sábado, 7 de abril de 2012

Nova líder do Malauí Joyce Banda apela à reconciliação e unidade do país



SCA – Lusa, com foto

Lilongwe, 07 abr (Lusa) - A nova líder do Malauí, Joyce Bana, de 61 anos, hoje empossada para o cargo de Presidente, apelou, numa breve intervenção, à reconciliação e à unidade do país.

Joyce Bana, ex-vice-Presidente do país, falava após a cerimónia de tomada de posse no Parlamento nacional, organizada algumas horas depois do anúncio oficial da morte do Presidente Bingu wa Mutharika.

"Quero que todos nos viremos para o futuro com esperança e com espírito de unidade. Espero sinceramente que não haja lugar para represálias e violência. Espero sinceramente que permaneçamos unidos", afirmou a nova líder, uma figura da oposição que os partidários de Mutharika sempre tentaram impedir de aceder ao poder.

"Quero agradecer sinceramente aos cidadãos do Malauí e a todas as pessoas que vivem no Malauí pelo respeito à lei expressa para uma transição pacífica da presidência", declarou a nova chefe de Estado.

"Neste momento, peço à Nação que se concentre no luto pela morte do nosso pai", Bingu wa Mutharika, com quem colaborou durante seis anos antes de ser expulsa do partido governamental e tornar-se numa opositora do regime, sublinhou a líder.

Na mesma intervenção, Joyce Banda indicou que já teve "uma boa reunião" com a atual equipa governamental, na qual participou até dezembro de 2010.

"Para mim, foi importante, porque é um ponto de partida para curar as feridas desta Nação", frisou.

Joyce Banda tornou-se hoje na segunda mulher a presidir um país africano depois da Presidente da Libéria e Nobel da Paz Ellen Johnson Sirleaf.

Banda irá assumir o cargo de chefe de Estado até às próximas eleições, previstas para 2014.

Afastada da maioria das suas funções desde 2010, devido a lutas internas dentro do partido no poder (Partido Democrático Progressista - PDP), Bana terá agora a difícil tarefa de lidar com os antigos aliados de Bingu wa Mutharika.

A nova líder do Malauí foi expulsa do PDP pelo próprio Mutharika, que pretendia colocar na linha de sucessão o irmão Peter Mutharika, e excluída do conselho de ministros.

Banda, que sempre permaneceu no Parlamento, acabaria por criar um partido, o Partido do Povo (PP).

A nova Presidente do Malauí, de 61 anos, tem uma ampla experiência governativa.
Licenciada em Educação infantil e uma reconhecida ativista da defesa dos direitos da mulher, Bana foi ministra da Igualdade, Bem-estar infantil e Serviços comunitários durante o primeiro mandato de Mutharika. Em 2006, a responsável seria escolhida para assumir a pasta dos Negócios Estrangeiros.

Após as eleições de 2009, que reelegeram Mutharika, Joyce Banda foi nomeada vice-Presidente da República do Malauí, cargo que ocupou até hoje, apesar das diversas tentativas para a sua destituição.

Joyce Banda nasceu a 12 de abril de 1950 na localidade de Malemia, na região de Zomba (sul). A governante ganhou aos 25 anos uma consciência política ao integrar o movimento feminista queniano, que foi decisivo para abandonar, com os seus três filhos, um casamento marcado por abusos e maus-tratos.

Atualmente está casada com Richard Banda, o procurador-geral do Malauí até 2002.

Em 1990, a nova Presidente do Malauí fundou a Associação Nacional das Mulheres Empreendedoras, que conta hoje com uma rede de 70 mil negócios geridos unicamente por mulheres.

Alguns anos depois, em 1997, a líder criou uma fundação com o seu nome, organização que foi estabelecida com o dinheiro que ganhou com o Prémio de Liderança para o fim da Fome em África, distinção atribuída pela organização norte-americana Projeto contra a Fome.

As autoridades do Malauí anunciaram hoje oficialmente a morte do Presidente Bingu wa Mutharika, mais de 24 horas depois do óbito.

Vítima de ataque cardíaco, Bingu wa Mutharika, de 78 anos, foi transportado na quarta-feira já inconsciente do palácio presidencial onde se encontrava, para o hospital central da capital, Lilongwe.

Antigo economista do Banco Mundial, Mutharika chegou ao poder em 2004 e foi reeleito por maioria em 2009 como Presidente do país mais pobre da África austral.

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