do Expresso de que a Solverde pagava uma avença mensal de 4500
euros à empresa familiar de Montenegro (foi há um mês, lembra-se?
Parece uma eternidade), mas todas as semanas temos sabido novos dados.
Na última sexta-feira, o Expresso contou-lhe, com base em documentos, que há um inquérito a correr no DIAP do Porto sobre a maior
obra pública de Espinho e que o antigo escritório de Montenegro
era um dos denunciados. Também escrevemos que o primeiro-ministro, enquanto
advogado da câmara, deu um parecer favorável à empresa de construção dessa
obra.
Numa primeira reação a esta notícia, o primeiro-ministro disse, na sexta-feira:
“Não tenho conhecimento de nenhuma investigação e nem sei a que parecer é que
se está a referir. Eu não fiz nenhum parecer sobre obras. Eu, enquanto
advogado, intervim em resposta a solicitações de clientes.” Montenegro não
respondeu exatamente à pergunta, mas um bocadinho ao lado. Claro que não fez um
parecer sobre obras, fez um parecer sobre um contrato. O parecer existe (não a
uma obra, mas ao contrato) e saiu da própria caixa de email de Luís
Montenegro.
Também sem nunca referir diretamente que notícias considera desinformação e manipulação, termina o comunicado a considerar “abusivo” qualquer relação entre o seu parecer e o fornecimento de betão à obra da sua casa.
Horas depois, o secretário-geral do PS seria entrevistado na SIC Notíciase questionado sobre o porquê de considerar este caso “o mais grave” desde o início da crise política, Pedro Nuno Santos referiu que há um “padrão de comportamento” de Montenegro em que as “explicações têm de ser tiradas a ferros” e que o facto de haver uma investigação judicial “não é uma brincadeira. É uma questão séria".
Como escreve o Vítor Matos, neste seu Índice do Citacionismo, a campanha já está na rua com um choque de narrativas: "A "narrativa" do Governo é uma falácia para nos iludir com a verdade, o ataque de Pedro Nuno não é de captação, é um jogo para desmobilizar eleitores da AD, a declaração de Ventura sobre Le Pen é ao contrário do que disse há dois meses e o almirante incorre em humilde e soberba".
O Procurador Geral da República, Amadeu Guerra, esteve ontem num simpósio sobre Inteligência Artificial. Mas sobre uma investigação de que ninguém sabia e que continua no DIAP do Porto, entrou mudo e saiu calado.
Por fim, gostaria de partilhar consigo, caro leitor, uma preocupação que tem vindo a aumentar com algumas das conversas que vou tendo sobre as notícias das últimas semanas. Parece-me haver excessiva resistência ao escrutínio e qualquer notícia, mesmo com a maior base factual, provoca reação de antagonismo. Já nada se distingue, parece que já ninguém quer saber. Como escreveu Paulo Baldaia aqui no Expresso, “o que assusta não é tanto o que está a acontecer, é mais o que não queremos saber".
E há muito que não sabemos.
OUTRAS NOTÍCIAS
Saiu a acusação sobre o triplo homicídio do bairro do Vale, na Penha de
França. O Rui Gustavo conta-nos que o Ministério Público duvida da tese da
doença mental do homicida. Foi almoçar já armado, entrou na barbearia e matou as
três pessoas com tiros na cabeça
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Porto
Um caso inquietante, que devia sobressaltar cada um de nós. O Hugo Franco
conta-lhe que o juiz de instrução justifica porque não impôs prisão preventiva
aos três jovens suspeitos de violação em Loures
António Pires de Lima: “Os políticos, se querem obter o respeito dos
portugueses, devem dar o exemplo”
O “marinheiro de silício” e a “salsicha voadora”: Gouveia e Melo defende que
robotização da Defesa “aumenta a produtividade da economia”
Donald Trump anunciou o “dia da libertação” mas não é claro o que
vai fazer porque a administração ainda está a “aperfeiçoar” a decisão
Israel intensifica combates, colonatos e causa “a maior deslocação de
palestinianos desde 1967”: o cessar-fogo nunca chegou à Cisjordânia
Entretanto, a campanha eleitoral
está na rua
No PS, que aprova esta quarta-feira as listas de candidatos. Houve problemas em Aveiro, mas também José Luís Carneiro
foi preterido
O Livre queixou-se à ERC contra Luís Montenegreo e contra as televisões sobre
os debates televisivos, uma vez que Luís Montenegro tem a intenção de delegar
FRASES
“Parece que há uma guerra entre o Ministério Público e o Ministério da Justiça”
Amadeu Guerra, Procurador-Geral
da República
"Acho que os debates podem ser decisivos. Primeiro, porque são variados,
segundo, porque são mais próximos das eleições. E terceiro, se houver uma
proximidade grande entre as alternativas governativas, aí são verdadeiramente
decisivos”
Marcelo Rebelo de Sousa, Presidente
da República
“O modelo proposto coloca o Livre em situação de desigualdade e
desvantagem face aos restantes partidos”
Rui Tavares, do Livre
Para ouvir
Expresso da manhã. Quem conhece o Miguel Prado, o editor de economia do
Expresso, sabe que ele tem uma paixão por energia. É com ele que o Paulo
Baldaia fala esta quarta-feira no Expresso da manhã sobre eleticidade.
Sobre o SignalGate, que está a assolar a administração de Donald Trump, recomendo-lhe o podcast da Atlantic com o diretor como
convidado, Jeffrey Goldberg, em que conta a história como foi
adicionado a um grupo de Signal com vários membros da administração
norte-americana e ficou a saber, por antecipação, dos ataques aos Houtis, no
Iémen.
O que ando a ver
Na última semana fiquei viciada no SignalGate. Li artigos, entrevistas, ouvi audições no Senado, li artigos de opinião. Fiquei fascinada. Uma das maiores cachas jornalísticas de sempre ser conseguida por acaso (acreditem, dava tanto jeito ser assim tão fácil) é, para um jornalista, um misto de inveja e satisfação. Perante a falta de tempo que uma crise política me traz, dediquei-me nos tempos livres e antes de adormecer, a um passatempo que gosto bastante e a que recorro quando estou a precisar de admirar uma boa dose de inteligência de forma lúdica: rever “The West Wing". A decêndia e a inteligência daquela série nunca passam de moda. E ensina. Ensina muito. Quem nos dera voltar aqueles tempos.
Por hoje é tudo, muito obrigado por ter estado desse lado. Para o essencial do dia, vá passando em expresso.pt
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