quinta-feira, 6 de junho de 2013

Angola: ACUSAÇÕES À POLÍCIA SÃO IRRESPONSÁVEIS, diz ministro

 

 
André da Costa e Edna Dala – Jornal de Angola – Foto Dombele Bernardo
 
O ministro do Interior, Ângelo Veiga, afirmou que as acusações da UNITA responsabilizando agentes da Polícia pelo assassinato dos seus membros “são levianas e irresponsáveis” e apelou à direcção do partido para ter contenção nas palavras. Aos militantes da UNITA e de outros partidos políticos, o ministro do Interior apelou à serenidade.
 
Os restos mortais dos agentes da Polícia Nacional assassinados na madrugada do dia 1 de Junho, no bairro Paraíso, pertencentes à Divisão de Polícia do Cacuaco, foram ontem a sepultar. Finda Pedro João, 31 anos, foi enterrado no Cemitério de Santa Ana, na presença do ministro do Interior, Ângelo Veiga.

Por opção da família, os restos mortais dos agentes Augusto Gomes Neto, e José dos Santos Faria, foram transladados por via aérea, para as províncias do Uige e Bengo onde foram sepultados.

No Cemitério de Santa Ana, marcaram presença os secretários de Estado do Interior, José Bamóquina Zau, Eugénio Laborinho, e Hermenegildo Félix, o comandante-geral da Polícia Nacional, Ambrósio de Lemos, e membros conselho consultivo do Comando-Geral e Provincial da Polícia Nacional, familiares e amigos.

O superintendente chefe David Cassimiro, director provincial de Educação Moral e Cívica do Comando Provincial da Polícia, frisou durante a leitura do elogio fúnebre que o Ministério do Interior e a Polícia Nacional perderam agentes incansáveis na manutenção da ordem e tranquilidade públicas.

Finda Pedro João nasceu no município do Kilamba Kiaxi em Luanda, tinha 29 anos, e ingressou na Polícia Nacional em 2007, onde frequentou o curso na Escola Nacional de Polícia de Protecção e Intervenção, tendo sido colocado na Divisão de Polícia do Cacuaco como patrulheiro. Deixa viúva e dois filhos menores. Finda Pedro João, Augusto Gomes Neto e José dos Santos Faria foram promovidos a título póstumo ao grau policial de sub-inspector, segundo um despacho exarado pelo comandante-geral da Polícia Nacional.

UNITA é irresponsável

O ministro do Interior, Ângelo Veiga, afirmou ontem em Luanda que as acusações feitas pela UNITA responsabilizando agentes da Polícia pelo assassinato dos seus membros, “são levianas e irresponsáveis”, apelando à direcção daquele partido, para ter contenção nas palavras.

Aos militantes da UNITA e de outros partidos políticos, o ministro do Interior apelou à serenidade. Também pediu aos comandantes da Polícia Nacional para manterem “a calma e a contenção da ira que este crime ignóbil causou no seio dos efectivos da Polícia Nacional”.

Ângelo Veia disse ainda que “as coisas estavam a estabilizar-se até à morte dos agentes, do assassinato da bancária Bárbara de Sá Nogueira e dos militantes da UNITA”.

O ministro garantiu que “o país tem forças suficientes para garantir a paz, a tranquilidade e a democracia. Embora nem todos os cidadãos estejam habituados a conviver e outros pensem que recorrendo a métodos menos democráticos podem tomar o poder, mas Angola vai continuar a ser um país tranquilo e a paz jamais será beliscada”.

Polícia rejeita acusações

A Polícia Nacional refutou as acusações da UNITA sobre uma alegada participação de agentes da corporação no assassinato de dois militantes daquele partido, no Bairro Paraíso, comuna de Kikolo, Cacuaco. Num comunicado, a Polícia Nacional considera serem “gratuitas as declarações da UNITA”.

As acusações são “rejeitadas categoricamente” e a corporação anunciou que vai “levar o assunto à Justiça” devido às falsidades da direcção da UNITA.

A polícia apelou à maior serenidade de todos e garante que vai aumentar os níveis de segurança e manutenção da ordem pública.

O segundo comandante-geral da Polícia Nacional para a Ordem Pública, comissário chefe Paulo de Almeida, informou que a corporação está a averiguar as motivações e os autores do assassinato de dois militantes da UNITA, ocorrido sábado último, no Bairro Paraíso, comuna do Kikolo.

Paulo de Almeida, que falava durante o velório de três agentes da Polícia Nacional mortos a tiro no mesmo dia e no mesmo bairro, assegurou que a acção não foi praticada por qualquer instituição governamental. Acrescentou que a corporação está a investigar as circunstâncias e procura os autores materiais destes crimes.

O segundo comandante da Polícia Nacional afastou a hipótese de haver motivações políticas nas mortes dos cinco cidadãos: “até ao momento não temos razões para atribuir estes crimes a alguma motivação que não seja passional, ajustes de conta ou de carácter social”, assegurou, acrescentando que a corporação está “a trabalhar com muito cuidado” e, oportunamente, vai esclarecer a situação.

Paulo de Almeida admitiu que há um crescendo no índice de criminalidade no país, principalmente em Luanda, mas assegurou que a Polícia Nacional tem a situação sob controlo.

