quarta-feira, 24 de maio de 2017

APONTAMENTOS DA HISTÓRIA ANGOLANA | por Martinho Júnior

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NA BARRAGEM DE CALUEQUE E NO ÂMBITO DA BATALHA DO CUITO CUANAVALE, FOI DESFERIDO O GOLPE QUE OBRIGOU AO FIM DO "APARTHEID"!

Martinho Júnior | Luanda 

Em Calueque, as forças progressistas angolano-namibianas-cubanas, tornaram possível duma vez por todas, passar-se da linha da frente informal de meados da década de 60, (Dar-es-Salam - Lago Tanganika - Brazzaville), para a poderosa Linha da Frente que esteve desde logo na origem da constituição da SADC, com o derrube do "apartheid" e as independências da Namíbia e do Zimbabwe, bem como com a democratização representativa na África do Sul, que obrigou ao fim do “apartheid” em finais da década de 80 do século XX...

Nesses 20 anos a internacional fascista sofreu duros reveses na África Austral e só com o capitalismo neoliberal, por via da "civilização cristã ocidental", conforme o preconizado pelo "Le Cercle", tem conseguido "salvar" alguma coisa do que teria sido um autêntico desastre não fosse o peso e as “mãos livres” da hegemonia unipolar e seu cortejo de vassalos!

Os governos portugueses do após 25 de Novembro de 1975, têm feito muito para alimentar essa"salvação", mas precisamente 100 anos depois da morte do rei Mandume, os angolanos venceram uma luta de séculos, que lhes criou pela primeira vez a capacidade de por si próprios, ciosos de unidade, independência e soberania, finalmente, progredir contra o subdesenvolvimento crónico que os arrasta para a cauda dos Índices de Desenvolvimento Humano à escala global!

O Plano do Cunene, do âmbito do Exercício ALCORA pesa ainda em muitos aspectos do presente, que se reflectem em questões que se prendem à assimilação aos procedimentos sócio-culturais vigentes no espaço “judaico-cristão-ocidental”, num mundo globalizado onde a hegemonia unipolar tarda no seu domínio em África!

Angola e a Namíbia têm agora uma oportunidade única de em paz, dando sequência aos pesados sacrifícios consentidos, construir o que for mais importante para resolver os problemas dos seus povos, que passa pela ocupação do espaço vital, pelo acesso à água (e a água do rio Cunene é muito importante para todo o norte da Namíbia) e pela criação de projectos que tragam energia em benefício do desenvolvimento sustentável comum!


No Cunene os angolanos estão a reabilitar as barragens, a revitalizar a agricultura e a pecuária e a ir mais longe: impõe-se a construção da barragem de Baynes e as ligações do Caminho de Ferro de Moçâmedes com o Caminho de Ferro de Benguela e com os Caminhos de Ferro da Namíbia, que esperam pela ligação junto à fronteira a norte de Tsumeb!

A barragem tem sido reabilitada, mas aqui coloco algumas fotos sobre ela e os acontecimentos decisivos da batalha do Cuito Cuanavale por via do golpe de Calueque, onde os MIG 23 tripulados por cubanos experientes, “acabaram com a diversão”! 

Fotos: vista aérea da barragem de Calueque; um MIG 23 da FAPA-DAA que alterou o domínio do espaço aéreo em toda a frente sul angolana face ao “apartheid”: alguns dos estragos provocados pelo bombardeamento à barragem.

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