“A situação mantém-se controlada. Temos agido e reagido em conformidade, de acordo com as nossas capacidades e potencialidades. A sociedade tem de estar empenhada, denunciando casos de delinquência que tentam criar instabilidade no país”, exortou. Paulo de Almeida também deixou uma mensagem de encorajamento aos efectivos da Polícia Nacional: “devem estar tranquilos e serenos.

Assumimos uma missão de risco e temos de ter coragem de seguir em frente, cumprindo a nossa missão, estando mais atentos e prontos a intervir nos momentos oportunos”.

Acusações da UNITA

O secretário da UNITA no Cacuaco, Pedro Panelas, acusou em conferência de imprensa a Polícia Nacional de estar envolvida na morte de dois militantes do partido no bairro Paraíso, comuna do Kikolo.

A denúncia foi feita durante uma conferência de imprensa no secretariado-geral da UNITA, em São Paulo, justificou a sua afirmação com o facto dos supostos assassinos se terem feito transportar numa carrinha habitualmente utilizada pela Polícia Nacional.

Afirmou que os executores de Filipe Tulissanga e de António de Sousa tinham coletes com o logótipo da DNIC Direcção Nacional de Investigação Criminal (DNIC). Utilizaram munições e um tipo de arma que também só são utilizadas pela corporação.

“Se não foi a Polícia a mandante, então é porque a corporação tem distribuído este tipo de arma e munições aos delinquentes”, afirmou.

O representante da UNITA no Cacuaco disse ter provas das acusações que faz. “A esposa de uma das vítimas testemunhou tudo e reconhece um dos assassinos do marido”, afirmou.

Pedro Panelas apelou aos militantes e quadros do partido para se manterem fortes e gerirem o assunto com serenidade. “Nenhum militante deve temer a morte”, disse.

Aniversário da PIR

O comandante-geral da Polícia Nacional, Ambrósio de Lemos, garantiu que a Polícia de Intervenção Rápida (PIR) está preparada para intervir em situações de agitação de massas que ponham em causa a ordem e tranquilidade públicas. Falando no acto de integração de novos efectivos, Ambrósio de Lemos disse que com os novos agentes “começa um vasto processo que visa o rejuvenescimento deste importante ramo da Polícia Nacional”. E pediu a todos os oficiais, subchefes e agentes da corporação para estarem em permanente formação e requalificação.

Terminada a guerra, sublinhou, “a PIR dá os primeiros passos de injecção de sangue novo nas suas fileiras. Se ontem a Polícia de Intervenção Rápida estava de mãos dadas com as Forças Armadas na conquista da paz e garantia da integridade territorial, hoje as suas atenções devem estar viradas para a sua tradicional missão de banir distúrbios e outras acções que perturbem a ordem pública”.

Manutenção da Paz

O comandante da PIR no Huambo salientou a importância do reforço das acções de combate ao crime organizado e de manutenção da Paz. David Silva, que falava por ocasião do 21º aniversário da PIR, disse que os efectivos estão sempre em prontos e cada vez mais fortes para fazer face a qualquer acção que atente contra a Paz, a soberania nacional e a ordem e tranquilidade públicas.

Entre as prioridades da PIR para este ano mencionou o rejuvenescimento dos efectivos e o melhoramento das técnicas para responder às exigências actuais, principalmente a segurança das áreas com mais crimes.

“A PIR está pronta a dar resposta a qualquer situação no país e o Huambo não foge à regra”, referiu. As comemorações do 21º aniversário da PIR no Huambo decorreram sob os lemas “Reflectir para Melhor Organização” e “Operatividade, Coragem, Determinação e Bravura”.

Aposta na formação

O comando da Polícia Nacional no Moxico aposta este ano na formação académica e técnicoprofissional dos efectivos para poder corresponder aos desafios actuais, declarou, no Luena, o seu comandante provincial.

Filipe Espanhol, que falava na cerimónia comemorativa do 21º aniversário da PIR, também anunciou o aumento e a requalificação das infra-estruturas da corporação.

No âmbito do combate ao crime prometeu reforçar em efectivos todas as subunidades para aumentar a capacidade operacional e fortalecer a educação patriótica, moral e cívica.

Observância das leis

O segundo comandante provincial da Polícia Nacional em Benguela para a Intervenção exortou os efectivos da Polícia de Intervenção Rápida (PIR) que tenham sempre em conta o apartidarismo da corporação.

Ernesto Hayamuche, que falava na cerimónia provincial comemorativa do 21º aniversário da criação da PIR, disse que se cada um cumprir mo papel que lhe está destinado se podem “obter melhores resultados na prevenção e no combate à criminalidade e na reposição da ordem e tranquilidade públicas”.

A PIR, lembrou, foi criada para acções de manutenção e reposição da ordem pública, para combater a situações de violência e criminalidade violenta e organizada e eventualmente reforçar outros comandos em operações de policiamento.

Soberania nacional

O segundo comandante da Polícia Nacional de Malange lembrou que a PIR existe sobretudo para salvaguardar a soberania nacional e garantir o sentimento de segurança.

Mateus Muanda, que falava na cerimónia comemorativa da criação da PIR, disse que “para um bom desempenho profissional é imprescindível que as forças tenham capacidade operativa e combativa adequada aos diversos cenários”. O oficial realçou a importância “da disciplina e prontidão no dia-a-dia” por serem factores que garantem o cumprimento das missões.

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